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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Aquela tal Disney... mais da Crunchyroll e o que são majors

Navegantes, primeiramente, esta imagem eu peguei do site Pipoca Moderna. É bem elucidativo para falar sobre o assunto. Sim, a Disney comprou a Lucas Film e todos os interessdos em cinema já devem saber do fato. Provavelmente, foi a aquisição do ano.
Estou a escrever este post apenas para lembrar como deve ficar configurado o mercado para os próximos anos. Imaginem o cinema, animações de TV, quadrinhos e produtos diversos tomados por Os Vingadores, Liga da Justiça (Warner), heróis e agora Star Wars. O anúncio da compra aconteceu na terça passada, dois dias antes do anúncio Crunchyroll no Brasil.
Assim, vemos que cada vez mais a necessidade de união dos fãs de animação japonesa no Brasil. Não adianta se unir em torno de algo ilegal, de algo que não traz produtos, não traz atenção positiva... Pois, as "majors" são organizadas e elas estão agrupando e/ou engolindo - como um buraco negro da astronomia - tudo o que está em sua volta e valha a pena financeiramente. E elas, em sua organização, chamam para si a atenção de seus produtos. São estes produtos que veremos fortemente em mochilas, cadernos, lanches de lanchonetes, na TV, quadrinhos, DVDs, etc...
E, aqui também registro uma informação. Há um conceito usado na área da comunicação e cultura - surgido especialmente no cinema lá nos anos 30 - que algumas pessoas conhecem, mas têm uma ideia equivocada do que seja: majors. "Majors" são as empresas mega gigantescas que dominam justamente a cultura e comunicação de massas. Vejam: dominam em todas as esferas: desde a produção até a distribuição. Li no Facebook um comentário de que a Saban seria uma "major". Não é. O ato da dominação de uma "major" chega, inclusive, na esfera política. Ou seja, não se compara empresas menores como uma Crunchyroll com nenhuma major. Os efeitos de "dominação" chegam em leis de copyright, em jabás, entre outras imposições...
A coisa começou no cinema e se expandiu para a TV, editorial, parques, maquinários, etc. Por isso, há somente seis "majors" no mundo, aquelas empresas que dominam cerca de 70% dos mercados, de uma forma ou outra.
Se você pensar em comunicação e cultura, muito provavelmente encontrará alguma empresa pertencente a uma "major", ou que precise desesperadamente dos produtos delas para sobreviver (vide Netflix), ou que tenham que pedir permissão para não sofrer sanções (vide Youtube) . E, no caso da Disney, fica um chute: no mundo físico acho que não falta ela comprar mais nada... Mas, Google, Amazon, Facebook estão aí... São elas:

EMPRESA (major/ matriz) - suas empresas menores e/ou subsidiárias

Time Warner (a maior) - Warner Bross (estúdio), Warner Music, revista Time, DC Comics, Cartoon Netwook, CNN, etc.
The Walt Disney Company - Walt Disney Pictures, canal ABC, canais Disney, ESPN, Marvel Studios, Lucas Films, parques, etc.
NBC Universal - Universal Studios, canal NBC, Telemundo, Hulu, parques, etc.
News Corporation - 20th Century Fox, The Sun, Fox News, National Geografic Channel, etc.
Viacom - Paramount Pictures, Nickelodeon, MTV USA, etc.
Sony Corporation - Sony/Columbia Pictures, Sony Music, eletrônicos, games (Playstation), etc.

E, não pensem vocês que as "majors" se odeiam. Elas são concorrentes, mas quando têm interesses em comum, todas se unem. E, na escolha por um produto, uma major consegue convencer outras empresas a adquirir suas licenças, já que as seis têm uma estrutura bem definida. No caso brasileiro, por exemplo, todas as seis estão presentes, o que já nos mostra a organização e poder de fogo financeiro. Se uma empresa que faça mochilas tiver que escolher uma marca, tende a escolher uma que pertença a uma "major".
Daí, fica a questão: dá para rebatê-las? Não. Mas, se tentarmos nos unir em algo em comum, legal e visível para nossas empresas, quem sabe não encontramos um espaço? Um espaço para vermos um anime nas mochilas, cadernos e afins... e não mais um Ben 10... Afinal, os memes do Facebook já viraram mochilas e cadernos. Por que um anime exibido legalmente na net não poderia encontrar seu espaço no mundo real? Pense nisso, otaku. Pense nisso.
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10 comentários:

Rafael Kaen disse...

Não sei porque estão criticando, precisa ser muito ingnorante mesmo pra reclamar de pagar R$9,99 pra ter acesso a várias animações!

Luis disse...

