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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

OTAKU: você se considera um? Oh coitado...

Navegantes!!! Dias atrás, a Michele Rommel fez um post no Nós Geek: Otaku x Alienação – Quando o hobby ultrapassa limites e se torna algo nocivo. Foi um post curioso: bem pessoal, mas bem elucidativo. E totalmente correto.
Quem participou da "segunda geração" de "otakus" no Brasil como eu e possivelmente ela, tem sentido cada vez mais vergonha "alheia" dos jovens otakus atuais. Sou de uma época que otaku tinha uma conotação diferenciada de um "nerd" normal. Hoje, o otaku brasileiro tem se aproximado demais do otaku japonês. Ou seja, uma criatura que só pensa no universozinho dele.
São aqueles tipos que veem mangá, anime e games e tudo que tenha uma relação com uma personagem qualquer "gostozinha ou fofinha", que critica tudo o que não for jpop ou jrock. Leio umas "pérolas" no Facebook que dão medo. São comentários desprezando nossa cultura em sua totalidade: nossos autores literários, nossos desenhos, nossas novelas, nossos cantores. Ou seja, tudo.
Pergunto: o que esta gente tem na cabeça? Sinceramente, não sei. Li outro dia nos comentários daqui do site e, para variar, lá no Facebook o termo "elite otaku". Elite, segundo o Houaiss, tem diversos significados. Dentre eles:

- o que há de mais valorizado e de melhor qualidade, especialmente em um grupo social;
- MINORIA QUE DETÉM O PRESTÍGIO E DOMÍNIO SOBRE O GRUPO SOCIAL;
- (...);
- MINORIA DOMINANTE;
- o que há de melhor;
- escolher, eleger

Daí pergunto: em que esta gente se considera "elite"? Privilegiado em quê? E pior: dominante ou ter prestígio para quem? Nem mesmo no meio, vide empresas do setor, otaku tem algum respeito. Não há animes na TV, logo não têm privilégios. A maioria dos mangás tem distribuição setorizada, logo os otakus não têm privilégios em bancas. Quase não há mais lojas especializadas em mangás e animes, diferente de comics. Ou seja, eu sinceramente gostaria de saber de onde saiu este termo, porque de uma "elite tradicional", otaku não tem nada.
Até mesmo entre os "nerds", podemos dizer que trekkers, fãs de Star Wars, heróis, etc, são elite. Porque há muito mais produtos em lojas especializadas (ou não especializadas) para estes consumidores. E por quê? Porque os citados acima não dependem de dinheiro de "papai ou mamãe". A verdade é que são poucos os otakus que têm "grana própria". Ou seja, nem "elite" dentro de casa este povo é.
Difícil entender estes jovens. Na minha época, não desprezávamos nossa cultura. Gostávamos de Armação Ilimitada, víamos novelas como Vamp... Víamos nos animes um novo estilo. Algo para juntar quem gostava da mesma coisa. Mas, não queríamos nos isolar, mas sermos respeitados.
Hoje, com tanta besteira que esta molecada tem dito - que nem é "revolta", mas infantilidade mesmo - eu e muitas pessoas de minha idade temos vergonha do termo "otaku". Crescemos? Sim. Trabalhamos? Sim. Temos grana para comprar produtos importados? Sim. Mas, nem por isso consideramo-nos "elite". Porque "elite" é outra coisa...
Eu gostaria que, se possível, meus leitores "retwittassem", colocassem no Facebook, comentassem para estes mais novos. Isso é sério. É muito sério. Nossa cultura não é para ser desprezada. Nossas novelas, nossa música, nossos filmes, nossos desenhos, nossa literatura, nossos quadrinhos. Nem mesmo nossas "porcarias" culturais...
Esta galera fala tanto do Japão, fala tanto de seus animes. Vejam se algum japonês despreza sua própria cultura. Não desprezam. E estão certos. Eles não se desprezam. Muito pelo contrário. É um povo que se dá respeito. O único grande elemento da cultura pop que, aparentemente, eles desprezam são justamente os otakus deles. Porque otakus é isolado, é um doente que não consegue minimamente ter uma vida em sociedade. É delírio meu? Não. Se você se considera um otaku, por gentileza, leia o livro Otaku - Os Filhos do Virtual de Étienne Barral. Quem sabe assim, você não muda um pouco de ideia quanto a ser um otaku...
Existem problemas sérios em nosso país? Existem. Mas, ao invés de "endeusar" outro país, tentemos melhorar o nosso. Não adianta reclamar de político, mas não devolver "troco a mais". Jogar lixo na rua, furar fila... A mudança começa de nós. Nossa cultura é riquíssima. Se não conhecem, é porque não querem conhecer. Não querem se abrir, ou seja, querem mesmo, ser "otakus", ser isolados, ser infantis a vida toda.
Endeusam tanto uma cultura que também tem influências externas. Ou, será o que "j-rock" é puro? Afinal, é "rock", né? Onde nasceu o rock? Onde nasceu o jeans? Inclusive eles sofreram uma forte influência de outras culturais. Então, não vamos desprezar nenhuma cultura. De nenhuma lugar. O mundo é globalização há séculos. As influências são diversas. Em todos os lugares. Mas, como eu disse acima - já estou a ser repetitiva - não vamos ignorar, especialmente, a nós mesmos.
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31 comentários:

Luiz Fernando disse...

