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terça-feira, 1 de abril de 2014

Super-heróis americanos ou de animes... Todos são "O herói de mil faces"

O herói de mil faces é, certamente, um dos livros mais importantes que todo interessado em mitologia ou fã de quadrinhos, games, animação e afins deveria ler. O autor Joseph Campbell dá-nos um panorama curioso das diversas interpretações de mitos heroicos de vários lugares e épocas da humanidade. Conforme o resumo oficial:
Embora apresentem amplas variações em termos de incidentes, de ambientes e de costumes, os mitos de todas as civilizações oferecem um número limitado de respostas aos mistérios da vida. Em 'O herói de mil faces', Joseph Campbell - reconhecidamente, um dos maiores estudiosos e mais profundos intérpretes da mitologia universal - apresenta o herói compósito; Apoio, Wotan, Buda e numerosos outros protagonistas da religiões, dos contos de fada e do folclore representam simultaneamente as várias fases de uma mesma história.
O relacionamento entre seus símbolos intemporais e os símbolos detectados nos sonhos pela moderna psicologia profunda é o ponto de partida da interpretação oferecida por Campbell. O ponto de vista psicológico é, então, comparado com as palavras proferidas por grandes líderes espirituais, como Moisés, Jesus, Maomé, Lao-Tzu e os Anciãos das tribos australianas. Oculto por trás de um milhar de faces, emerge o herói por excelência, arquétipo de todos os mitos.
Há uma lógica de pensamento coerente do autor e uma tradução que torna o texto fluído e de fácil entendimento (a edição que a resenhista tem é da imagem ao lado, editora Cultrix). O que talvez o faz tão obrigatório nos dias atuais é o excesso de asneiras que se escreve acerca de possíveis plágios para o que não existe.
Há pensamentos, situações e hábitos semelhantes em todo o mundo, mesmo nas mais longínquas comunidades. Para se ter um exemplo relativamente próximo, temos o exemplo de Nippon no Mukashibanashi ふるさと再生 日本の昔ばなし. Este é um anime - o qual faremos uma resenha brevemente - que traz pequenas histórias do folclore japonês. Alguns delas são parecidas com nossas histórias folclóricas, como a Iara (mão d´água).
Outro exemplo de fato não heroico, porém comum, são figuras do gelo com personalidades fortes, irmãos com problemas a serem resolvidos. Caso claro de Freya e Hilda em Cavaleiros do Zodíaco e Elsa e Anna de Frozen. Situações comuns nas diversas culturas, nada a ver com o plágio citado neste artigo de Kotaku USA. Ou seja, O herói de mil faces é importante não apenas para nos fazer pensar nos heróis.
Mas, para lembrar-nos que conceitos universais que se tornam histórias com alguma semelhança, de comunidades que nunca tiveram contatos umas com as outras. Que no mundo do entretenimento há plágios, isso é fato. Mas, há muitos elementos míticos que são totalmente universais. Certamente, uma leitura obrigatória para se detectar tais situações.
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8 comentários:

Luiz disse...

Ótima idéia falar do trabalho sobre mitologia comparada do Joseph Campbell. Metade do que as pessoas chamam de cópia na verdade é o resultado de usar fontes similares para construir uma história ( aqui no ocidental melhor exemplo são as centenas de filmes e seriados do Hércules, inclusive uma das inspirações do Superman.) além de vários arquétipos serem universais em todas as culturas.

Ligeirinho disse...

Sandra, não sei se conhece o termo popular quando se refere a tais cursos dos heróis, que seria a "Jornada do Herói". O legal é que tem até citação na Wikipedia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Monomito

A questão é saber o dia que as histórias vão parar de seguir o ciclo da "jornada do herói"... bem, é difícil, uma vez que realmente toda história tem ritmos similares.

Natália Maria disse...

Olá!!

