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sábado, 31 de agosto de 2013

Mercado de animes: o que não começou não vai acabar (ainda)...

Queridos navegantes! Primeiramente, estive deveras ocupada ontem. Além disso, ainda estou dodói e estou me recuperando. Por este motivo não houve a resenha animada. Peço desculpas. Semana que vem a colocarei online, se Deus assim o quiser...
Alguns leitores e amigos me passaram o link da notícia Ancine passa a cobrar Condecine de conteúdos sob demanda e provedores OTT. O pessoal tem me solicitado minha opinião sobre o fato e o que o Crunchyroll tem a dizer a respeito.
Quando o site foi lançado no ano passado, questionei a empresa justamente sobre o tema, porque o assunto é pauta de sites de comunicação já faz quase DOIS anos. Só agora virou notinha de site de anime... Enfim... Naquela ocasião - novembro de 2012 - quando questionei a empresa sobre a cobrança da Ancine, a resposta que veio do representante é que "quanto à Ancine, não está no meu privilegio comentar sobre o assunto."
Naquele momento, não achei pertinente entrar em surto psicótico quanto ao fato. Inclusive, ainda não é o caso para isso. Até a Ancine notificar todo mundo, vai demorar um pouco. Por isso, não há motivos para alarde. O que preocupa é saber justamente qual a posição do Crunchyroll e como o mercado em geral irá reagir. O CR precisa ter uma estratégia caso a cobrança realmente ocorra. E, o fato vai gerar uma reação avassaladora no mercado online. Porque no final das contas, a Ancine faz uma série de exigências que não são cumpridas. Vejam o caso de exibição de filmes nacionais nas TVs abertas. Alguém aí lembra de ter visto algum filme nacional no SBT?
Certamente, empresas da internet também vão questionar se esta medida ocasionará malefícios para um mercado legal. Sim, porque tal medida pode inviabilizar redes online pelo montante em dinheiro que teria que ser pago, o que empurraria usuários para sites piratas. Não que isso fará muito diferença no mercado de animes hoje, já que praticamente não existe um mercado de animes online legal... Só que o que mal começou, pode nem continuar...
Entretanto, também vale frisar que deve existir algum tipo de regulação financeira sim. Afinal, se os caras não pagam nenhum imposto, é como se fossem piratas também, de certa forma... Por isso é que o assunto é um tanto cavernoso. As empresas são legais por terem o direito de exibição, mas estão ilegais do ponto de vista de tributação.
Por hora, acho prematuro sair por ai gritando que o governo que acabar com anime em Netflix e Crunchyroll. Primeiro, porque o grosso do Netflix são as exibições de filmes e seriados americanos. E, no caso do Crunchyroll... até a "carta" de notificação chegar aos caras... De qualquer forma, este site já solicitou uma posição do CR. Caso eles respondam, faço uma atualização neste post.
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7 comentários:

Patrick Raymundo disse...

Olá! Ótimo texto, Sandrinha! No fórum do CR eu alertei sobre alguns pontos:

1- Pode ser criada uma bitributação para alguns títulos. A Ancine deve conversar direito com o pessoal de streaming, para evitar isso, bem como o bis in idem que também citei por lá.

2- O CR vai ter que pagar o Condecine, mesmo não tendo representação no Brasil, porque é exigência do governo que as empresas se registrem e paguem essa contribuição. Vai depender de quanto será o valor. Caso contrário, será dito como sonegação.

Talvez eles aleguem que não precisam fazê-lo por serem uma empresa americana, que respeita as leis americanas, mas assim que eles enviam o sinal de liberação para os IPS de nossa região, passa a ser necessário o pagamento e o registro segundo nossas leis. Isso vai dar um arranca-rabo danado.

Vou mandar outro e-mail para eles e, também, vou tentar fazer uma matéria para o meu site. Eu quero que o CR seja legal e oficial em todos os termos que estas palavras venham a atingir, mas sei que se isso ocorrer, talvez, eles venham a abandonar nossa região. Então, eu concordo com você quando diz que o que mal começou pode nem continuar.

Luan Batista disse...

E lá vem mais coisa chata em torno da Crunchroll...
Pelo que da pra entender agora eles vão passar a ser cobrados (?), o que de certo modo pode ser ruim afinal esse dinheiro vai ter que sair de algum lugar e com certeza não vai ser dos bolsos deles mesmos.
Com isso provavelmente só terão duas alternativas, abaixar as portas ou aumentar o preço, pela moral, pra prevenir a indignação e pela ética seria melhor que abaixassem as portas antes que começassem aqueles vídeos de protestos baitolas de gordinhos nerds que perdem seu tempo no Youtube, aqui um bom exemplo: https://www.youtube.com/watch?v=4RLfAWDas7E (risos).
De todo modo, BR é BR e pra muitos tem aquele negócio de "Por que pagar por algo que eu posso ter de graça?", o que mostra que certamente tudo isso não vai passar polêmica desnecessária.

Megasônicos disse...

Já te digo o quanto.
São R$750,00 por episódios para caso de obra seriada.
Será um enorme impacto na economia do ITunes, CR, Netflix e afins.
A farra um dia teria que acabar, pois segundo a lei, qualquer obra, mesmo americana ou de qualquer outra nacionalidade, que sofra manipulação brasileira, leia-se por manipulação legendagem ou dublagem, tem que pagar o imposto ( Condecine ), assim como as produtoras brasileiras. Estou pagando isso na minha serie !

O impacto acontecerá de uma forma ou de outra, mas não acho que eles abandonem o mercado nacional em ascensão.
Pelo menos não os grandes.

