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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Minami Minegishi do AKB48: caso de uma sociedade doente?

Navegantes,
Ontem, li uma série de posts aleatórios em minha "time line" no Twitter acerca do assunto. Como eu estava lendo no celular, deixei passar batido. Mas, eis que li esta notícia referente à cantora Minami Minegishi da banda AKB48, lá no site da Folha...
A coisa é tão louca, mas tão louca, que faz-nos pensar em uma série de coisas também loucas. Já vi muito otaku "berrar" na net que as "celebridades" brasileiras, que o mundinho "fashion" nacional e nosso entretenimento é tosco. Sim, verdade... é. Mas, sério mesmo que lá do outro lado do mundo a coisa é muito diferente? Isso é de uma insanidade sem tamanho, igual às nossas "mulheres frutas".
E pior... Querer que uma jovem de 20 anos seja virgem é igual a querer que uma miss também o seja. Vejam, em muitos campeonatos de miss, as mesmas podem colocar silicone. Mas, têm que ser virgem. Qual a lógica? Se bobear, esta cantora pode até mesmo ter uma voz ridícula, superestimada pelos computadores. Vai saber... Mas, ela tem que ser purinha.
Isso só nos mostra que TODA sociedade tem seus problemas. E graves. Algumas pelo excesso de liberação - como nosso caso -, outras pelo excesso de purismo - como no Japão. Para mim, todo excesso é prejudicial. Pois, isso mostra como a respectiva sociedade é doente. Seja, pela religião, seja pela "libertinagem", seja pelo "purismo". Tudo isso acaba camuflando desejos e anseios nefastos, que alguém sempre se ferra. E podem ver, este "alguém" sempre é uma mulher.
Enfim... por fim... Se o assunto do artigo aconteceu desse jeito mesmo, só nos mostra que o capitalismo no Japão é tão voraz, mesquismo e esquizofrênico como as antigas "dancinhas na garrafa" promovidas no programa do Gugu. Só que tem gente que só detona o que é nosso. Enquanto o que é ruim seja de que país for, é para ser detonado.
E, a imagem foi retirada do site da Folha Online, link acima.
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12 comentários:

Naty disse...

Olá!!

Que choque!1 E olha que comecei a ouvir a banda ultimamente!!

O pessoal acho que ser idol é só ser ídolo, cantar, dançar, posar, dublar etc que tudo bem. Mais elas seguem um contrato né? E esse contrato, pelo que li é bem rigoroso. Fico imaginando o que as pessoas alienadas, que acham que no Japão tudo é perfeito deve estar achando disso. Nenhuma sociedade é perfeita!!

Até mais!!

nekomimi disse...

Oi, Sandra:
Já postei os links para os artigos que saíram no Sankaku Complex sobre o Animax no Japão e a real situação dos animes no Japão. Estão em inglês, mas dá para entender os artigos.
Agora, falando sobre o escândalo da banda AKB48, esses dois artigos que eu li explicam o que aconteceu (e também explicam bem como funcionam essas bandas de "idols" japonesas:
http://genkidama.com.br/anikenkai/2013/01/31/coluna-do-fred-akb48-ate-que-ponto-e-demais/
http://www.shoujo-cafe.com/2013/02/algumas-palavras-sobre-o-membro-do.html
Depois de ler esses artigos sobre o caso, cheguei à conclusão de que os otakus de "idols" conseguem ser piores, muito piores do que os otakus de animes e mangás. Pelo menos, seria impossível um otaku de mangá ou anime perseguir ou assediar sexualmente ou psicologicamente sua personagem favorita (até porque, essa personagem só existe no papel ou no acetato, não existe no mundo real).
Concordo com o que o Fred do Anikenkai escreveu, no final do artigo, de que esses "idol otakus" deveriam passar a ouvir Hatsune Miku, já que essa daí não vai ficar (ou transar) com homem nenhum nunca, já que ela é uma idol virtual, não existe de verdade.

nekomimi disse...

Oi, Sandra:
Quase ia me esquecendo de acrescentar outros links relacionados aos escândalos envolvenda a banda AKB48 e seus fãs, só para se ter uma leve idéia da coisa toda:
http://www.sankakucomplex.com/2011/09/13/akb48-rage-at-moral-collapse-of-idol-otaku/
http://www.sankakucomplex.com/2012/04/27/otaku-gang-rob-burn-homes-to-buy-akb48-tickets/
http://www.sankakucomplex.com/2012/05/25/akb-fan-creepiness-reaches-new-heights/
http://www.sankakucomplex.com/2011/05/27/idol-otaku-spends-110000-on-5500-akb48-cds/
http://www.sankakucomplex.com/2012/06/08/husband-threatened-with-divorce-for-buying-480-akb48-cds/
http://www.sankakucomplex.com/2012/06/07/akb48-simply-garbage/
http://www.sankakucomplex.com/2012/06/28/akb48-otaku-will-sue-rino-sashihara-for-fan-sex-betrayal/
Pode tirar as suas conclusões sobre o mundo das "idols" e de seus fãs, depois de ler os artigos acima. Eu já tirei as minhas, faz tempo.

