Desejo: Boas Festas...

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Anime obrigatório de se ver: Gankutsuou - O Conde de Monte Cristo (巌窟王)

Atenção: cerca de 99% deste texto foi escrito originalmente para o site Herói, em 2005. Lembramos que Gankutsuou - O Conde de Monte Cristo (巌窟王) foi exibido no Brasil pelo extinto canal Animax e teve uma boa versão dublada, cujos nomes dos artistas encontram-se no final da resenha.


Alexandre Dumas (pai) é um dos grandes autores universais que teve grande quantidade de seus livros feitos filmes e séries de televisão. Suas obras mais conhecidas são Os Três Mosqueteiros, Os Irmãos Corsos, Máscara de Ferro e o Conde de Monte Cristo.
Curiosamente, só em 2004 o Japão percebeu que a história de Edmundo Dantès é das mais geniais escritas até hoje. O jovem marinheiro tornar-se-ia capitão do navio Faraó de seu patrão e amigo Morrel e se casaria com a mulher de seus sonhos, a bela Mercedes. O que Dantès não imaginava é que três homens mudariam para sempre sua vida. Um deles era Fernando Mondego. Este era apaixonado por Mercedes e sabia que precisaria eliminar Edmundo para ter a chance de desposá-la. O segundo era Danglars, uma figura medíocre que sentia profunda inveja de Edmundo. O terceiro seria Villefort, que acusaria efetivamente o marinheiro de traição, mandando-o para o Castelo de If.
Lá, Edmundo encontra um outro preso chamado Abade Faria, que apesar de todos o acharem doido, era realmente possuidor de uma grande fortuna na ilha de Monte Cristo, que deixaria como herança para Edmundo, se este conseguisse fugir. E fugiu prometendo se vingar de todos os que lhe fizeram mau.
E é assim que começa o Conde de Monte Cristo, uma história cheia de aventura, romance e uma lição de vida a ser seguida. Não pela vingança, mas pela redenção e amor. Erroneamente, o livro é colocado pela maioria das editoras como uma história juvenil. Mas sua temática é tão profundamente dramática e com capítulos por vezes confusos aos mais desavisados, que Monte Cristo é sim uma obra-prima da literatura universal, contudo, não juvenil.
E quem parece que conseguiu bem perceber o caráter adulto da história foi o estúdio Gonzo. Em 2004 começou a ser exibido no Japão o anime Gankutsuou - O Conde de Monte Cristo (巌窟王). A animação é excelente, com algumas seqüências inteiras de CG.
Quem não leu o livro, certamente achará Gankutsuou um dos grandes animes feitos nos últimos anos. Contudo, os leitores e principalmente fãs de Conde de Monte Cristo e das obras de Alexandre Dumas devem assistir ao anime praticamente sem compará-lo a obra original. E há um ótimo motivo para não comparações: o anime segue parte da cronologia do livro até sua metade (12º episódio). Daí para frente acontece uma sucessão de fatos vindos da pura imaginação dos integrantes do estúdio Gonzo. Estes acontecimentos nada têm a ver com a obra de Dumas.
A história de Gankutsuou começa já quase na metade do livro, no carnaval que acontece na Lua e não em Roma. Lá, o jovem Alberto de Morcerf (filho de Fernando Mondego) e seu amigo Franz conhecem uma figura misteriosa: o rico e famoso Conde de Monte Cristo. Este salva Alberto de um suposto seqüestro e faz com o que jovem fique eternamente grato pelo socorro. Pouco depois o Conde vai a Paris a convite de Alberto, dando assim início ao seu plano de vingança contra os homens que o jogaram no inferno da prisão de If, um lugar sombrio envolto na mais completa escuridão em algum lugar bem distante no espaço. Gankutsuou se passa em um futuro distante, mais precisamente no sexto milênio. Contudo, as roupas são estilizadas semelhantes as do século XIX. Tanto que no último episódio o estúdio Gonzo chamou a designer Anna Sui para desenhar as roupas.
O que pode deixar muita gente invocada é que Gankutsuou é uma adaptação que deturpa demais o conceito original da obra. O Edmundo Dantès do estúdio Gonzo é uma figura cruel, sem o menor sentimento de compaixão, sendo frio até mesmo com seus companheiros como Luigi Vampa. Este Dantès também não passa pelo arrependimento característico do personagem original.
Além disso, alguns personagens de vital importância do livro nem aparecem na animação. O Senhor Morrel e o pai de Edmundo, Luis Dantès apenas são mencionados. Já o abade Faria nem aparece. No lugar dele, quem dá poderes a Edmundo é uma figura sinistra e sombria, com corpo deformado, mas com poderes gigantescos. E é esta figura que dá nome ao desenho: Gankutsuou (Senhor da Caverna), que se aproveita do momento de pura fraqueza de Dantès na prisão de If, usando seu corpo e sua alma corrompida. E eis aqui mais uma grande diferença em relação ao livro: Edmundo Dantès sentia-se um vingador de Deus. Em Gankutsuou, ele mais parece um enviado do inferno.
Um dado comum do anime e outras adaptações foram o de fazer Edmundo e Fernando Mondego amigos. Em alguns filmes e séries de TV isto também acontece. Contudo, isto só serve para dar mais dramaticidade ao rancor de Dantès ante Mondego, em uma licença de adaptação equivocada. Dumas não os criou amigos. Eles praticamente nem se conheciam no livro.
E há muitas outras mudanças no anime. Mesmo assim, Gankutsuou é uma bela obra e que deve ser registrada como uma adaptação bem pitoresca e com elementos fraternais fortíssimos, já que a amizade de muitos personagens é o grande motor da história. Vale lembrar que além da parte técnica genial, a música instrumental de Koji Kasamatsu e a cantada de Jean Jacques Burnel podem trazer lágrimas aos mais emotivos. Fica o registro de uma das frases mais célebres de Edmundo Dantès: “toda a sabedoria humana resume-se em duas palavras: confiar e esperar”.