"no meu tempo", "na minha época", "essa molecada de hoje em dia"

Não caia na armadilha do saudosismo.

Até entendo a revolta de perceber que o otaku é um bicho isolado que parece não ter lá muito respeito pela própria cultura, mas isso é algo comum da idade, a necessidade de ser elite de alguma coisa, de fazer parte de um grupo, de rejeitar o que comum a todos pra se afirmar.

Se puxar bem pela memória, vai ver que o adolescente de 15 ou 20 anos atrás não era tão diferente assim, só não tinha tanto material à disposição pra se fechar em um único nicho.

E outra, se for analisar bem o que se passa na nossa política, o que é veiculado nas tvs, o que passa nas nossas novelas e o material genuinamente nacional que o nosso mercado editorial lança, não chega a ser uma surpresa que o adolescente vire as costas pra própria cultura.

Luiz Fernando disse...

Enfim... complementando o que não saiu no outro comentário.

Otaku é um bicho esquisito, fechado no seu mundinho, mas isso é uma fase que mais tempo ou menos tempo, passa.


De qualquer forma, te parabenizo pelo texto e pela coragem de publica-lo. Coragem porque, posso até estar errado (espero que esteja), acho que virá uma chuva de comentários irados por aí. rs

Abraços

Vinicius disse...

Boa Noite!

Matéria hiper interessante sobre cultura! Gostei muito! Eu digo que sou um fã de animação e mangás desde aproximadamente os 10/12 anos de idade, hoje tenho 23, mas não é por ser fã que abandono livros, músicas norte-americanas e brasileiras e coisas do tipo. Não gosto de novela,claro é questão de gosto, porém respeito quem gosta, e acho que se existem pessoas que gostam é uma atração. Concordo que ser otaku não é ser elite de nada, e talvez a culpa por muitas vezes falta de mercado para otakus aqui no Brasil seja justamente esse "isolamento". Esse pessoal que chegou ontem (idade entre 12 até 18 anos) precisa aprender muito, claro, os que não sabem como é ter a sua diversão sem preconceito contra os demais. Curto muito meus animes e meus mangás, mas sei admirar a cultura de meu país também, e amo meu país e minhas origens. Gostei do post, ótima matéria. E animes e mangás são um passatempo, uma diversão, e não uma alienação. Abraços e boa sorte o/

João Paulo disse...

Eu sinceramente sinto pena desta gente.Se acham tão mente aberta q são mais fechados e isolados do q a maioria.Há poucos dias li um tweet de um otaku q dizia: "vida social ? Prefiro animes.Literatura nacional ? Prefiro One Piece."Na hora não sabia se sentia raiva,desprezo ou pena,hoje,sinto pena.E fico triste pelo rumo q as coisas vem tomando.Parece q todo mundo se tornou idiota e parece q gostam de ser assim.Tudo é humor,memes e afins.Esses otakus são apenas a ponta do iceberg.Valeu Sandra,ótimo post.

William Régis Guevara Rodrigues disse...

Sandra, pior que esse egocentrismo de ver quem gosta da melhor coisa e se acha superior por causa disso não se limita apenas aos animes (apesar que aqui o negócio é mais sério).

Se você for em sites que postam noticias de tecnologia (techtudo, olhar digital, tecmundo, etc) em qualquer notícia de Apple, Google, Windows e Linux, lá vão estar os defensores de sua marca favorita e ofendendo fervorosamente quem prefere a outra marca.

O mesmo acontece com times de futebol (que deixou de ser uma briga amistosa a muito tempo), marca de carro, jogos, consoles, etc. Tudo praticamente está virando uma disputa para ver quem consegue converter mais pessoas para seu produto favorito e diminuir quem é contra a sua opinião.

E eu percebo que todos tem algo em comum: ninguém respeita o país. Seja a cultura, a industria ou até mesmo o esporte. Tanto que o futebol é apenas dos times nacionais, mas ninguém gosta mais da seleção do país.

Se uma empresa brasileira vai tentar criar algo para o mundo da tecnologia, logo todos falam que vai ser uma m*rd@ antes de testar o produto.

Cada vez que a Globo começa uma novela nova já aparece o grupinho falando: seria muito melhor ter um anime ou seriado americano no lugar deste lixo que repete sempre a mesma fórmula. Como se os filmes, seriados e outras coisas de fora não ficassem repetindo incansavelmente a fórmula de suas histórias.

Bem, acho que fugi um pouco do assunto que você quis tratar Sandrinha, mas eu quis tentar dizer com tudo isso que esse endeusamento com o que vem de fora e o desrespeito com o que é feito aqui dentro, não é exclusividade dos Otakus não.

Um abraço.

Michele Rommel disse...

