Desejo: Boas Festas...

domingo, 14 de outubro de 2012

Currais humanos ou campos de concentração no Brasil, não ignore a memória de seus avós...

Navegantes,
Talvez este seja o assunto mais sério que mencionei neste site. Em 2010, fiz este post falando de campos de concentração no sertão brasileiro. O site Holydrink fez um texto mais elaborado sobre o tema. E, acho que é extremamente importante para o assunto nascer. Sim... nascer, pois não pode morrer já que a maioria não conhece o fato. Ao longo destes anos, todos os governos brasileiros em diversas escalas esconderam este o ocorrido no sertão cearense.
É um tanto doído para mim, já que é meu estado. Mas, é necessário falar para que a História do Brasil fique mais clara... No sertão cearense, os governos federal, estadual e municipal (de alguns municípios diversos) levavam as pessoas para um campo, isso por volta de 1932... em uma das piores secas no nordeste. Eram jogadas ali sem água, sem comida, todas juntas no calor infernal do sertão. Elas chamavam isso de currais. Sim, eram currais humanos ou hoje, com nossa compreensão, campos de concentração brasileiros.
Estou mencionando novamente este fato, pois hoje posso dizer algo que minha mãe já falara há algum tempo e ficou esquecido em minha memória. Meu avô - quando vivo - falava destes lugares. Ele dizia para os filhos (minha mãe e tios) que era necessáro viver em fuga. Fugir dos cangaceiros... e fugir do governo, que levava as pessoas pobres para estes "currais". Lá, não tinha nada - nem água, nem comida, só o calor infernal e tratados como bichos - e quem tentasse fugir era sumariamente morto. Ou seja, os sertanejos não tinha escapatória...
É com muita tristeza que digo isso. Graças a Deus meu avô conseguiu escapar tanto do cangaço, quando dos "currais", sobreviveu a base de "calango", sobreviveu a pobreza e viveu por muitos anos. Viveu e contou estas histórias aos filhos e chegou em mim... sua neta. O que quero dizer é: se você tem um avô ou avó que conta estas histórias, não ignore. Isso foi verdade. Uma verdade horrorosa de nossa História. Mas, que precisa ser lembrada para nunca mais ser repetida.
Seu avô ou avó velhinho/a não é louco, não é maluco, e não está contando um "causo". Está lembrando de um fato que provavelmente viveu ou viu viverem. Ou morrerem. O início do século XX trouxe-nos uma grande seca no sertão nordestino que expulsava-os. Conheci brevemente o calor da região.
E, acreditem, ele expulsa mesmo as pessoas dali. Só que muita gente não conseguiu sair. Porque não deixaram. Nõ foi só na Alemanha nazista que houve campos de concentração. E o motivo daqui foi tão absurdo quanto o de lá, mas foi outro: os sertanejos foram condenados por serem pobres... Foram condenados em currais humanos e tratados como bichos. Sem direito a nada, somente a morrer...
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6 comentários:

L.Karina disse...

É uma história que realmente não deve ser esquecida.Isso é mencionado,se não me engano, no livro ''O Quinze'' de Raquel de Queiroz. Mas pelo menos eu não me lembro de ter aulas sobre isso na escola.

Nekomimi disse...

Para que essa história não seja esquecida, é necessário que ela seja veiculada pela mídia internacional, em inglês, espanhol, francês, etc.
Quem sabe? Pode ser que algum cineasta internacional se interesse em transformar essa história em um filme para passar nas telas dos cinemas do mundo inteiro, assim como os filmes sobre o Holocausto. De repente, pode ser que até o Spielberg se interesse em produzir um filme sobre essa história.
E como você é jornalista, poderia divulgar essa história à comunidade internacional, para que o mundo possa saber o que se passou no Brasil daquela época. Fica a sugestão.

sandra monte disse...

Então Neko...

Eu como jornalista, gotaria de te dizer que não tenho um inglês tão bom assim para fazer uma divulgação internacional.

Assim, ou tiro grana do bolso para mandar fazer uma tradução (o que sai beeeemmmmm caro), ou tenho ajuda dos leitores.

Você topa?

Lembem-se, uma coisa é SER jornalista, outra coisa é ter grana para fazer certas coisas... E eu não recebo NADA para fazer este blog.

Toma cuidado com este pensamento do "jornalista pode tudo". Sem grana, ninguém pode nada.

Nekomimi disse...

Nesse caso, Sandra, você poderia pedir para que algum colega de profissão ou outra pessoa que seja fluente em inglês (ou em outros idiomas mais falados no mundo) faça a tradução da história.
Se bem que eu imaginava que você, como jornalista, talvez soubesse outros idiomas além do português. Afinal de contas, você chegou a ir até Madri, na Espanha, não é mesmo? Nesse caso, talvez você domine um pouco o espanhol, pelo menos (a não ser que tenha tido a ajuda de um intérprete, é claro).
Enfim, eu imaginava que o domínio de outros idiomas, como o inglês ou o espanhol, fosse parte do currículo necessário para ser um jornalista, mas pelo visto acho que me enganei.
De qualquer forma, o importante é divulgar a história, mesmo que com a ajuda de outras pessoas que sejam fluentes em outros idiomas (infelizmente, eu não me incluo entre elas. Sou mais usuário do Google Translator do que fluente em outros idiomas, para ser sincero).

sandra monte disse...

Não, não precisei de intérprete.

Quanto a divulgar fora... O ideal seria que quem lesse, divulgasse aqui mesmo. Você pode pegar a informação e colocar onde puder.

E quando fala de topar, eu disse de uma ajuda financeira. Você ajuda a pagar um tradutor?

Old_Nash disse...

Se esquecermos do que fizeram antes.
Podemos fatalmente repetir os pecados passados.