Conde de Monte Cristo: Paulo Celestino (Máscara da Morte de CDZ)
Albert: Marcio José de Araújo (Ranma, Miro de CDZ e James de Pokemon)
Fernando: Sérgio Moreno
Mercedes: Patricia Scalvi, Andrea: Marcelo Campos
Baptistin: Cesar Marchetti, Barker: Jorge Cerruti
Beauchamp: Renato Soares, Bertuccio: Sidney Lilla
Butler: Emerson Caperbat, Caderousse: Gileno Santoro
Danglars: Antonio Moreno, Debray: Rodrigo Andreatto
Eduardo: Fernanda Bock, Eugenie: Priscilla Concepcion
Franz: Sergio Corcetti, Franz mãe: Patricia Scalvi
Franz criança: Pedro Alcântara, Albert criança: Matheus Pereira
Julie: Cecilia lemes, Luigi: Guiga Lopes
Marquis X: Fabio Moura, Maximillien: Vagner Abiate Fagundes
Michelle: Angelica Santos, Renauld: Yuri
←  Anterior Proxima  → Inicio

2 comentários:

Victor Hugo Carballo disse...

Santo flashback, eu lembro desse anime, tinha várias cores fantásticas, cada cor era numa camada diferente, realmente único! Boa lembrança!

Natália Maria disse...

Olá!!

É impossível não se lembrar desse anime nas noites de terças-feira no Animax.

Por perder vários episódios, não entendi a trama e as cores ajudaram (na época) a tornar tudo muito mais confuso. É muita cor para pouco espaço. rsrsrsrs

Depois, acabei desencanando, parei de assistir (ou assisti os últimos episódios?) e acabei assistindo ao filme tempos depois, querendo entender a estória do Conde.

Ótimo texto.

Quem sabe não pego para assistir novamente?

Até mais