Sandra, meu Deus, eu gostaria de aplaudir esse seu post de pé porque sério, foi incrível. Você disse muito mais do que eu, muito do que ainda estava engasgado! Primeiramente muito obrigada por me citar e realmente fico mega lisonjeada de te inspirar a fazer mais esse post incrível! E nossa, você falou tão bem em absolutamente TODOS os aspectos! Eu gostaria que cinco segundos, todos os que se dizem otakus, inclusive amigos meus, lessem esse seu post.
Pois é, eu vim também nessa segunda geração e me sinto tão agredida com todos esses pontos que você ressaltou. Aliás, ótimo você explicar bem o que significa elite e o quão otakus estão longe disso!
Creio que os animes não ensinaram nada a eles, que dizem ter seu caráter formado pelos mesmos, pois neles vejo que os personagens sempre respeitam a pátria - e quantas vezes não vemos passagens históricas sendo recontadas pelos japoneses com orgulho sejam em suas guerras, revoluções, etc? Quanto aqui todos preferem viver na utopia do: porquê não tivemos o Xogunato esquecendo de grandes heróis da história, desprezando-os por completo.
Você citou Vamp e é mesmo, nós gostávamos muito que essa cultura pop que vinha no começo dos anos 90 se espalhasse! Era a busca de pessoas com seu gosto semelhante, não essa disputa, essa busca incessante por se isolar em busca de um falso elitismo!
Vou procurar esse livro que recomendou, parece bem interessante! Acabo que ganhei gosto por estudar o comportamento desses 'otakus-brasileiros'.
Sandra, como sempre, mais um post nota MIL!
Adorei!
Compartilharei muito nessa nossa empreitada de tentar ao menos conscientizar os que ainda tem salvação nessa alienação toda chamada "ser otaku" que é bastante diferente de gostar de animes/mangas e cultura japonesa.
Beijão!

Roberto Struan disse...

Gostei tanto do artigo que vou fazer um em cima dele postando-o no NÓS GEEKS. Adorei tua analise e gostei demais do teu posicionamento.

Unknown disse...

Me considero otaku simplesmente porque isso irrita quase todos os fãs de anime que se acham superiores aos "novos" otakus. Acho isso meio tosco, ficar dividindo o pessoal que gosta de animes em panelinhas. Dessas panelinhas, a que se acha mais superior é que acha os otakus atuais uma coisa inferior.

O que esse pessoal esquece é que antigamente eles eram os que ficavam gritando coisas japonesas em eventos de anime, falando bem do japão e agindo como weeaboos em geral.

Sei lá, acho desnecessário essa de ficar se separando e evitando rótulos, isso sim é elitista... mas isso se deve mais ao título, o post em si foi bom e concordo que eles precisam valorizar nossa cultura. Só não é bom esquecer o que o Luiz Fernando falou: na "nossa época" também era assim.

sandra monte disse...

A questão é:
"Na nossa época", não desprezávamos nossa cultura como estes novos têm feito.

Nem a nossa cultura, nem a americana... Será coisa da idade mesmo? Porque vejo muito jovem curtindo tudo, sem desmerecer outras coisas.

Esta "ação" preconceituosa, vejo mais em otakus, que "demonizam" tudo o que não for anime e mangá...

Diogo Aires (Dood) disse...

Sandra, pior que esse egocentrismo de ver quem gosta da melhor coisa e se acha superior por causa disso não se limita apenas aos animes (apesar que aqui o negócio é mais sério).

Sandra, essa observação do William é pertinente: existem outros grupos como os Gamers que cometem também esses excessos e engraçado que criticam otakus também (claro que com razão), mas sofrem do mesmo mal. Quando vi este artigo não só pensei em o que ocorre no universo Otaku. Outros grupo sofrem do mesmo mal. Falta reflexão das pessoas quando o seu Hobby torna-se nocivo e alienante para sua vida.

chrisgalford disse...

Eu me enquadro no grupo das "viuvas da manchete".

Acompanho com pesar, essa nova leva de otakus, e posso dizer que, Sandra, desculpe a expressão, esse povo tem cicatriz no Cerebelo.

O que vem causando mais irritação nas pessoas fora do nicho - e até entre os próprios otakus, é exatamente a maldita ladainha que se repete incessantemente:

"Anime não é desenho porque desenho é infantil e anime é adulto e complexo"

"Quem não gosta de anime merece ter o nome escrito no death note"

"Anime na tv aberta? Aff vai ficar cheio de poser, deixa eu pegar meu death note"

"O japão é perfeito e o brasil é uma bosta"

Nunca vi um gamer dizendo, por exemplo, que vai "enfiar uma hidden blade na garganta do fdp" que disse que o superman era melhor que o ezio, por Exemplo.

Enquanto que entre os otakus do facebook, dizer anime=desenho te garante ban e eles fazem de tudo pra sua conta ser bloqueada.

Monique Novaes disse...

Simplesmente a evolução do discurso da síndrome do cão vira-lata recorrente no Brasil, e que não tem nada de novo, agora aliado com nerdices... ops, otakices.

ze disse...

