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sexta-feira, 5 de abril de 2013

ANIMA INFO 1584 - Especial

"Uma História de Amor e Fúria" chega aos cinemas brasileiros


Uma História de Amor e Fúria é um filme de animação que retrata o amor entre um herói imortal e Janaína, a mulher por quem é apaixonado há 600 anos. Como pano de fundo do romance, o longa de Luiz Bolognesi ressalta quatro fases da história do Brasil: a colonização, a escravidão, o Regime Militar e o futuro, em 2096, quando haverá guerra pela água. Destinado ao público jovem e adulto com traço e linguagem de HQ, o filme traz Selton Mello e Camila Pitanga dublando os protagonistas. O longa conta ainda com a participação de Rodrigo Santoro, na pele do chefe indígena e de um guerrilheiro.
Esta animação é uma das mais gratas surpresas do cinema nacional dos últimos anos. Em coletiva cedida aos blogueiros, o diretor revelou que tecnicamente, para que o título ficasse com uma fluidez adequada, foi usada a técnica dos desenhos japoneses. Não o traço dos personagens, não o cenário. Mas, a contagem de quadros por segundo. Ou seja, foram usados 18 quadros por segundo.
Segundo o diretor, esta era a contagem ideal. Usar menos quadros ou os 24 quadros por segundo - o normal dos estúdios Disney - poderia tirar a densidade que a animação exigia. Curiosamente, Bolognesi estava totalmente correto em sua afirmação. "Uma História de Amor e Fúria" funciona perfeitamente com a técnica utilizada.

Fora isso, há outro elemento fundamental que deve ser lembrado: a música. A trilha sonora original é de Rica Amabis, Tejo Damasceno e Pupillo. Nos momentos mais importantes, a música causa um efeito de total absorção de todos os sentimentos apresentados. Fica o registro para ouvir a música final com a atriz Camila Pitanga. Quem diria, ela mostrou que também tem talento musical.
O trabalho de atuação do filme também chama a atenção. Diferente de outros desenhos animados com celebridades, em "Uma História de Amor e Fúria" não houve dublagem. Dublar é o ato de interpretar em cima de uma voz já existente. Neste longa, os atores interpretaram e toda a animação foi feita com base em suas  vozes . Com tudo isso, "Uma História de Amor e Fúria" merece uma atenção especial tanto do público - jovem a adulto - quanto da crítica.
Especialmente pela forma de contar a História do Brasil. Que, no final do ano, pense-se seriamente nesta animação como o filme nacional a ser indicado ao Oscar. Já que os longas "live" não conseguem uma indicação, quem sabe uma animação com a qualidade apresentada não consiga? E, acima, alguns comentários do diretor acerca dos panos de fundo históricos deste longa-metragem.
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2 comentários:

Gabriel disse...

Sempre tem que aparecer um chato pra se ater a algum detalhe técnico, e dessa vez sou eu.

Os desenhos animados da Disney, como quase todo desenho americano, são na maior parte do tempo animados a 12 quadros por segundo. Repete-se cada quadro uma vez, para que preencha os 24 fotogramas que serão projetados a cada segundo. Nas cenas de ação, ou em outras que por qualquer outro motivo se necessite de mais fluidez, os animadores realmente fazem 24 quadros. É um equívoco pensar que o filme é animado sempre a 24 quadros por segundo. Os japoneses, por sua vez, trabalham com cada quadro ocupando três fotogramas da película, ou seja, trabalham a 8 quadros por segundo (8 quadros, que são fotografados 3 vezes, 8x3=24). Mas assim como os americanos, nas cenas de movimento mais rápido e/ou fluido, eles pulam pra 24. É mais fácil perceber isso nas cenas de transformação, mágica, câmera lenta, qualquer coisa que provoque aqueles cabelos esvoaçantes que a gente associa ao visual dos animes.

Em geral é isso, ninguém foge muito de 8 ou 12 quadros por segundo. São números importantes porque derivam de se dividir 24 por 2 ou por 3, e 24 é uma taxa constante, todo filme é 24 fotogramas por segundo sempre (e não estou falando de vídeo, que é uma coisa completamente diferente). Sempre existiram formatos com outras taxas, mas em geral foram experimentais ou tiveram usos muito restritos. Uma tentativa recente de se popularizar algo diferente disso foi O Hobbit, que foi filmado em 48 fotogramas por segundo. O Peter Jackson comprou briga com meio mundo por causa disso, e o estúdio resolveu que ia exibir o filme também em 24 fps mesmo, contra a vontade dele. Se não fosse assim, só poderia passar nos cinemas preparados, pois os projetores convencionais não podem simplesmente fazer a película correr com o dobro da velocidade, não são feitos pra isso.

Ah, e é sempre legal falar do Bill Plympton, que às vezes anima no limite, usando só 6 quadros por segundo. Cada um ocupa 4 fotogramas (6x4=24). Ele já está forçando bastante, já chega a ser possível perceber os desenhos individuais em alguns momentos, se o personagem se mexer demais. Mas é a proposta dele, né? Ser criativo e com baixo orçamento.

É fácil observar essas coisas em qualquer programa de edição de vídeos, ou mesmo um player que permita ver os quadros individualmente. Tenho curiosidade de um dia fazer isso com Uma história de amor e fúria pra dar uma olhada, pois 18 não é divisor de 24. Alguns fotogramas precisarão, inevitavelmente, ter mais de um quadro sobreposto, a fim de preservar a fluidez da animação.

Bah, cansei, falei demais já.

Gabriel

sandra monte disse...

Imagine Gabriel.
Gosto destes comentários porque eles são bem elucidativos.

Olha, já li alguns livros de animação, já conversei com alguns animadores. Todos dizem a mesma coisa: a Disney - em seus filmes - usa 24 quadros por segundo.

Lembro também que, no Anima Mundi, um diretor e historiador fez este apontamento. É algo tão complexo e difícil, que muitos animadores nos anos dourados saíram da Disney e criaram seus estúdios meio que para rebater o conceito do Walt.

Estas repetições que você se refere são variações mínimas, que... quem dá conta - se não me engano - são os pobres do intercaladores..

Enfim, de qualquer forma, a Disney usa 24q/s no produto final, ou seja, os próprio quadros (filmes). Poucos são os animes que chegam nisso em um filme inteiro.

Dá trabalho e vai muita grana. Por isso é tão difícil se chegar no nível de excelência técnica da Disney...