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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Das manifestações: a favor, pero no mucho...

Navegantes!!! Já faz algum tempo que não teço considerações realmente sérias. Mas, a ocasião pede alguns comentários. As manifestações que estão ocorrendo por todo o país. Em especial, em São Paulo. Tem-se falado muito na rede, na TV a coisa descambou só para o Datena, e por aí vai...
Sinto-me me condições para falar porque, diferente de muito "manifestante online", eu pego metrô e ônibus todos os dias. Eu sei que o preço pago pela passagem é totalmente injusto. Conforme muitos comentários que coloco no meu Facebook, sei também dos absurdos que têm ocorrido neste país: no ano passado, tivemos greve de professores federais, nos últimos meses tivemos uma série de ocorridos com índios, bolsas que mais parecem produtos para compra de votos... Uma grana absurda gasta em estádios, enquanto saúde e educação minguam...
Daí, 20 centavos parece ser um motivo. Porém, sabemos que não é o único. São justas as manifestações? São. Porém, aqui fica alguns comentários aos manifestantes que, eventualmente, lerem este post. Não esperem desculpas da polícia. Polícia é polícia e raramente se desculpa. Estes foram violentos, sem noção, cometeram excessos em diversas manifestações.
Porém, no caso de São Paulo, seria interessante alguém perguntar para os próprios policiais porque tamanha truculência. Porque deve haver algum motivo muito forte para uma ação tão desmedida, não pode ser somente obediência... Qualquer explicação justifica a violência deles? Não. Mas, ao menos, poderíamos entender... Porque todo mundo tem chutado o pau na polícia, mas parece que as pessoas esquecem que sempre há motivações pessoais. E que eu, você, a polícia ou qualquer um, com um cacetete na mão, vira macho.
Já aos manifestantes, alguns pontos importantes: não saiam com paus, nem fogos de artifício, nem qualquer outro objeto. A população, de forma geral, está apoiando vocês. Mas, no momento que muitos de vocês saem armados, o movimento perde a credibilidade. A única arma que vocês devem usar são câmeras de celulares ou outras. Gravem tudo: tanto ação violenta da polícia quanto ações de manifestantes violentos. Por quê? Para saber quem está denigrindo a imagem das manifestações...
E, muito importante: não façam manifestação dentro de ônibus, tentando convencer cobradores e população ao não pagamento da passagem. O que muitos têm que entender é que o cobrador é um peão. O motorista é um peão. Existe um troço chamado "olheiro", que é uma pessoa paga pela empresa para observar o trabalho deles. Traduzindo: um dedo-duro. Um cobrador pode perder emprego se aliviar a passagem, porque um olheiro pode ter visto e passado a informação aos chefes. Entendam de vez: cobradores são trabalhadores, com contas para pagar, com uma vida e que precisam do emprego deles. Não adianta tentar convencer os caras...
E o mesmo vale para tumultos no transporte público. Você trabalha o dia inteiro, está cansado e quer voltar para casa. Quer descansar um pouco. O transporte já é uma porcaria, se alguém "causar" dentro de um ônibus, só vai deixar a todos mais estressados e e mais cansados, e contra o movimento. Não queiram lutar contra a natureza do cansado das pessoas. Sacaram? A população tem que ficar a favor, e não contra.
Por fim: saibam pelo quê vocês estão lutando. Não entrem em algo por moda, porque é legal. Não façam como muitos jovens fizeram na época dos "cara-pintada", em que muitos estavam  lá para "curtir". Saibam porque estão nas ruas. Como eu disse, a população está apoiando, mas, tem um limite. Que é o limite dela própria, população, não se sentir acuada. Nem pela polícia e nem pelos manifestantes...
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5 comentários:

Ligeirinho disse...

CLAP! CLAP! CLAP! Um comentário sensato em um mar de insensatez e "falsas motivações". :) Eu não diria melhor, Sandra :)

Um complemento, não sei se tem visto nos jornais, mas há de fato um grupo "pago / mandado" para fazer as arruaças. Pode ser algum fato político plantado, uma notícia falsa, uma acusação falsa da PM (a qual um jornal teve acesso a eles), mas imagino que exista sim arruaceiros "pagos" para poder estragar a manifestação, e ainda justamente puxar muitos que estão fazendo protesto "por modinha" a entrar junto.