Sandra Monte, muita gente tá que nem barata tonta frente a tudo isso que está acontecendo. Eu estou assim, e percebo que você está também.
Esse conceito de "majors" é uma bobagem criada para tentar padronizar as coisas, a velha mania da humanidade de tentar catalogar padrões em tudo. Cultivar teorias de conspiração costuma ser saudável, deixa o mundo mais compreensível também, mas esaas coisas não são de acordo com que os catalogadores acham que é. Cada caso é um caso.
Sua tentativa de militância para se unirem ao sistema é bonita, eu vejo isso e não consigo deixar de pensar nas suas boas intenções enquanto comete tantos erros, mas pelo que eu já deixei entendido, você está errada ao se colocar como arauto da práxis do povo. O povo possui suas próprias preocupações, criadas durante anos de dificuldades e interesse em obter seu material de interesse. Alguns não entendem o que você quer dizer, outros entendem mas vêem de forma inequívoca que o que você propõe não é acessível a eles. O Crunchyroll só aceita cartão de crédito e PayPal, e isso limita a quantidade de pessoas que podem fornecer esse tipo de pagamento. Outros entendem totalmente o que você disse, e simplesmente resolvem não compactuar com suas idéias, afinal a internet sem lei é o que eles conhecem, é o que formou a vida deles, e devemos reconhecer que isso também formou a nós, culpados que somos de termos usufruído dos produtos ilegais liberados.
Esse é um tipo de polêmica que só o tempo irá resolver. Tudo isso é inevitável, discutir muitas vezes é chover no molhado, mas uma hora ou outra as coisas irão se conformar. Você não entende como tudo isso ocorre, e eu te digo para apenas olhar o mundo em volta, esse mundo online que se mostra claramente através das suas falsidades, das opiniões firmes e coerentes de pessoas que mudam de nick como mudam de roupa. Olhe para o turbilhão de informações descartáveis e veja como tudo isso é bem parecido com suas pertinentes observações sobre o mundo e as pessoas. Há um mundo grande aí fora, você pode se sentir segura no seu cluster de "formadora de opinião", mas a massa que se expressa no universo virtual não está falando de racionalidades. Ela está falando de necessidades e conveniências.

sandra monte disse...

Luis...
"Majors" é um termo criado para denotar ao que existe. Isso não é uma teoria conspiratória.

Todos os termos são criados para conceitar alguma coisa. Vide "globalização, modernidade", etc... Sempre se cria termos, conceitos e afins para dizer algo de alguma coisa.

Quanto a aceitar a sociedade em volta, eu aceito. Mas, imagino que tenho o direito de dizer o que acredito. Se as pessoas também vão embarcar no que acredito, isso é outra coisa.

Mas, escrever o que penso, isso eu ainda posso, não? Ninguém precisa aceitar.

Anônimo disse...

Adorei esse post! Realmente o único jeito de animes ganharem mais popularidade e principalmente aceitação, é serem vinculados a grandes empresas conhecidas.

Nekomimi disse...

Esse fenômeno que está acontecendo no mundo é conhecido desde os anos 1980 e 1990, como "fusão" empresarial. O mesmo que aconteceu com as empresas dos ramos automobilístico, eletro-eletrônicos, jornalismo (como as empresas do ramo adquiridas por Rupert Murdoch, por exemplo), brinquedos e até mesmo bebidas (no Brasil, um exemplo conhecido é a Ambev, formada pela fusão da Antarctica com uma empresa estrangeira do ramo, e recentemente a fusão da brasileira Schincariol com a japonesa Kirin).
Tudo isso faz parte de outro fenõmeno conhecido internacionalmente como "globalização".
No entanto, nem tudo são flores, tanto na fusão empresarial como na globalização.
Muitos consumidores, políticos e pequenos e médios empresários vêem com preocupação e desconfiança essas fusões empresariais (incluindo aí as chamadas "majors"), pois para eles, isso pode reduzir a diversidade de produtos, muitos dos quais os consumidores das camadas populares ão só estavam acostumados a consumir como criaram vínculos afetivos (há aqueles consumidores que, mesmo tendo à disposição produtos de marcas novas, sempre preferem comprar este ou aquele produto que eles estavam desde tempos a consumir, por questões de hábito, por terem criado laços de confiança com esta ou aquela marca de produto. Exemplos são os chocolates Lacta, Nestlé, Garoto e Pan, apesar de haver outras marcas no mercado, inclusive importadas, inclusive suíças, belgas, alemãs, francesas e até mesmo japonesas), além de quase sempre resultarem em fechamento de fábricas, desemprego e práticas comerciais desleais (como monopólio e oligopólio).
As majors se enquadram como uma forma de oligopólio, algo que é proibido em países como o Brasil, assim como o monopólio, por ser uma forma de concorrência desleal.
A globalização, por sua vez, está gerando movimentos de resistência no mundo inteiro. Movimentos antiglobalização são encontrados em muitos países, não só no basil, mas também em países do Primeiro Mundo, como a Europa.
Falando em antiglobalização (como é conhecido essa reação das pessoas no mundo inteiro), o diretor de animação Hayao Miyazaki, mundialmente conhecido pelos seus longas de animação de alta qualidade, é também um dos opositores da globalização (talvez por ser ele um socialista). se até ele é contra a globalização (e provavelmente, contra as fusões empresariais, também), dá para imaginar o tamanho da oposição que as majors encontrarão pela frente.