Acho isso problemático mesmo. Mas concordo com quem comentou que acha isso "coisa da idade". Ao menos era assim uns anos atrás, vejam: Tenho 23 anos, quase nunca em minha vida eu me rotulei como parte de uma "tribo". Sempre gostei muito de produções japonesas, desde as minhas mais remotas lembranças de tv, que remetem aos tokusatsus da manchete. Depois de uns anos, com CdZ e animes que vieram junto, este tipo de animação passou a ser meu favorito, mesmo sem saber que eram todos japoneses. E assim eu vivi (consumindo produções de outras origens também) mais uns bons anos, até que com a "febre" DBZ, lá pelos meus 12 anos passei a comprar revistas, procurar informações na internet e ganhar mais conciência dos animes e mangás, que logo comecei a comprar. Aí entrei numa fase na qual passei a estar parecido com estes "otakus da nova geração". Entre os meus 13 e, sei lá, 17 anos, passei a meio que menospresar quadrinhos ocidentais (antes eu lia Homem-Aranha, Asterix, entre outros), desenhos americanos (quando criança adorava Tartarugas Ninja, Thundercats, etc) e tinha preconceito mesmo dentro dos mangás: "Esse One Piece não é mangá, olha esses desenhos. Não é mangá". Acho que a única obra que vencia essa barreira na época era Harry Potter. E veja, eu nem sabia da existência dos otakus ou eventos aqui em Porto Alegre. Tinha alguns amigos que curtiam pontualmente algumas obras, mas eu fui por quase todo esse período o único fã da cultura pop japonesa que conhecia. Se tivesse Facebook ou Twitter na época, certamente postaria coisas idiotas como as que se vê por aí hoje... Depois conheci outro "otaku", que se tornou um dos meus melhores amigos, fui com ele em eventos ("NOOOOSSA, QUE F******DAAAAA, EXISTEM MAIS COMO EU, CENTENAS, NÃO, MILHARES DELES! *-*"). Mas depois foi passando. Na verdade nunca foi tão extremo assim. Era mais discurso externo (apesar de ser só pra mim mesmo), pois ainda assistia desenhos tipo Super Choque da vida amarradão, só que dizendo que só anime presta... E com o passar do tempo, amadurecimento meu e também dos amigos, que apresentavam outras culturas pop interessantes, esse comportamento foi morrendo. Hoje, se me perguntarem, digo que sou nerd. Otaku? Não sei bem... Ainda tenho uma certa predileção pelas obras japonesas, mas sou muito eclético, vejo séries americanas, japonesas e britânicas, leio quadrinhos ocidentais, filmes predominantemente americanos, livros de vários lugares... Aliás, entre as "Obras da minha vida" tem tantas ocidentais quanto japonesas, por exemplo...

Acho que muito da culpa desse tipo de comportamento dos otakus da nova geração vem da educação do nosso país... O incentivo à cultura é pequeno, quando calha de alguém descobrir algum tipo de cultura que lhe agrada (na adolecência, pelo menos), acaba se agarrando como se não houvesse amanhã e passa a ignorar muito do que se passa ao redor, aí por culpa da idade, da necessidade de afirmação e caracterização como uma pessoa de X tipo...
Só pra ficar claro que nunca me achei superior, elite... Eventualmente me pego pensando que sou uma pessoa de nível cultural diferenciado, considerando minha idade e as pessoas ao redor. E fico decepcionado com isso porque nem me acho tão culto assim... Problemas de educação de novo...

Ótimo post de novo Sandra. Abraço!

Lionel Ritchie disse...

na verdade essa história de se é do japão é bom e se não automaticamente é ruim já é bem antiga e existia na época sim.

Nekomimi disse...

Olá, Sandra.
Eu li o seu artigo acima e há algumas coisas que você poderia ter posto ou que deixou de citar.
Por exemplo, no caso do otaku japonês: em primeiro lugar, no Japão a palavra "otaku" não se limita ao universo dos mangás, animes e games: na verdade, essa palavra têm um significado mais amplo e ao mesmo tempo mais restrito.
Lá, o termo "otaku" têm o mesmo significado que o termo ocidental "maníaco": trata-se de pessoas que são tão obcecadas por seus hobbies e passatempos que excluem aqueles que não compartilham dos mesmos gostos e preferências.
E não existem só otakus de mangás, animes e games: há também otakus de ficção científica (livros, filmes, etc.), terror (filmes, vídeos, etc.), militaria (réplicas de armas de fogo, armas brancas, uniformes militares, etc.), tecnologia (que nem os geeks, só que ao extremo), sobrenatural (ou, como eles dizem, okaruto, do ingles ocult, referente à lendas, histórias e casos envolvendo fantasmas e seres do outro mundo), música (seja pop/j-pop, rock/j-rock, etc.), histórias policiais ou de detetives (existem aqueles que são vidrados demais nesse tipo de gênero), pornôs (há aqueles que chegam a manter grandes coleções de vídeos/DVDs e BDs de filmes pornôs produzidos e vendidos clandestinamente no Japão) e outros tantos que não dá para citar todos aqui.
Já quanto aos otakus brasileiros terem se aproximado demais do otaku japonês, há uma diferença: enquanto que no Brasil os ditos "otakus" dependem do dinheiro dos pais para bancar o consumo de mangás, animes, etc. (se bem que há aqueles que esperam que esta ou aquela editora publique no Brasil o seu mangá favorito, mas quandoi isso acontece, comprar quie é bom, nada.), no caso do otaku japonês, eles têm poder aquisitivo, e é por isso que têm tantos produtos voltados para eles, apesar de serem considerados "nicho".
No caso dos otakus japoneses de animes, mangás e games, principalmente o chamado otaku de Akihabara), são eles que sustentam a indústria do entretenimento que fornece aquilo que eles querem, já que, devido à prolongada crise econômica que começou na década de 90, o público "mainstream" reduziu consideravelmente o seu consumo de mangás e animes, sem falar dos problemas causados pelo envelhecimento da população japonesa e pela queda da natalidade (esta, atribuída á crise econômica e ao aumento do desemprego gerado pela crise).
Além disso, outra diferença entre os otakus japoneses e os daqui é que enquanto os otakus de lá são fãs ardorosos de "moe", "yaoi", "ecchi", etc., os otakus brasileiros são fissurados por One Piece, Bleach, Naruto, etc.(animes que lá são voltados para o público "mainstream"). Há também alguns moezeiros aqui no Brasil também (não tanto quanto lá, é claro), mas a maioria dos daqui, pelo que eu tenho lido na internet brasileira, se interessa mais por porrada, sangue, violência, gore, etc.
Sobre aqueles que criticam tudo o que não for j-pop ou j-rock, não é diferente do que se vê entre outros grupos (metaleiros, punks, skinheads, fãs de "boys bands" americanas e brasileiras, etc.).
Entre os "gamers", há também aqueles que são tão fissurados em seu hobby quanto os otakus, mesmo que os games que eles tanto apreciam sejam americanos (GTA, World of Warcraft, etc.).
Semanas atrás, li num artigo traduzido do New York Times (e que foi publicado numa edição semanal da Folha de São Paulo) sobre a discriminação, o preconceito, o assédio moral e sexual e até as ameaças que as "gamers" americanas sofrem online. E como a indústria dos games dos EUA têm reagido a isso.
Coisas assim também acontecem com as fãs americanas de comics, seja nas comic stores dos EUA, seja nos eventos de fãs de quadrinhos como a ComicOn. Nesses lugares, elas sofrem discriminação e preconceito por parte dos fãs do sexo masculino.