A melhor manifestação contra os abusos políticos são três: maior participação na política (indo atrás dos representantes públicos), estudando como funciona a gestão pública, e principalmente, "no voto", ou seja, colocar alguém de confiança para gerir o Estado.

Enquanto houver pessoas que votam "por votar", ou votam só porque acharam o cara bonito, ou até porque não votaria no outro pois é do partido que o odeia, vamos continuar tendo sérios problemas, e as pessoas vão continuar protestando sem razão, ou até "por modinha". :)

Sucesso para ti Sandra :D

Paulo disse...

Meu comentário será dividido em partes:
1. Está todo mundo falando "não é só 20 centavos" é os problemas na saúde, segurança, educação, os bilhões para a copa. MAS SERÁ MESMO? Eu digo sem medo: a manifestação é só pelos 20 centavos. Por que eu penso assim? Houve uma manifestação, ano passado, em São Paulo em protesto contra a violência: ninguém do movimento passe-livre participou. Houve uma manifestação pela melhoria da saúde: ninguém do movimento passe-livre participou. Ora, é muito fácil dizer agora que não é só pelos 20 centavos.Eu duvido que se a tarifa baixar eles continuem a manifestações. Se continuarem acreditarei. Mas a tendência é que isso não ocorra; os membros do movimento passe livre se dizem prontos a ajudar a sociedade, mas são egoístas por natureza.

Não sou de SP, moro no ES e aqui o grupo do movimento é igual. Ano passado a passagem subiu 15 centavos; houve confronto com a polícia, ônibus queimados e tal. Alguns meses depois, os médicos do hospital universitário, juntamente com os alunos dos cursos de medicina e enfermagem montaram um protesto para a melhoria do hospital universitário e não privatização dele. O protesto foi amplamente divulgado: ninguém do movimento passe livre apareceu. O hospital universitário foi colocado em iniciativa privada e agora eles estão "protestando" via facebook. Não consigo levar a sério eles.

2. Mas o protesto será justo? O preço da passagem está tão cara assim mesmo? Decerto 3,20 é um valor muito alto, mas é preciso pensar no impacto que isso tem no orçamento. Há um gráfico no site Terra mostrando a evolução da inflação e dizendo que valor da passagem de ônibus deveria ser 2,16 e não 3,20. O gráfico está errado. Ele só leva em conta a inflação oficial e um determinado setor pode ter mais inflação do que outro. Eu não tenho dúvidas de que 3,20 é o valor justo para São Paulo, embora esteja bastante alto. Pense comigo: quem é o mais prejudicado com o valor da passagem tão alto? O trabalhador que ganha um salário mínimo por mês e não recebe vale transporte. Esse trabalhador tem 29% do salário comprometido com passagem. É uma percentagem bem alta, mas há algo que ninguém percebe, a passagem não sobre ela só abaixa. O que? Vou explicar: em 1994 o preço da passagem era 0,50 e o salário mínimo 64 reais. Esse trabalhado se saísse todos os dias de um mês gastaria até 31 reais, praticamente 50% do salário. Isso diminuiu ao longo dos anos. Há uma média de abaixar 1% por ano. O salário mínimo sobe, a passagem sobre, mas o valor real de ambos é outro. Em suma, o salário mínimo sempre vale mais e a passagem menos. A quem mais interessa, o trabalhador pobre, a passagem está mais barata a cada ano e não mais cara. É claro que para quem ganha mais de um salário mínimo e não tem reajuste na mesma proporção do salário mínimo parecerá que a passagem ficou mais cara, mas mesmo assim não muda o fato de que o impacto, em porcentagem, da passagem está ficando menor a cada ano.

Em suma: protestos para diminuir o preço da passagem não são justos, tendo em vista que a cada ano o valor dela cai e não sobre como alegam eles. Reajustar 20 centavos é normal e essencial para a manutenção dos ônibus.