Hakeru-chan disse...

O mundo "idol" ao redor do planeta é todo meio doentio, mas no Japão parece ainda pior. E quando a gente olha um pouquinho pro lado, na Coreia do Sul, a gente vê que é quase a mesma coisa com os "escândalos" envolvendo estrelas do kpop - fãs exigindo retratação, membros de grupos sendo punidos, gente quebrando cds e rasgando pôsteres quando descobrem que seu idol não é tão perfeito assim.

E quanto ao "otaku" de anime e mangá ser menos prejudicial porque não lida com gente "de carne e osso", não é bem assim não... por trás das personagens perfeitas de papel e tinta, há as dubladoras, que acabem sendo o exemplo "vivo" daquela personagem moe/fofinha/pura/inocente. E quando a dubladora (seiyuu) "pisa na bola" (ou seja, sai com um cara, namora, se casa!), os fãs mais ardorosos - ou estúpidos e loucos mesmo - quebram cds, rasgam pôsteres do anime, jogam dvds fora.

Não vamos muito longe: o que algumas beliebers (?) fizeram quando saiu a fofoca sobre Justin Bieber fumar maconha? Se mutilaram como forma de protesto - ou apoio, nem sei mais.

Acho que a doença se manifesta de forma diferente, mas o vírus da idolatria doentia é o mesmo.

The Fool disse...

Idols são "serious business".
E bota "serious" nisso! D:
Não precisava tanto, mas é aquilo, elas se vendem pela imagem que tem, não pelas músicas, dublagem ou o que quer que sejam.
Elas parecem puras e devem se manter assim.
Loucura.

Felipe Nascimento disse...

O mercado de idol é definido pela palavra "freak", mas o AKB48 realmente leva isso a níveis estratosféricos.

Claro que esse caso tem um lado que envolve uma análise cultural mais profunda. É histórico na sociedade japonesa um indivíduo que "errou" se infligir um castigo muito grande como forma de mostrar arrependimento e talvez fazer com que o grupo a que ele pertence alivie um pouco para o lado dele. Aliás, isso é cultural na humanidade, claro que numa escala zilhões de vezes menor.

A parte mais tosca disso tudo a meu ver é que existam esses contratos de proibição de relacionamentos e que tantas meninas o aceitem para conseguir o sucesso.

O Japão é uma sociedade tão doente quanto qualquer outra. Os otaku hardcore eu acho que são a pior parte dela. Foi quando eu soube disso há uns 6 anos que eu parei de querer ser chamado de otaku, e me dizia fã de anime (hoje, nem isso mais eu sou, me bandeei para o tokusatsu XD).

Como a Nadia Kaku disse, provavelmente se você sair nas ruas de Tóquio mesmo falando desse caso, a grande maioria das pessoas nem vai saber quem é essa menina. AKB48 vende em números astronômicos, mas é bem restrito ao nicho otaku mesmo. Tanto que muito do número de vendas delas vem de otakus loucos que compram caixas com 300 CDs cada um só para inflar as vendas.

O mais interessante de tudo isso é como o Japão lida com esses problemas que existem dentro da sociedade deles. Isso renderia não só um post, mas um blog inteiro dedicado somente ao assunto.

Carlírio Neto disse...

Saudações


O cúmulo da loucura está em se preservar a vida de uma pessoa, em troca da imagem que a mesma venha à propagar para um grupo pré-selecionado da sociedade japonesa.

Tenho adjetivos e sinônimos para isto que prefiro nem citá-los, apenas deixar claro que tal tipo de situação não é de hoje que ocorre...


Até mais, Sandra.

nekomimi disse...

Hakaru-chan:
Pode ser até que o que você disse sobre o otaku de anime ser tão prejudicial quanto o otaku de "idols" seja verdade, já que existem as dubladoras por trás das personagens de animes, mas pelo que eu saiba, não apareceu nenhuma notícia na imprensa japonesa de que eles tenham feito isso até agora. Ou que tenham assediado (sexualmente ou psicologicamente) alguma seyuu por causa de algo que ela tenha feito na vida particular dela. E mesmo que tal coisa tenha acontecido, não creio que seja no mesmo grau e nível do que acontece em relação às "idols" e seus fãs extremos.
Já quanto aos otakus de mangás (aqueles que preferem mais as versões em papel das suas histórias favoritas do que as versões animadas), estes não têm como serem como os "idol otakus", já que, por inexistir a figura da dubladora de carne e osso nos quadrinhos, não há como acontecer algo parecido com o que acontece com as "idols". Ou voce acha que algum otaku vai mandar cartas ou e-mails de ameaças a alguma personagem de mangá só porque ela namorou ou transou com alguém na história? Ou até mesmo agredir fisicamente alguma garota que só existe no papel dos mangás? Convenhamos, isso seria totalmente impossível.


nekomimi disse...

