Desejo: Boas Festas...

domingo, 2 de junho de 2013

Aquele tal diploma de jornalista...

Navegantes,
Quem visita este blog há anos deve ter percebido algumas pequenas mudanças de ideias desta que vos escreve ao longo dos tempos. Deixei de ser um tanto quanto radical em alguns pontos. Talvez isso seja a idade... Ou algum tipo de "evolução"... Ou, talvez porque meus interesses mudaram mesmo.
Desde 2009, eu tinha colocado uma imagem em defesa do diploma de jornalista nas barras laterais. Tire-a. Durante algum tempo, meditei em tirá-la ou não. Fiz agora depois de ler este grande texto do professor Eugênio Bucci. Não concordo com parte do escrito dele, que dá a entender que os jornalistas foram coniventes com a ditadura. Muita gente hoje é conivente com um outro tipo de ditadura, a ditadura das ideias... Se aquele regime totalitário voltasse, jornalistas formados e não formados seriam coniventes. Isso independe do diploma.
Hoje, em 2013, talvez o diploma não deva ser o foco do problema. Mas, sim esta educação pífia que temos desde o ensino fundamental até a universidade. E, não somente isso: o fato de muita gente - inclusive jornalista formados - serem sumariamente "comprados sabe-se lá com que verbas"... Sim, gente que defende mortalmente posições que são contra, no final das contas, o Código de Ética dos Jornalistas.
Muitas pessoas não formadas são jornalistas sim. Contudo, nem todo mundo que escreve textos diversos ou resenhas podem ser considerados jornalistas. Ser jornalista é algo que vai além do ato de ser escritor. Para mim, é alguém que deveria sentir ser (e realmente ser) útil a sociedade em algum nível, querer conscientizar. E isso é bem diferente de manipular.
Quem almeja ser jornalista, deveria pensar um pouco nestas coisas. Hoje, no final das contas, sinto-me jornalista pelo diploma, sim.. .Mas, porque acho que devo mostrar coisas positivas para a sociedade. Mesmo que para isso, eu deva apontar equívocos. Neste ponto, a internet ajudou a "libertar". E, infelizmente, jornalistas formados e pretensos jornalistas não entenderam ainda o que é este meio.
E, no final, ao longo destes anos, uma triste constatação: o ego gigantesco que eu imaginava existir só com os formados, também existe com os que "vendidos" (em todas as áreas), porque estes se sentem como os privilegiados de certas informações pura e simplesmente por serem "vendidos". Triste constatação. E, lamentavelmente, é algo que nunca mudará.
Ao menos, de minha parte, saibam: estou meio que aos trancos e barrancos, tentado fazer minha parte. Quando tenho tempo e paciência. Coisas que muitas vezes faltam... E sim, leiam o texto do link acima. Porque aos poucos, o Brasil tem sofridos sumários golpes... Que a sociedade se atente com o que realmente importa...
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3 comentários:

Patrick Raymundo disse...

Mês passado, eu estava refletindo sobre isso. O Sindicato de Jornalistas do DF fez uma consulta pública com os associados, para alterar o seu regimento interno, e se adequar aos novos tempos. A alteração me fez pensar sobre a questão do jornalismo no Brasil. O modelo atual não impede o controle de "forças ocultas" sobre os jornalistas (com diploma ou sem), mas o estudo pode ajudar o profissional a perceber qual manipulação está ocorrendo e onde. Por isso, concordo contigo sobre o ensino no país. O ensino é importante, mas também não é tudo, pois aqui insere-se a ideia de ética. Acredito que isso é parte do aprendizado familiar. Ética, conhecimento teórico e prático, interesse em informar, ser útil e ajudar a sociedade. Para mim isso é um pouco que descreve a função do jornalismo. Um sacerdócio da informação. Hoje, acredito que ter diploma não complementa tudo isso, mas ajuda. :)

Anônimo disse...

Sou Lucila Saidenberg. Eu acho simplesmente preposteroso que uma democracia exija diploma de jornalistas, seja pelo motivo que for. Os jornalistas diplomados têm o seu valor, é claro, mas não se pode usar isso para cercear a liberdade de expressão de quem quer que seja. Meu pai, Ivan Saidenberg, nunca teve o diploma, mas sempre colaborou com os jornais de Campinas na década de 1980, e era considerado um dos melhores jornalistas da cidade.

Ligeirinho disse...

Cença para um comentário :)

Eu tenho a seguinte linha de pensamento. Jornalista, o profissional em si, é o responsável por divulgação de informações de forma clara e objetiva. Um jornalista, ao meu ver, informa a priore. Sempre vai priorizar a informação, e não exatamente a opinião.

A opinião pode ser emitida sim por um jornalista, mas como um colunista ou se deixar claro que a redação informada possui uma opinião.

Bons jornalistas são, ao meu ver, aqueles que informam de forma clara, com certas informações técnicas destrinchadas e só usando-se de opinião se a situação o pede, e se deixado claro que aquilo é um texto redigido baseado em um conceito, seja pessoal ou estudado.

Penso que o termo "Formador de Opinião" cabe-se mais aos leitores do que aos colunistas e jornalistas. A partir de uma opinião de um colunista, por exemplo você mesma, posso definir minha opinião sobre um animê ou um ou outro assunto qualquer. No final, a nova opinião será minha, apesar de ser baseada na sua.

Quanto ao diploma, penso o seguinte: se diploma provasse algo realmente, nasceríamos diplomados em algo. Diploma em si a priore é um valor ao estudo, mas se só isso valesse, então seria sempre contratado o pessoal que tivesse diploma e pronto. Não é assim. Muitos conceitos não se aprendem na escola. Muitos tinos e detalhes são muitas vezes aprendizagens pessoais, isso já aprendendo a tarefa, seja em uma escola ou nas ruas já trabalhando.

Um diploma só apenas rotula você: "Jornalista formado pela faculdade XXXH" E a partir daí tiramos nossos primeiros conceitos: "Ah, a faculdade XXXH é legal, muitos sairam de lá e foram bons profissionais, etc..." ou o inverso.

Enfim. O legal é basear o trabalho do profissional em sua experiência, sempre. Mesmo se foi autodidata, a propósito, o início de muitos no Brasil foram assim: de office boys e datilógrafos, aprenderam dentro dos jornais a serem jornalistas. :)

Sucesso, Sandra.