Desejo: Boas Festas...

terça-feira, 15 de abril de 2014

Frankenstein, uma das obras mais deturpadas da História...

Frankenstein de Mary Shelley deve ser uma das histórias recentes mais deturpadas pelo cinema e outras mídias culturais. O título original é o livro do século XIX. A publicação lida por esta resenhista foi da editora Hedra, que por sua vez, foi baseada na edição original de 1831.
Muitos devem saber que a história, em verdade, centra-se no criador, o Frankenstein. O cinema encarregou-se de confundir a cabeça de quem não leu o impresso, dizendo que Frankenstein era a criatura. Só por este motivo já é importante uma leitura deste clássico. O que motivou-nos a escrever esta resenha foi o filme Frankenstein – Entre Anjos e Demônios cujos detalhes podem ser visto no link anterior.
Este filme, como muitos outros, apresenta-nos uma criatura como figura central. No livro, Frankenstein – o criador - é definitivamente o protagonista. Suas motivações, seus desejos ante o mundo; seu horror ante sua criação são o ponto central da obra. Que, oscila em momentos de agradável fluidez, e momentos de um texto arrastado.
O livro inteiro não possui uma conversa formal com "travessões". A autora conseguiu algo difícil, escrevê-lo todo em primeira pessoa, independente da pessoa que seja: criador, criatura, marinheiro. Não há um "ser" que observa tudo, mas sim uma observação sempre vista do ponto de vista de alguém da história. Este elemento textual é um diferencial difícil de ser encontrado na literatura, pois obras em primeira pessoa normalmente são do ponto de vista somente de um personagem.
Desta edição é complicado indicar ou não a leitura da "Introdução" no primeiro ou segundo momento, pois a mesma é um tanto chata de ser lida, com um texto moroso. Há detalhes de percepção demais, enquanto o comum para muitos leitores são descrições de situações "a la Julio Verne". Porém, independente de se ler no início ou ao final, aconselhamos a leitura da "Introdução".
Frankenstein de Mary Shelley vale a leitura pelo conhecimento da obra original em si. Sem enganos, sem os exageros cometidos em outras mídias. Mesmo com momentos descritivos demasiados sonolentos, seus momentos de tensões psicológicos são intensos e curiosos para estudos literários. Certamente, um título obrigatório, especialmente para pretensos escritores.
←  Anterior Proxima  → Inicio

4 comentários:

L.Karina disse...

Eu li o livro faz muito tempo. Realmente o cinema mudou o foco da narrativa e a criatura, que no livro não tem nome, ganhou o nome de seu criador Frankenstein. E se eu não me engano não tem a ''vitimização'' da criatura no livro.
Não achei o livro chato de maneira alguma. Talvez muita gente não goste por causa da linguagem como você mesma colocou.

Gabriel disse...

Bacana o texto, é bem isso aí mesmo. Mas a característica que você aponta como difícil de ser encontrada na literatura não é tão rara assim, na verdade. Frankenstein é um romance epistolar (escrito através de cartas), um gênero que já foi muito popular. Drácula também é, assim como Ligações Perigosas, e muitos outros.

Natália Maria disse...

Olá!!

Nunca li nada a respeito e sou dessas que acha que o Frankestein é a criatura. Ledo engano!! n_n''

Quem sabe mais para frente eu não o pegue para ler?

Até mais

Marcelo Santarem disse...

Sandra, dê uma olhada na versão de Frankenstein de Mohiro Kito, autor de Espiral (publicada há priscas eras pela Conrad), pelo Chrono Scanlator. É o tipo de mangá que não vem mesmo ao Brasil.