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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Um mangá nacional que vale a pena...

EDITADO em 12/05/2012 às 20h25. Ver novo texto ao final deste post.

Navegantes,
Já mencionei sobre o assunto em ocasiões anteriores, mas acho que vale mais comentários a respeito. A questão do mangá nacional. Muito se falou disso na ocasião do lançamento de "Turma da Mônica Jovem" e outras revistas, que não tiveram continuidade.
Muito se questiona se existe mangá nacional. Bem, existe sim. Ou deveria existir. Entretanto, porque os títulos não dão certo? Como eu já disse anteriormente, faltam bons roteiros. Nós estamos no Brasil, temos uma cultura totalmente diversa e mesmo assim, vemos alguns autores tentarem, por exemplo, fazer histórias com samurais. Ou coisas ligadas ao Japão, nomes japoneses...
Este tipo de história dá errado porque há uma "carga" cultural e sentimental que não temos. Sabemos no papel o que são alguns fatores ligados ao Japão. Mas, a verdade é que sabemos a História. Não a sentimos. Este é o ponto: sentimento. Sentir o lugar, os sentimentos do povo, o clima. Sentir para poder transmitir isso para o papel.
E, talvez por uma resistência a nossa própria cultura, que temos histórias tão medíocres. Contudo, li uma que conseguiu ser tudo um pouquinho o que eu disse acima. Joaseiro.

O mangá se passa basicamente no período de 1910 a 1911, época em que o vilarejo de Tabuleiro Grande, ansiando liberdade dos pesados impostos que lhes eram cobrados, decidem desvencilhar-se da cidade de Crato, da qual faziam parte, originando a emancipação da vila que, futuramente, seria conhecida como a cidade de Juazeiro do Norte.

Por que a história foi boa? Houve quem me dissesse: "ah, mas fala do Padre Cícero... religião, não pega nada". Pois é... é este tipo de pensamento que denota com tudo no Brasil. A história não fala necessariamente do Padre Cícero. Mas, da influência dele na vida das pessoas. Ou seja, é uma história da História. Entenderam a diferença do "história" com "h" minúsculo e maiúsculo?
Talvez seja isso que falta: entender nossa própria História para que se possa escrever histórias sobre um assunto. Poderia ser sobre qualquer coisa, mas, não necessariamente sobre o fato em si. Um dos melhores e mais conhecidos mangás neste sentido  foi A Rosa de Versailles de Ryoko Ikeda. Ela conseguiu brilhantemente, escrever sobre a Revolução Francesa, sem necessariamente a revolução ser o assunto principal...
E isso tudo o que eu disse não é só sobre algo com "cara" histórica. É algo com "cara" brasileira. É isso o que tem faltado. Mais mangás como Joaseiro. Parabéns ao pessoal que produziu esta obra! E, espero que em breve, eles possam colocá-lo online para que todos vejam e entendam...

Allan Fefferson – desenho, tons e cores
Israel de Oliveira – desenho e storyboard e arte final
Jefferson de Lima – arte final
Hiroyto Sobreira – roteiro
Tony Paixão – tratamento digital
Edson Gonçalves – publicação
Luís Monteiro – coordenador do projeto
Leandro da Silva – tesoureiro
José Fábio Vieira – presidente

Fazendo um acréscimo devido ao comentário do JMTrevisan lá no Twitter. Ele comentou: "Só discordo de uma coisa, @papodebudega :Pq o brasileiro precisa se limitar à propria cultura se vc cita A Rosa de Versailles de Ryoko Ikeda". Verdade... o problema é que não comentei, mas nem a História do Japão o povo conhece direito. E quando conhece, esquece que a história tem que ter "alma" brasileira. É feito para o nosso público. Então, mesmo que se faça um mangá com tema de fora, esquece-se do tal "sentimento". E, quando se coloca "sentimento nacional", achamos que fica algo "fake".
Ryoko Ikeda conseguiu fazer A Rosa de Versailles porque a Revolução Francesa era só o pano de fundo. A história propriamente dita estava o relacionamento da Oscar e do André. O tal "sentimento", nesta história, fica por conta do que Ikeda percebeu o que o público feminino no Japão queria: uma história de amor com o homem "surreal" (sim, porque um homem como o André não existe nem no Japão e nem no restante do mundo, o homem ideal).
Os pretensos "mangakás" brasileiros deveriam, seriamente, ver novelas. Novela é nosso principal produto de massa. E os autores, normalmente, escrevem algo que agrade a "alma brasileira". Ou, como vocês acham que a Chayene de Cheias de Charme faz tanto sucesso? Menos preconceito com o que é nosso cairia bem.
Basicamente, era este o acréscimo...
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2 comentários:

Ludmila Nascy disse...

O que você chama sentimento, eu chamaria de sensibilidade.

E Rosa da Rioko não é só sobre a Oscar com o André... É sobre todo uma fascinação de uma protagonista forte. Você realmente leu Rosa de Versailles? Você simplificou e futilizou demais a razão pela qual gostam da história, na minha opinião.

Por isso mesmo do exemplo, não acho que a pretensão de uma "alma brasileira" faça necessariamente uma história agradável.

Geralmente tenho experiências ruins com quadrinhos necessariamente históricos brasileiros...pois parecem mais uma caricatura de uma cultura do que uma narrativa que emocione.

Pessoalmente, acho que pra isso, não precisa de um pano de fundo que possa entrar em Leis de Incentivo a Cultura pra história ser boa.

Sensibilidade é que falta. Tato.

E perdão, mas o Ledd do Trevisan com certeza está na lista de acertos, mesmo não tendo um pano de fundo brasileiro.

Acho que precisa ler mais teóricos que discutem sobre isso...pois esses termos pano de fundo e "alma brasileira", que novamente prefiro "sensibilidade brasileira", é algo largamente discutido em todas as áreas culturais melhor do que os aspirantes a críticos de quadrinhos estão tentando fazer.

sandra monte disse...

Ok.

Você prefere "sensibilidade". Os termos que usei podem ser inadequados para você...

E, para constar: tanto acredito que não precisa ser necessarimanete Histórico, que mencionei as novelas no acréscimo. Novela não é histórica, mas pega a "sensibilidade brasileira".

E, por fim, há pessoas que não são "aspirantes". Elas conhecem, só não usam termos rebuscados.