Nekomimi disse...

Continuação:
O problema é que o Brasil é um país formado por muitas etnias e nacionalidades, mas por muito tempo deixou que a cultura americana dominasse o cenário cultural brasileiro. Até mesmo a dita "cultura brasileira" não escapou dessa dominação cultural.
Nos anos 1970 e 1980, por exemplo, as produções culturais americanas, sejam quadrinhos, animações, filmes, músicas, livros, games, modismos, etc. predominavam no Brasil, e quem se opunha a essa cultura importada e defendia a cultura nacional era tachado de "xenófobo", "atrasado" e até mesmo de "comunista"(nos tempos da ditadura militar). Quem não se lembra, por exemplo, que na década de 1980, quando foi proposta a idéia de "reserva de mercado" para o setor de TV, cinema e vídeo, aqueles que defendiam a tal reserva eram chamados de "xenófobos"?
É claro que a solução não é banir do país as produções culturais que não sejam brasileiras, mas sim promover uma discussão a nível nacional sobre a nossa identidade cultural e como podemos valorizar a cultura nacional sem desvalorizar a cultura de outros povos. Enfim, precisamos discutir a nossa relação com a cultura, seja nacional ou estrangeira, e como podemos conviver harmoniosamente e de forma equilibrada com elas, sem radicalismos e alienações.

Nekomimi disse...

Conclusão:
Para os que quiserem saber mais sobre a cultura otaku, recomendo um artigo que eu li há tempos atrás, sobre o movimento "superflat", que foi postado no blog Maximum Cosmo. Vale a pena.

Nekomimi disse...

Por um descuido, esqueci de colocar uma parte do texto, por causa do problema do espaço. Ele deveria ter sido colocado no começo do segundo comentário. Eis o texto em questão:
No caso do Brasil, os otakus desprezam a cultura americana por considerarem que essa cultura foi, até os anos 90, um obsatáculo para a popularização dos animes e mangás no Brasil. Infelizmente, é essa idéia que prevalece entre eles.

Nekomimi disse...

Talvez a melhor coisa que os fãs/otakus/nerds/geeks/punks/metaleiros/skinheads/headbangers/patricinhas/noveleiros(as)/torcedores de futebol e outros esportes/etc. deveriam fazer é "gostar muito disto ou daquilo, mas nada tanto assim". Parece até com a letra de uma cera música, não me lembro agora de quem.

Nekomimi disse...

Esqueci-me de acrescentar um comentário:
"Cada povo tem o soma que merece".
No caso do Brasil, é a novela ou o futebol. Nocaso do japão, é o anime. no caso dos EUA, são os filmes e seriados.

Marcelo Oshiro disse...

Olá Sandra!

Faz um tempo que acompanho seu blog, mas demorei para ver esse artigo. Infelizmente é triste: tenho 32 anos, e peguei o "boom" dos cavaleiros do Zodíaco na adolescência. Naquela época, gostar de anime era motivo para ser alvo de bullying, porém hoje a situação degradou como mostrou seu ótimo texto. Já que falamos de mangá, é bom lembrar que Osamu tezuka fez obras tão boas justamente por absorver muitas e diferentes influências,desde mitologia grega, literatura alemã(ele era um apaixonado pelo Fausto de Goethe), além de nunca negar a cultura de seu país. Eu lembro que mesmo nos eventos eu tirava sarro lembrando coisas do Brasil( ex: quando via algo caro, usava o bordão do Caco do programa sai de baixo: tenho horror a pobre!)E , mesmo gostando de anime, sempre li e vi coisas do Brasil e outros países fora Japão. É triste notar como virou um fanatismo, e não um hobby... até começo a repensar se devo voltar aos eventos, pois o problema é mais sério do que um endeusamento, mas de uma doença em que a pessoa se isola.Até mais, Sandra!