Interessante esse livro. E é incrível como eu desconhecia tal obra. xD

Ao invés de plágio, não seria o "beber da fonte" de tal obra? Estou lendo um livro que se parece bastante com As Crônicas de Nárnia em essência, mas que é totalmente diferente em termos de desenvolvimento...

Vou procurar mais a respeito do livro. Você despertou minha curiosidade...

Até mais

Nekomimi disse...

Oi, Sandra:
Taí um livro interessante e que faz pensar, ainda mais em meio à essa polêmica toda do site americano que você citou.
E falando em polêmica, você leu a matéria que saiu no JBox, sobre a polêmica declaração de Akira Toriyama a respeito da sua famosa série, Dragon Ball?
http://www.jbox.com.br/2014/03/31/polemica-toryama-diz-ter-se-cansado-da-violencia-de-dragon-ball/
Se ler o comentário que postei lá, verá que o problema com DB é que a série tinha muito fanservice (não aquele fanservice que se vê em séries como K-on ! ou Kill la Kill, por exemplo, mas de outro tipo: o fanservice de violência desnecessária ou gratuita). E existem outros tipos de fanservice, que vão além do conteúdo sexual ou violento desnecessários. Até Osamu Tezuka recorria ao fanservice em suas obras dramáticas, como citei num dos comentários que postei lá.

Nekomimi disse...

Osamu Tezuka, o “Deus do Mangá”, costumava criticar os mangakás da década de 1980 (época em que houve um movimento liderado por autores como Tetsuya Chiba, que se rebelaram contra as regras criadas por Tezuka – regras essas que eram seguidas não só por Tezuka, mas também por seus seguidores – e que, por causa dessa ruptura, foram os responsáveis por transformarem o mangá naquilo que conhecemos hoje) pela violência presente nas obras deles, e em suas adaptações para animes.
Para Tezuka, os autores de mangás dessa geração dos anos 1980 confundiam violência com ação e na opinião dele. o mangá estava no mau caminho por causa disso.
Outro crítico da violência (e do sexo) nos mangás e animes é o famoso diretor de animação Hayao Miyazaki, que chegou a dizer que, por causa disso o mangá e o anime estavam entrando num beco sem saída (se bem que, vindo de um intelectual de esquerda, socialista – uma ideologia fracassada que não deu certo nem na ex-URSS, nem em Cuba e nem mesmo na Coréia do Norte – não podia se esperar outra afirmação).

Nekomimi disse...

A violência dos battle shounens não são mais do que mero fanservice para atrair fãs ávidos por ver esse tipo de cenas.
Ao contrário do que muitos pensam, fanservice não se limita ao moe, kawaii ou ecchi. Também existem outras formas de fanservice.
O próprio Osamu Tezuka costumava se valer do fanservice em suas obras (no caso dele, o fanservice que ele fazia uso era o humor, mesmo em cenas no qual o humor não era necessário ou em cenas dramáticas, no qual piadinhas, caretas, etc. eram colocadas no clímax de histórias dramáticas), como podem conferir num artigo sobre fanservice, abaixo:
http://www.genkidama.com.br/anikenkai/2013/11/24/fanservice-uma-discussao-interminavel/
Sendo assim, a violência gratuita/desnecessária existente não só em Dragon Ball Z, mas também em outras séries, também é uma forma de fanservice. Sempre vai existir alguém que aprecia esse tipo de coisa, e enquanto houver fãs de violência, o fanservice de violência continuara existindo. E isso vale para fãs de outros tipos de conteúdos e para seus respectivos fanservices.

L.Karina disse...

O livro parece muito interessante. Onde você encontrou?
Sobre histórias que se parecem isso pode sim acontece por terem a mesma fonte. Um exemplo é a novela que eu estou assistindo agora ''Teresa' que tem muitas similaridades com ''Rubi''.

Sandra Monte disse...

Você encontra na Livraria Cultura, por exemplo.

Em outras livrarias deve ter também. Ou no site da http://www.pensamento-cultrix.com.br/heroidemilfaceso,product,978-85-315-0294-1,51.aspx

Abraços!