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terça-feira, 24 de setembro de 2013

Mercado de animes: ainda não é momento para surtos...

Navegantes,
Dias atrás, Este post causou um certo incômodo e comentários acerca da situação do Crunchyroll no Brasil. Naquela ocasião, entramos em contato com a empresa, que nos deu a seguinte resposta dias depois: "não é possível comentar sobre o assunto visto que ainda não chegamos a uma conclusão sobre o rumo da Crunchyroll.pt frente a tal mudança, caso a mesma se aplique." Ou seja, não entrem em surto... nem pânico nem nada parecido. Vamos aguardar e ver o que acontece. O negócio, por hora, é continuar apoiando o material oficial existente.
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2 comentários:

Thiago disse...

O que me entristece na Crunchyroll Brasil é a postura passiva na qual o serviço se mostra ao mercado nacional. Enquanto a Netflix está em todo lugar, interagindo e se auto-promovendo, a Crunch parece escondida em seu próprio nicho... suas redes sociais são uma vergonha e o seu fórum é um meio defasado de divulgação de seu serviço.

O site em si então é uma zorra que só, sem sentido e totalmente desnecessário ao tipo de serviço na qual eles se propõem a oferecer, As vezes até contraditório, tendo em vista que o site traz noticias e bota pilha em títulos de animes que muitas vezes nem vão ser exibidos pelo serviço.

Nota-se um esforço muito pequeno por parte dos gestores do serviço em deslanchar no Brasil, o que me entristece por demais. Sou assinante e pago pelo serviço desde o day one em que chegaram ao Brasil oficialmente, e mesmo o catálogo tendo aumentando expressivamente desde então, o trabalho de marketing da Crunch é praticamente invisível...

Nekomimi disse...

Oi, Sandra:
Pois é, essa situação do Crunchyroll é realmente preocupante. Mas vamos torcer para que o pessoal do Crunchyroll consiga achar um meio de sair dessa. Vamos torcer, portanto.
Falando nisso, vou contar uma história sobre uma certa distribuidora de vídeos que surgiu na década de 1980, com a proposta de distribuir animes, entre outras produções, e do porquê o Brasil não ter, até hoje, um mercado de animes digno de nome.
Havia uma distribuidora de vídeos que surgiu na segunda metade dos anos 1980. Era a atualmente extinta Everest Vídeo, uma distribuidora de vídeos que antes lançava no nascente mercado de home video brasileiro títulos de produções americanas "alternativas"(leia-se piratas, já que foram lançados sem o conhecimento dos detentores dos direitos dos filmes).
Depois que o mercado começou a ser legalizado e regulamentado (e as distribuidoras e locadoras de vídeo, portanto, tiveram que se adequar, só comercializando e alugando fitas VHS legalizadas, com selo da Concine e tudo), a Everest Vídeo passou a negociar títulos de vídeos japoneses.
Entre esses títulos, estavam séries de animes para o público infanto-juvenil e adolescente, além de séries live-actions (tokusatsu/super sentai).
E em 1987, a Everest lançou a primeira série de animes eróticos só para adultos (a antologia hentai conhecida com Cream Lemon), rebatizada como "Sonhos Molhados".(título que foi escolhido após concurso entre leitores de uma revista de vídeo da época, a Vídeo News.
Foram lançados, ao todo, 15 episódios da primeira fase da referida antologia (faltaram 4 episódios, sendo que um era a conclusão de uma trilogia intitulada "Sonata Proibida", outro era um especial que mostrava cenas da primeira fase, outro era um OVA da minissérie Ami, minissérie essa que faz parte da antologia, outro era o movie da Ami (uma versão para cinema, sem cenas explícitas, visando um público mais amplo) e o último da primeira fase era um especial com cenas da minissérie Ami e da trilogia Escalation, ou "Sonata Proibida", como foi rebatizada pela distribuidora brasileira.
Depois disso, a Everest Vídeo não lançou mais nenhum outro episódio da série. Pior: não lançou mais nenhum anime, nem mesmo as série para o público adolescente (eles chegaram a lançar os primeiros 4 episódios da famosa série Urusei Yatsura, rebatizada como "Turma do Barulho", mas só isso).
O motivo do súbito desinteresse da distribuidora pelos animes é que a empresa passou a investir apenas em séries live-actions/super sentais/tokusatsus, e isso acabou, no final, sendo a causa da falência da Everest, devido às mudanças no mercado de home vídeo.
Hoje, ninguém ou quase ninguém se lembra mais da ex-distribuidora de vídeo que poderia ter consolidado o mercado de animes no Brasil, mas que preferiu o lucro fácil e rápido que os live-actions proporcionavam na época.
Resumindo: ao concentrar as suas fichas em apenas um gênero, ao invés de se diversificar, a Everest fez uma aposta errada que praticamente a levou à quebradeira.
Como se pode ver, o chamado "mercado de animes" no Brasil não existe por causa de decisões erradas dos donos das empresas que poderiam ter investido seriamente nele, mas que por motivos variados, não o fizeram ou fizeram no início, mas se desviaram por causa de imediatismos, sem pensar no médio e longo przao.
E é por isso que a situação dos animes no Brasil está como está hoje.