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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O Povo Brasileiro: aprendendo a nos conhecer...

Nós brasileiros, nesse quadro, somos um povo em ser, impedido de sê-lo. Um povo mestiço na carne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado.
Navegantes,
Continuando meus posts sobre livros, hoje falarei de uma das obras mais importantes sobre a História do Brasil: O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro. Aqui, vou mencionar minhas percepções acerca da leitura desta obra. Percepções estas que vão além do título em si...
Um ponto curioso é que, só agora com minha pós, é que realmente me interessei pela História do Brasil. Vejam que escrevi História com maiúscula, o que denomina a ciência. Por que só agora? Porque só agora estou a conhecer nossa História como ela realmente é. Daí, veio-me a mente algo curioso...
Não sei se é só percepção minha, mas os mais jovens preferem a História do mundo do que a nossa. E hoje percebo o porquê: aprendemos de forma totalmente equivoca a História do Brasil. Lembro-me de meu 1º e 2º e percebo que aprendemo-na muitíssimo mal. É como se soubéssemos que tudo aquilo ali era "fake". Faltava alguma coisa naquilo que aprendíamos.
E, só hoje entendi o que faltava: o real. Como foi, verdadeiramente, nossa História. Daí o motivo de tanto desinteresse por parte das pessoas, especialmente dos mais jovens que estão na escola. É um amontoado de textos desconexos, de assuntos e situações que parecem não se encaixar.
E, sabem o que é o pior: isso é política pública de ensino. Não mostrar o real, mas o ideal. Só que o real é muito mais interessante, mais instigante. O real faz-nos pensar em melhorias. Por isso ensina-se o "ideal ilusório". Ensina-se a farsa. Assim ninguém pensa.
Você, meu querido leitor, que queria conhecer melhor como surgimos e porque somos assim, leia O Povo Brasileiro. Conseguimos entender melhor nossas ações como nação, como povo ao ler esta obra. Curiosamente, é difícil entender como conseguimos nos manter como "nação", dadas as diferenças locais de cada região.
O que nos uniu? Dary Ribeiro disse-nos e ao mesmo tempo colocou-nos dúvidas. Ele nos faz diversos apontamentos, mas parece-me que o antropólogo aponta a incrível miscigenação que se deu. E, pela força bruta usada para que esta união se mantivesse em muitos momentos. E mais alguma coisa...
Ou seja, se você quiser entender, ou começar a entender nossa História, nossas ações, leia O Povo Brasileiro. E vejam, eu disse entender e não aceitar cegamente. Com o que aprendemos, podemos pensar em possibilidades de melhorias. Pensar é a palavra-chave. Porque com o que aprendemos na escola, não pensamos. Logo não discordamos e assim, perpetuamos tudo o que está ai...
É possível melhorarmos? Acredito que sim. Mas, para isso, é bom nos conhecermos. Por isso nenhum governo quer mudar a forma do ensino. Do pensamento saem mudanças, né? Leia. Não fique com preguiça ao ver as mais de 400 páginas, porque é um livro fácil de ler e compreender.
Afinal, somos um povo que aceitou ser brasileiro, porque não era nem nem indígena, nem africano e nem europeu. Na falta do que ser, somos brasileiros. Quer entender melhor? Então vá a uma biblioteca e leia. Ou compre, a versão de bolso não é cara. Para quem gasta R$ 15,00 em cada quadrinho, mangás ou DVDs, gastar R$ 25,00 com om livro é proveitoso e ideal, certo?
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4 comentários:

L.Karina disse...

Eu já ouvi falar desse livro.Realmente a gente aprende História do Brasil muito mal na escola.Tanto que a pouco tempo é que eu fui saber sobre campos de concentração no Brasil.
Mas cultura de vira-lata de cuspir na própria cultura e achar lindo tudo o que vem de fora continua.Concordo que talvez a falta de um bom ensino de História possa dar uma mudada nessa mentalidade.Talvez se tivéssemos professores que não fossem só de Esquerda isso ajudaria,porque a história tem que ser vista sem ideologia,pelo menos na minha opinião.Mas também esse conceito de gostar da cultura de fora e dizer que os outros países são civilizados é tão enraizado no Brasil que eu não sei se vai acabar.

Paulo T. da Silva. disse...

Permita-me fazer algumas colocações: Pelo pouco que sei a História hoje já não trabalha mais com o conceito de Real. Não existe mais a ilusão de que a história é única e represente fielmente a realidade de uma época remota. Nenhuma História contada é real. Todas utilizam-se de elementos ficcionais para criar uma realidade perdida, realidade esta que nunca será alcançada. Por mais fontes, por mais dados que tenhamos, jamais iremos conseguir reconstituir fielmente uma dada época. Para me fazer entender: existe o fato de Dom Pedro ter gritado independência ou morte. Isso é um fato, imutável, mas a questão é o porquê ele fez isso. E isso depende de uma interpretação dos dados existentes. A História apresentada na escola é uma versão interpretativa bem rala, que busca simplificar as coisas a apresentá-la de um modo específico e para um determinado fim que você mesma disse no texto. Concordo com o que você disse, mas acho que você deve ter cuidado em utilizar a palavra "Real". Nem a História, nem as ciências humanas de um modo geral trabalham mais com esse conceito. Um grande exemplo disso que estou falando é que atualmente utilizam-se até textos literários, por definição ficcionais, para estudar uma época dita "real"....

sandra monte disse...

Seu comentário Paulo... foi absolutamente pertinente. Tomarei cuidado com o termo "real". Isso que você disse foi totalmente correto.

Muito obrigada.

Sandro disse...

Espera aí Paulo, quer dizer que todo e qualquer escrito sobre História do Brasil, seja no geral ou sobre um fato específico, é interpretado como mais ou menos possível? Que certos acontecimentos como a escravidão, dependendo do material disponível e da impressão/interpretação da pessoa podem ser, tão somente, "exageros literários"? No caso da escravidão dos negros, que ela não foi tão cruel e que só adquiriu esse aspecto por conta de pensadores/professores simpatizantes do socialismo/marxismo,por exemplo, que trataram de demonizar as elites da época para, no século XX, promover a Revolução Socialista no Brasil contra os descendentes dessa elite que ainda hoje estão no poder?
Isso é relativisar demais.
"Nenhuma História contada é real" vc escreveu. Quer dizer que os relatos de sobreviventes judeus da segunda guerra são todos, sem exceção, "pontos de vista fantasiosos com maior ou menor teor de verdade"? Concordo que a História, como as demais ciências, sempre recebe atualizaçoes e novas interpretaçoes a partir de provas arqueológicas, de revisões de registros e relatos, que nos dizem que tal fato, povo, evento natural etc.não foram como pensavamos, e portanto, os registros sobre eles inevitavelmente devem mudar. Mas dizer que "tudo não passa de fantasia" já é demais.
Até escritores ficcionais como Machado de Assis e Lima Barreto, a despeito de seus estilos, retrataram, ou tentaram retratar, a época em que viveram, seus usos e costumes, contribuindo dessa forma para nos esclarecer como foi aquela realidade, embora muitas vezes como mero pano de fundo para as narrativas.