O CR eu tenho duvidas, pois explora um mercado de nicho, e o volume de assinantes ainda não é tão expressivo ( não tenho dados exatos).

Vamos aguardar !

Nekomimi disse...

Olá, Sandra:
Pois é, essa história da Ancine agora cismar de querer cobrar impostos dos sites de streaming aqui no Brasil (isso sem falar da absurda exigência de conteúdo nacional que a Ancine quer impor a esses sites: por exemplo, onde é que o Crunchroll vai arrumar anime brasileiro para atender essa exigência? Não vejo como). Isso pode inviabilizar as empresas de streaming no Brasil a ponto de fecharem as portas. E os fãs de anime/otakus, assim como os fãs de outros gêneros, vão ter de voltar a depender dos fansubbers, porque só restará essa opção. E pensar que tudo é por causa dos nacionalistas do PT (leia-se "petralhas"), segundo comentários na internet (se bem que há também outros culpados que eu faço questão sempre de incluir aqui: as malditas ONGs de defesa da infância e adolescência, que sempre cismaram com os animes, seja na TV aberta, seja na TV por assinatura, e agora também na internet. essas ONGs é que tinham de fechar as portas nesse país, não só por conta disso, mas também por conta de outros males, como, por exemplo, a impunidade dos chamados "menores infratores", eufemismo politicamente correto e besta que colocaram no lugar do termo "delinquentes juvenis". Não importa o quão culpados sejam esses menores ou o grau de brutalidade e crueldade de seus crimes, eles sempre acabam sendo protegidos pelas ditas ONGs, que se tornam tão cúmplices da criminalidade quanto os criminosos adultos. Nos EUA e mesmo no Japão esses delinquentes juvenis não teriam tanta proteção assim, pois no Japão, o sistema de reformatórios funciona melhor do que muita Fundação Casa tupiniquim).
Por falar em Japão (e para dar uma boa notícia para os fãs de animes e mangás), um novo anime está para estrear por lá. Não seria nada de novo, se não fosse por um detalhe: trata-se de um anime baseado de uma light novel de autoria de um...brasileiro.
O anime (e o mangá) chama-se No Game, No Life, é é obra de Yuu Kamiya, nome artístico de Thiago Furukawa Lucas, um brasileiro que foi ao Japão para tornar-se um mangaká (autor de mangá). Mais informações sobre a série e sobre o autor, vocês podem conferir nos links abaixo:
http://en.wikipedia.org/wiki/No_Game_No_Life
http://forum.minnasuki.com/thread-33-page-332.html
http://www.mangaupdates.com/authors.html?id=2200
Uma versão mangá da obra, roteirizada por Yuu kamiya e desenhada por Mashiro Hiragi, esposa e assistente de Yuu, está sendo publicada pela Monthly Comic Alive, uma revista mensal seinen (termo usado para revistas voltadas ao público adulto).
Prova de que,para fazer sucesso, o artista têm que ir para o Exterior e lá fazer sua arte para ser reconhecido, já que, por aqui, a maioria dos artistas (e de outros profissionais, excluindo jogadores de futebol e cantores de gêneros mais populares, como o funk, pagode e sertanejo, para citar algumas exceções) não são reconhecidos em seu próprio país.
Como bem diz o velho ditado, "santo de casa não faz milagre".
É isso aí!

L.Karina disse...

Incrível essa mania do Estado brasileiro se intrometer cada vez mais na vida das pessoas. Já achei absurda e exigência de conteúdo nacional nas TVs por assinatura, agora nos serviços de filmes online.
Quem pode obrigar alguém a comprar algo só porque é nacional. Os próprios artistas brasileiros deveriam é tentar fazer as coisas mais profissionais e sem depender tando do estado, aí sim o público se interessaria.
Mas enquanto continuarem com filme s, seriados e outras mídias mal feitas o público continuará evitando.

Rodrigo disse...

A Crunchyroll tem empresa no Brasil? Se não, vai pagar como? E vai colocar anime brasileiro como? Mais uma vez essas regulamentações que só atrapalham...

Megasônicos disse...

A ideia é justamente fomentar o mercado Brasileiro.
A quantidade de produçãode animação no Brasil não é grande, mas é expressiva.

Existem escritores quadrinistas e fãs ( produtores ) de animes nas terra verdes-amarelas que adorariam ter a oportunidade de fazer obras para esses nichos que eles amam.
Alguns copiariam os originais japoneses, que particularmente acho ruim, pois ja existe o original. Outros fariam coisas como o mangá do padre Cicero, que é ótimo .
Isso é uma conquista da Ancine e deus produtores independentes em suas associações .
Todos os países tem algum tipo de protecionismo de conteúdo ou cotas de tela. O Brasil era um dos poucos que não possuía.
Adoro anime de coração, mas apoio o fato de que as empresas estrangeiras, de alguma forma, tem que ajudar com seus impostos, as empresas nacionais.
Se começarmos a produzir, quem sabe daqui à alguns anos viremos o Japão em numero de produções. E com a quantidade, surgirá a qualidade das obras.

Na TV fechada, falavam muito da lei enfiar um produto de baixa qualidade guela à baixo no lugar das series americanas consagradas.
Hoje , com algum tempo da lei, o que se vê são as series nacionais se tornarem os maiores picos de audiência em seus horários .

O produto de qualidade se sobressai por si só e sobrevive no mercado. Megasônicos foi necessário a obrigação de que a emissora comprasse e pagasse o preco justo para podermos produzir.

E brutal , mas é necessário !