3. Aqui no ES, eu ando de ônibus todos os dias, lotados sempre. O sistema é ruim. Os estudantes daqui sempre lutaram por passe-livre e tal, mas essa não é a questão. O que precisamos é de uma melhoria do transportes e para isso somente com uma ajuda do governo. E o problema surge quando a luta do estudantes é errada. Aqui no ES eles conseguiram passe livre para estudantes, entretanto isso significou que o governo pagasse subsidios Às empresas, subsídios que poderiam ter sido usados para diminuir um pouco mais o preço da passagem. O movimento passe-livre não pensa.

4 - Agora: nada justifica a violência da polícia, mas uma coisa deve ser pensada: por que somente em protesto por passagem tem isso? Ou melhor, por que somente em protesto com estudantes?

L.Karina disse...

Até que eu acharia esse protesto justo se eles realmente fosse pacíficos.Mas pelo que eu vi policiais foram agredidos a imprensa impedida de trabalhar,então não acho que isso realmente tenha alguma coisa com passagem de ônibus. Muitos daquelas manifestantes não usam ônibus.Não sei, mas me parece que isso tem motivação política.
E se em todas as capitais do país for adotado como aconteceu aqui em João Pessoa,logo,logo o preço das passagem vai aumentar sim.
Uma coisa me chama atenção. Quando uma mulher foi estuprado dentro de um ônibus no Rio ninguém se lembrou de protestar, muito pelo contrário que se manifestou querendo o 'menor'' preso foi xingando pelo progressistas.

Robotmonster disse...

É muito importante seu ponto de vista principalmente porque você citou o individuo que participa de protestos pra fazer parte de grupinhos e agradar meia duzia de amigos, e o pais não precisa disso.

Segundo que aqui na minha cidade, a passagem de ônibus sofreu redução antes mesmo dos protestos estourarem pelo pais. E ainda assim existe um grupo querendo organizar um mega protesto da mesma forma, ficou muito claro que existe uma influencia politica nisso.

Patrick Raymundo disse...

O movimento manteve-se mesmo depois que a tarifa baixou em diversos estados, então, dá para acreditar que é um movimento maior. E o movimento conseguiu algo que eu achei que seria impossível: acabar com a rixa entre os estados pelos royalties do petróleo. Em menos de 10 dias, acabaram-se as discussões e o petróleo foi destinado à saúde e à educação. Além disso, a PEC 37 morreu, o voto secreto para a cassação de políticos foi derrubado, bem como aceitaram a corrupção como crime hediondo. Estão dizendo que a "cura gay" também não passará. Um deputado foi preso! Cara, achei isso incrível! Donadon foi preso. O primeiro político a ser preso após décadas!!! Tudo isso em menos de um mês, sendo que as Forças Sindicais, pelo menos em SP, já estão preparando uma greve geral para julho. E a movimentação não parece querer parar.

Vendo o que está acontecendo no Egito e Turquia, retirando todos os aspectos históricos e culturais que diferem todos os países, há uma semelhança incrível nas manifestações. É um movimento bem maior, com certeza, ao que pedia tarifas baixas.

Quanto a violência, existem vários fatores: existem grupos de manifestantes que fazem do vandalismo a sua marca de protesto político. Aliado a esse grupo, nós temos grupos infiltrados para causar baderna e outro grupo querendo tirar proveito disso para saquear. Não concordo com essa violência toda, mas não vejo modo de coibir. Enquanto o povo estiver nas ruas, criando um movimento pacífico e genuíno, também existirão os grupos que farão disso uma forma de causar estragos.

O jeito de parar as manifestações é bem simples: vontade política para aumentar os gastos com as necessidades básicas (segurança, educação, lazer, transporte e cultura). Cabe aos políticos uma resposta ainda maior aos anseios do povo. Como controlar estes gastos, sem mexer com as políticas de auxílio social, e o equilíbrio orçamentário, é uma questão simples a uma equipe ministerial competente. Basta sentarem e elaborarem um bom orçamento.

Rezo para que a normalidade retorne, pois essa situação de crise pode sair do controle e, então, a coisa pode ficar difícil (estado de sítio, por exemplo). Bato na madeira três vezes!