Demitron disse...

Você fala em apreciar a cultura brasileira, mas não me mostra o que há de bom nela. Você sabe porque estes jovens não gostam da cultura brasileira? Porque ela não é atraente aos jovens! Jovens hoje em dia gostam de sonhar, de ver novos horizontes! Eles não querem ver a canalhice que vivem na realidade, não querem viver na sujeira que existe ao redor deles e que eles não têm poder algum pra limpar! São estes jovens fazem parte da subcultura otaku. Os jovens que não encontram seu lugar na sociedade por não servir ao que lhes é esperado. Me diga, o que há de atraente pra essas pessoas por aqui?

A Música? Certamente que a MPB foi um movimento bonito e sua inspiração cativou muitos países lá fora. Gosto do Jessé. Queria que tivéssemos mais cantores de espírito como ele. Mas qual é a cultura musical de hoje? Michel Teló! Camaro Amarelo! Sério que você prefere ouvir lixos assim ao invés de um lixo japonês qualquer?
Forrós volta e meia são bem humorados, mas muitos acabam caindo na mesma vulgaridade que me faz recusar chamar funk de cultura.

O que é mostrado em geral nas novelas? Mulheres devassas e homens safados, canalhice, criminalidade. Traição, assassinatos, a vilificação dos ricos e a santificação dos pobres. Propaganda feminista que sempre representa o homem como opressor e a mulher como o ser superior. Tudo em nome de "mostrar a realidade"! Hipocrisia do maior tamanho. Pior ainda quando entra o marketing e começam a fazer propagandas discaradamente no meio dos capítulos. E você quer que eu diga que gosto disso? Nem morto.
Volta e meia temos novelas mais bem humoradas como Vamp e O Beijo do Vampiro, mas são a excessão e não a regra. Mas pra ser sincero, não gosto muito de teatro mesmo.
A literatura brasileira depende muito de onde vai olhar. Acho NOJENTO tudo que vem dos modernistas como o Jorge Amado ou do Veríssimo. Novamente, o cinismo e a glorificação da sacanagem, e vários dos mesmos problemas que afetam as novelas.
A literatura juvenil é mais interessante. Gostei de muita coisa que li da série vaga-lume. Apresenta as histórias de forma sucinta e agradável de ler.

Não sou um adorador do jpop, jrock e todas as coisas do Japão. Sou um otaku, recluso e orgulhoso por não compactuar com uma cultura de glorificação ao marginal e ao bandido. Acredito que o nacionalismo japonês certas vezes chega a ser até doente, depois de viajar pelo 2ch por anos.
Estou consciente de que nem tudo são pérolas no mercado de mangás, animes e light novels, mas o mesmo pode ser dito pra todas as outras culturas. Apenas identifico-me com os valores passados por esta subcultura mais do que qualquer outra. Considero-me superior da mesma forma que alguém que não fica calado diante de um crime é superior a quem compactua com ele. Não quero compactuar com esse lixo cuspido por aqui.


PS: Não falo por todos os otakus, falo apenas por mim mesmo.

sandra monte disse...

Pois é...
Da mesma forma como temos problemas em nossa cultra, eles têm as deles.

Afinal, fazer animes que são verdadeiros "odes" a pedofilia é "muito normal... "

Quanto a outros "lixos"... Curioso que muitos lixos que aqui são desprezados, são copiados por lá... Tipo lambada e afins.

E não disse que nossa cultura são flores completamente. Mas, não é o horror que otaku costuma pintar. Dizer que autor de mangá é melhor que Machado de Assis... Pergunto-me se já leram alguma obra do autor nacional...

Enfim... São coisas que não são possíveis mudar. A brutalidade como muitas vezes nos enxergamos.

Demitron disse...

Pois é, nem tudo são pérolas. Pessoalmente eu gostaria que eles separassem mais as obras pornográficas das obras que são voltadas para o grande público. Não sou contra a pornografia, pelo contrário, acho que todos, homens ou mulheres, têm todo o direito de soltarem suas fantasias no papel e publicá-las. Por isso sou contra a censura de pensamento. O grande problema é que obras que deviam ser destinadas ao público adulto (leia pornografia), acabam parando na prateleira de shounens porque querem vender para um público maior.
Ninguém é 100% normal. Parafilias e fetiches existem pra tudo. Afinal, ninguém garante que um maluco que veja um filme violento não vá ficar inspirado e tente fazer o mesmo, mas isso é porque ele é maluco e não porque o filme influenciou ele a fazer isso. (Na minha opinião. Mas até onde sei, ainda não foi provada cientificamente nenhuma relação de causa e efeito quanto a isso.)
Apenas desejo que fiquem na zona de pornografia, onde pornografia pertence. Coisas mais subliminares como os casais "secretos" de CCS quem entende entende, e ri por detrás. Estava ainda no início do ensino médio quando ouvia meus colegas rirem desses detalhes. Ninguém virou gay,lésbica ou tentou transar com o professor no processo.