Hakeru-chan:
Uma retificação: sim, já aconteceu de um otaku destruir cópias de produtos relacionados á sua personagem preferida. No caso, mangás. Aconteceu com um fã de Nagi-sama, da série de mangá Kannagi, que se sentiu traído quando descobriu que sua personagem preferida tinha um namorado.
Ao que parece, trata-se de um caso isolado, protagonizado por um desses fãs extremos que não sabe mais distinguir a diferença entre a fantasia dos mangás/animes e o mundo real.
Mesmo assim, seria pior se o alvo de sua ira fosse uma pessoa de carne e osso, real (como uma dessas "idols", por exemplo), já que, nesse caso, ele não se limitaria a destruir pôsteres, mangás, DVDs, etc. : ele iria assediá-la sexualmente ou psicologicamente por e-mails/ cartas contendo xingamentos e até ameaças, ou até mesmo iria a extremos, como atentar contra a integridade física ou (até mesmo) contra a vida do seu objeto de ódio, que é um ser humano real, e não uma personagem de quadrinhos ou desenho animado.
Acho que a solução para o problema das personagens de animes e mangás seria se elas já tivessem namorados 9e que eles aparecessem) logo no primeiro capítulo ou episódio. Dessa forma, desestimularia o interesse dos otakus "caçadores de virgens" que não admitem que sua personagem favorita namore alguém no decorrer da história.
Bom, eu sei que isso depende do autor(ou autora) da obra, mas não deixa de ser uma solução a se considerar.

nekomimi disse...

Sandra:
Em relação ao "excesso" de purismo no Japão, vale lembrar que isso acontece por influência cultural que vêm de séculos atrás.
A sociedade japonesa têm forte influência tanto do Budismo como do Xintoísmo e do CONFUCIONISMO. E, quanto à questão do purismo, isso tem muito a ver com o CONFUCIONISMO, que valoriza muito a questão da virgindade feminina (na China e na Coréia, países cujas sociedades são fortemente influenciadas pelo Confucionismo e pelo Taoismo, é a mesma coisa).
Tanto é que isso serve para explicar(pelo menos em parte)tanto a questão da supervalorização da virgindade quanto a outra questão, o "machismo" da sociedade japonesa (sociedade essa patriarcal, convém lembrar aqui; esse modelo de sociedade pode ser a outra parte da explicação para a questão da hipervalorização da virgindade por lá). Ou "chauvinistas", como chamariam as feministas (nesse ponto, o Japão é igual à França, dai que pode ser chamado de "a França da Ásia"; até cópia de Torre Eiffel os japoneses têm, a Torre de Tóquio).
Uma coisa que faltou dizer aqui a respeito (e que agora acrescento), é que as "idols", assim como a cultura dos animes e mangás teve origem NA CULTURA AMERICANA E SUA INFLUÊNCIA PESADA NO JAPÃO, como diria o Lancaster, do Maximum Cosmo, no artigo sobre o movimento Superflat:
http://interney.net/blogs/maximumcosmo/2009/12/19/superflat-a-reacao-do-pos-modernismo-japones-ao-boom-otaku/
No artigo sobre o Superflat, há um texto que é parte da transcrição da palestra do crítico cultural japonês Hiroki Azuma, que explica o porquê.

nekomimi disse...