Nekomimi disse...

Aproveitando, eu queria retomar aqui aquela questão dos otakus brasileiros, abordada num artigo sobre o livro Otaku - Os filhos do Virtual:
http://www.papodebudega.com/2012/09/otaku-voce-se-considera-um-oh-coitado_21.html
No artigo, você disse que os otakus brasileiros desprezam a cultura brasileira e que idolatram tudo o que vêm do Japão, criando dessa forma uma falsa imagem acerca do Japão.
Na verdade, isso acontece em outros países, também, não só no Brasil. Até nos EUA existem esse tipo de fãs hardcore que pensam da mesma forma.
Existe até um termo para designar esses fãs ao extremo: "weeaboo". Não sei se você já ouviu essa palavra, Sandra, mas é assim que eles são chamados. Para saber mais sobre isso (e sobre a origem do termo), o artigo abaixo descreve perfeitamente o que são os otakus hardcore brasileiros:
http://genkidama.com.br/argama/2012/10/23/enciclopedia-argama-01-weeaboo/
Creio que o termo "weeaboo" se aplica perfeitamente a muitos otakus brasileiros, em especial os descritos em seus artigos.

sandra monte disse...

Sobre as majors Neko...
O termo em si não veio nos anos 80 / 90. Veio já dos anos 30 com as empresas cinematográficas.

O movimento, este sim, ocorreu forte nos anos 80 / 90. E, não foram fusões. Foram compras mesmo.

Particularmente, penso o contrário quanto ao futuro delas. Cada vez mais, as majors têm ganhado poder. Afinal, só elas têm grana para comprar uma empresa de comunicação, entretenimento e afins. E, como o oferecimento financeiro é muito grande, não há como recusar.

Todos têm seu preço...

Eu diria que o que ocorre com as majors é "cartel". Todas são concorrentes, mas têm interesses em comum. Isso é ruim? Com certeza!

Mas, se não pode vencê-las, junte-se a elas, ou tente comer pelas bordas.

Quanto à globalização... Este é um termo muito comum hoje em dia. Entretanto, globalização é um troço que sempre existiu desdes os tempos das grandes navegações.

A difenreça é que hoje, a coisa beira a especulação em um mundo virtual e com velocidade ultra rápida. Quão, naquela época, era tudo no mundo real e de forma mais lenta... Mas, já existia.



Nekomimi disse...

"Majors" ou "cartéis", não importa o termo, representam uma forma de oligopólio.
Quanto ao poder delas sobre os políticos, ele não é ilimitado.
basta lembrar o que aconteceu com os projetos de lei antipirataria, chamados SOPA e PIPA. Como eles iam contra o interesse da maioria do povo americano, esses projetos geraram reações negativas tanto online quanto offline, que acabaram sendo engavetados. Isso mostra que o povo (pelo menos dos EUA) ainda tem poder e que se um projeto de lei que vá contra os interesses do povo seja votado, o povo irá reagir contra, pressionando os políticos. E foi o que aconteceu lá.
Mesmo num país capitalista como os EUA, as empresas de lá não podem passar por cima dos interesses da população.
Mesmo aqui no Brasil, o povo reage se algo assim for à votação. Como foi o caso do projeto de lei conhecido como "Lei Azeredo", que tinha um monte de artigos que iam contra os interesses do povo, inclusive dos internautas brasileiros. Tanto é que ele foi reduzido a apenas cinco artigos, todos tratando somente da questão da invasão de computadores e roubo de dados.
Espero que votem logo esse Marco Digital da internet brasileira, para que se resolvam essas questões, apesar da demora.

Naty disse...

Olá!!

O seu post realmente me fez refletir sobre a atual situação da animação japonesa, os animes, no país.

Reclamam que não tem nada de anime nas lojas, como você mesma disse, de mochilas, cadernos e afins, mais acham ruim ter que pagar R$9,99 por mês para que uma indústria como o Crunchyroll possa crescer. Porém, dão credibilidade as coisas ilegais da internet, que além de possuírem erros de português grotesco, alguns são até pagos.

ze disse...

Pior foi ter ouvido esses dias pessoas relativamente influentes no "meio otaku", (especialmente entre os "otakus" de 14 anos que publicam besteiras no facebook que a Sandra tanto gosta) comentando sobre o Crunchyroll, se perguntando se valeria a pena assinar e levantando hipóteses tipo "rachar" uma conta entre "os membros da equipe"... Sério, é o tipo de coisa tolerável entre os piás de 13 anos com pouca mesada, mas de barbados de mais de 20 anos me fez pensar se realmente as noções erradas quanto a essa indústria no Brasil e tantos outros pensamentos equivocados em relação a outras culturas de entretenimento são realmente coisa da idade como eu disse em comentários de alguns posts anteriores aqui do Papo de Budega...