Sobre uma coisa ser melhor que outra, pois é, obras diferentes possuem um valor pessoal diferente pra cada um que lê. Eu por exemplo, tenho um carinho muito grande por Clannad e não trocaria esta obra mal-escrita por qualquer livro brasileiro, americano, africano, inglês, indiano, espanhol, ou seja lá de onde for. É uma história que me passa valores com os quais eu posso me identificar, acreditar e amar os personagens. Tão "bobinhos" e "unidimensionais" quanto eles sejam. (Tirando palavras das bocas dos críticos)
É aí que acontece a divergência cultural. A literatura em si certamente tem seu valor histórico e cultural, mas os valores que ela passa já não são algo que a gente que cresceu com todo um idealismo em mente consiga se identificar. É isso que separa um otaku mais antigo como eu da cultura nacional: este grande abismo de valores. Entre os mais jovens, é comum rejeitar coisas que não lhes são interessantes no processo de formação de identidade. Mais tarde você cresce, passa a ter contato com outros mundos e percebe que as coisas não são bem como você pensava que eram. Acredito que seja esse o caso que você mencionou. Mesmo porque, são mídias diferentes, escritas diferentes, épocas diferentes, tudo diferente. Como comparar laranja com abóbora porque a cor é parecida.

Nos enxergamos com brutalidade porque somos brutais. Que outro país tem gente tanta gente morrendo por motivos banais? México? Congo?

sandra monte disse...

Esta questão de "valores" em literatura e afins é muito relativo.

Enquanto você tem um "Cortiço", você também tem "Senhora".
E, tem títulos para o público teen como "Fazendo meu filme"...

Quanto a morte por motivos banais? Bem, na Euorpa, basta ser muçulmano que há mortes, nos EUA basta ser latino ou negro.... E pode ser certeza que estas coisas não chegam aqui...

Ah sim, e no Japão, a banalidade é pelo excesso de exigência. Afinal, é o país em que as pessoas mais se suicidam. Para mim, os motivos são tão banais quanto os nossos.

Como eu disse, vê-se coisas ruins só daqui. Quão há horrores em todos os lugares do mundo.

Demitron disse...

Eu não acho que erradicar o crime por completo seja uma tarefa possível, pela própria natureza do ser humano. Sim, todos tem seus pontos bons e ruins aqui e em qualquer lugar do mundo.
Só gostaria que não fôssemos tão terríveis quanto somos nesse aspecto. Sugiro que pesquise por números de violência e comparativos de percentuais que existem em vários países. Estamos sempre lá embaixo. Lá embaixo, junto com países africanos em guerra. Morre muito mais gente aqui do que em disputas raciais em boa parte da Europa, mais gente do que os suicídios do Japão e os "suicídios" da China.
Posso até estar sendo superficial demais, mas acredito que estas listas refletem sim a nossa realidade. É só você tirar os olhos das capitais e grandes centros urbanos e você vê que a grande maioria do nosso país ainda é um grande território rural onde não existe lei. As pessoas não têm respeito à vida, tanto a sua quanto a do seu semelhante.
Mas não se engane pelo meu pessimismo, ainda acho este país melhor de se viver do que muitas potências mundiais por aí. Mas aí já é outra história, né?

shion uchiha disse...

eu sou um otaku mas eu gosto de várias coisas, da cultura americana e tambem de muitas outras inclusive de algumas coisas do brasil não todas. eu concordo que tem otaku que se acha um deus e acha que o japão é o seu olimpo, eu amo mt o japão mas tmb sei os meus limites, os japoneses são preconceituosos com eles msm e com os estrangeiros pioro não julgando ninguem mas é assim ! eu so acho que cada um pode gostar do que quiser so temos que respeitar os outros e não falar mau de ninguem que ta td certo 1 os otakus são anti sociais eu tmb só mais ou menos mas eyu confesso que as vezes os meus amigos otakus passam dos limites! sayonara gozaimasu :3

Anônimo disse...

Simplesmente perfeito o que você disse. Teve um blog que disse inclusive que a solução era passar mais animes na TV, mas todos sabemos que a solução não é tão simples assim, e não resolveria graças a difusão desses movimentos via internet; e até acho que seria possível dizer que muito desse otakus são pessoas antissociais e fechadas e acabaram "se encontrando" nesses desenhos. A situação é bem mais complexa, e envolve muitas vezes pessoas que não costumam da o primeiro passo e são passivas, e só tem "personalidade" no "mundo virtual". Posso dizer que é um "movimento" que esses indivíduos usam, para se distrair com desenhos, e com eles dizem ter uma cultura "superior" a nossa e odeiam a todo e a todos que é contrário a sua disseminação, ou seja, fanáticos.

Diego Carvalho disse...

Não li os comentários dos demais e vou falar em cima da postagem. Como sempre um ótimo texto mas eu tenho minhas discordâncias no ponto que vc defende a cultura brasileira.

Não temos nada que defender ou gostar da "nossa" cultura. Você pode ter nascido aqui mas tem que ser maduro o suficiente para reconhecer que muita, mas muita coisa é uma bosta. Alias, uma bosta gigante! Sobre o ponto que vc fala que temos que parar de reclamar e melhorar em atitudes e bla bla bla, é sonhar que aqui tem que ter um final feliz. É a mesma galera que acha que o Brasil tem solução. Se não vier um ET, não tem nenhuma solução a curto, médio ou longo prazo para o Brasil. Tem coisas que da para solucionar mas tem coisas que estão quebradas. O Brasil é algo quebrado e as pessoas não aceitam.