Olá, Sandra:
Lamentavelmente, eu esqueci de acrescentar mais uma coisa ao último comentário (e que eu deveria ter colocado antes, se não fosse meu lapso de memória. Eu devia ter anotado tudo em um arquivo de texto para depois colar tudo completo nos comentários, só assim para eu ter certeza de que coloquei tudo):
A sociedade japonesa é, há muito tempo, conhecida pelo seu extremismo, principalmente quanto à questão dos costumes: lá, ou se é extremamente conservador ou extremamente liberal. Meio-termo é algo que a sociedade japonesa desconhece. Provavelmente o mesmo acontece na China e na Coréia.
Na China e na Coréia, essa hipervalorização da virgindade feminina, motivada pelos mesmos fatores culturais que existem na sociedade japonesa, pesou muito na decisão tomada pelo Exercito Imperial Japonês (durante a Guerra do Pacífico) de obrigar mulheres e garotas chinesas e coreanas a servirem de "comfort women" (eufemismo usado para as "escravas sexuais") para os soldados e oficiais japoneses nos territórios conquistados pelo Japão.
Já que o envio de prostitutas japonesas para atender as necessidades sexuais dos soldados japoneses nos territórios ocupados pelo Japão fora proibido, só restava aos comandantes do Exército Japonês o recurso de recorrer às mulheres e jovens dos territórios ocupados. E como a virgindade nesses países era muito valorizada (e ainda é), acreditavam que dessa forma os seus soldados não seriam contaminados por doenças venéreas (o que indica que eles não usavam camisinha).
Ainda hoje, as consequências disso são sentidas nas relações diplomáticas entre o Japão, a China e a Coréia do Sul, com protestos contra o governo japonês, ignorados pela maioria dos políticos e governantes do Japão.
Ano passado, o ex-governador de Tóquio, Shintaro Ishihara, teve a coragem de dizer que as escravas sexuais se ofereceram por livre e espontânea vontade, que não foram forçadas pelas forças de ocupação japonesas.
Esse tipo de afirmação era de se esperar de um político de extrema-direita (aliás, ele fundou um novo partido, o JRP ou Partido da Restauração do Japão, de extrema-direita).
Pelo que eu tenho lido nos sites e blogs de animes e mangás, muitas fãs de animes (de shoujo e josei animes, principalmente) têm uma errônea imagem a respeito do Japão, país que elas acham lindo e maravilhoso, e se chocam quando descobrem que nem tudo por lá é aquilo que elas imaginavam, ficam revoltadas, não aceitando a cruel realidade que se apresenta diante de seus olhos, e chegam ao cúmulo de até (imagine só o absurdo) quererem mudar as coisas por lá, esquecendo-se que o Japão é um país soberano, e como tal, não acewita intromissões dos chamados "gaikokujin"(estrangeiros) nos seus assuntos e problemas internos. Essas fãs brasileiras são tão insanas quanto os otakus hardcore japoneses.
Pelo visto, existe insanidade também por este lado do mundo. Como você disse, Sandra, nenhuma sociedade é perfeita. Todas têm suas mazelas e imperfeições, uma vez que são criadas por seres humanos, inevitavelmente imperfeitos e falhos. Essa é a verdade, e a única coisa que resta é aceitar e conviver com tudo isso (parece frase de um certo filósofo e colunista da Folha de São Paulo, não me lembro qual no momento).

nekomimi disse...

Oi, Felipe:
Quanto ao que você disse sobre deixar de ser chamado de otaku para ser chamado apenas de fã, é melhor pensar de novo.
Já parou para pensar na origem da palavra fã?
Pois bem: fã 9do inglês fan) é uma contração de uma palavra que também carrega um significado pejorativo, mesmo em países como o Brasil: FANÁTICO. É dessa palavra que vêm o termo fã. É é a mesma palavra que, combinada com outras, ganha uma conotação tão negativa quanto a palavra "otaku"(termo equivalente a maníaco, em japonês): "fanático religioso", "fanático político/ideológico", etc. Como pode ver abaixo:
http://www.recantodasletras.com.br/gramatica/2298742
http://www.bugei.com.br/ensaios/index.asp?show=ensaio&id=405
Sendo assim, se por um lado, ser "otaku" é ser "maníaco", por outro lado, ser "fã" é ser "fanático", não é mesmo?
Então, como alguém que gosta (muito, até) de alguma coisa, tanto faz que sejam animes, mangás, tokusatsus, filmes deste ou daquele gênero, música, times de futebol, etc. deveria se autodenominar, sem atrair para si a reprovação, a discriminação ou a estigmatização das pessoas ou da sociedade em geral, dita "normal"? (não só os "otakus", mas os "trekkers", os fãs de Star Wars, os fãs de Harry Potter, "Crepúsculo", etc. também são alvos de olhares negativos por parte das demais pessoas também).
Talvez a solução seria usar uma palavra sem conotações negativas/pejorativas de qualquer espécie, como: apreciadores de animes, mangás tokusatsus, por exemplo. Outra palavra que poderia também ser usada no lugar dos termos problemáticos em questão ("otaku" e "fã") seria "experts em mangás, animes, tokusatsus, etc.
Os brasileiros só passaram a usar as palavras "fã" e "otaku" tanto por causa da origem estrangeira das palavras (o nosso conhecido estrangeirismo) como por causa delas serem mais curtas do que dizer "pessoa que gosta de animes, mangás, tokusatsus, etc.". Percebe?
Se passarmos a usar termos originários da língua portuguesa, ao invés de termos originários do inglês ou do japonês, quem sabe assim a sociedade passe a ver os que gostam muito disso ou daquilo com outros olhos, mais tolerantes.
pelo menos, é assim que penso a respeito.