Falar isso "...É muito sério. Nossa cultura não é para ser desprezada. Nossas novelas, nossa música, nossos filmes, nossos desenhos, nossa literatura, nossos quadrinhos. Nem mesmo nossas "porcarias" culturais..."
Devem sim ser desprezados! Lixo é lixo e ponto. E nossa cultura é rica em algumas coisas sim, mas para ser empurrada guela abaixo de alunos do colégio publico chega a ser ridículo. A sua crítica ao otaku/mongol/filho de papai acho digníssima mas espalhar essa confiança nesse país imundo. Tanta coisa ruim disseminada no país e vamos tentar ser altruísta na crítica a outra cultura. Ai não acho que convém.

Sobre seu paragrafo final, foi bom lembrar que o próprio Japão sofreu muita influencia cultural de outros países, principalmente no pós-guerra. Mas lá sim eles estão perdendo uma cultura milenar que deve ter uma preocupação muito maior. Uma cultura que tem valores como honra e respeito. E isso aqui vem sendo banalizado em muitas obras artísticas e literárias nos parcos "500" anos de história do Brasil.

Volto a salientar que é minha opinião. E uma boa recomendação seria evitar frases como "...E totalmente correto. "
Mesmo que referenciando o post da Michele Rommel, a quem não conheço e nem li o post pois o link esta quebrado.

Abraço e como disse antes ótima postagem.

Zoldyck's AMVs ゾルぢっく disse...

Olá Sandra, li todo os eu blog e concordo em alguns pontos, e em outros não. Irei falar o que eu não concordei com o seu texto. Espero que você leia e responda! ^^

Primeiro: Em relação a página ''Elite Otaku'', o objetivo dela não era dizer que os otakus superiores a ninguém ou algo do tipo, mas sim apenas para as pessoas saberem que a página é sobre animes. Concordo que ser Otaku não é ser elite de nada, do mesmo jeito que ser nerds, geek, trekkers também não são. Concordo com você na parte que você diz que os Otakus ''dependem de dinheiro de "papai ou mamãe", do mesmo jeito que os nerds, geeks e outras tribos urbanas também precisam. A maioria das pessoas que se dizem otaku, nerd e outras coisas do tipo são adolescente de 10-17 anos, ou seja, é meio lógico que eles dependem do dinheiro dos pais, e é exatamente por isso que esses adolescentes estudam para entrar em uma boa universidade e construírem uma boa família. E mais uma coisa: Muitos youtubers de canais de anime como Fred Anime Whatever, Player Solo e Ei Nerd têm mais de 22 anos e trabalham para comprar seus próprios equipamentos com seu próprio dinheiro.
Concordo que a cultura brasileira não deve ser desprezada, pois ela é muito importante na formação de nós como cidadão. Mas hoje em dia, a nossa cultura é baseada em Funk, Michel Teló, BBB, Novela, Youtuber Teen e outras coisas que são consideradas ''culturas'' hoje em dia, e é exatamente isso que os otakus criticam.
Existe uma grande diferença entre ser antissocial e ser tímido. Os Otakus têm dificuldade de ser relacionar com as pessoas, mas isso não quer dizer que eles sejam antissociais, até porque a timidez é algo natural para o ser humano. Não é questão de ser isolado, pois os otakus também têm amigos como qualquer outra pessoa e sempre se juntam para irem nos eventos. Muitos otakus por aí tem vida social melhor que um monte de gente. Como o Luiz Fernando disse no comentário abaixo, isso não é algo de agora. Muitos jovens de 20,30 anos atrás era do mesmo jeito, a diferença é que naquele tempo os motivos não eram por causa de hobbies ou fanatismo, mas sim por problemas de família e depressão.

Na minha opinião, acho que o problema não é apenas os otakus, mas sim todo adolescente em geral, ou melhor, a humanidade em geral. O ser humano sempre foi um animal fanático pelas coisas, seja elas hobbies, religião, política etc. E mais uma coisa: Esse pessoas aí não são otakus, mas sim são os chamados ''fanboys''. Por Exemplo: Se você chegar em um desses otakus e perguntar qual é o anime favoritos deles, na maioria das vezes ele vai responder Naruto, Dragon Ball ou qualquer outro anime battle, pois esse tipo de otaku só sabe assistir apenas um tipo de genero de anime, seja ele Shonen, Shoujo, Yaoi, Yuri etc, ou seja, esse tipo de otaku não conhece nem a própria coisa que gosta.

Eu quero apenas dizer que não é todo otaku que é desse jeito, têm uns que gostam de ir para eventos direito, outros preferem apenas assistir seus anime em seu canto. Fanatismo existe em qualquer tribo, independente se seja Otaku, Nerd, Funkeiro, Rockeiro, Emo, Rippies etc.

Espero que você tenha entedido ^^ Bjs

Zoldyck's AMVs ゾルぢっく disse...

E esqueci de falar mais uma coisa: Os otakus de hoje são os nerds de antigamente, aliás, os otakus são criticados hoje do mesmo jeito que os geeks e fãs de quadrinhos também eram na década de 70/80