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terça-feira, 10 de abril de 2012

Olha só o que vende no universo dos quadrinhos no Brasil...


Navegantes,
Ontem, o site Planeta Gibi colocou online um artigo interessante. No material, há dados do jornal Meio $ Mensagem e do IVC - Instituto Verificador de Circulação sobre a circulção de histórias em quadrinhos no país nos últimos dois anos.
O que vemos é um monte de títulos da Mauricio de Sousa Produções e da editora Abril. Não há comics e nem mangás. O motivo é simples: nem Panini e nem JBC fazem parte do IVC. Pode parecer bobagem, mas não é. Tudo no mundo é dinheiro e muitas editoras fazem parte do IVC para comprovar suas tiragens e vendas e podem, assim, vender espaço de publicidade.
Não é bobagem fazer parte do IVC. É financiero. Não dá para esconder, omitir e nem mentir nos números. Talvez até dê, mas é muito mais difícil... Daí pergunto: porque não há mangás? Porque são títulos que vendem tão pouquinho, mas tão pouquinho (além claro, que deve ser carinho estar no IVC), que não vale a pena para Panini nem JBC comprovar suas circulações. No caso de comics, acredito que há um certo desleixo da Panini...
Chega a ser curioso ver otaku se matar por seu mangá que vende mais... Vende mesmo? Quanto? Ver alguns sites postarem - se bem que isso parou um pouco - as maiores vendas do Japão, EUA, Europa é estranho... E o Brasil? Não sabemos, só o que dizem os editores em palestras. Ou seja, não temos dados confiáveis.
Quadrinho no Brasil vende pouco. Isso é fato. O curioso é que mangá não vende o que as pessoas imaginam. Há vários fatores para isso. E um deles é recente e preocupante: as republicações. Se já entramos nesta fase, é porque não vale a pena lançar nada novo, seria isso? A própria editora Abril sofreu por causa das republicações do Zé Carioca tempos atrás, mas em breve deve dar um guinada com novas histórias.
Nossa Sandra... você só critica... Pois é. O mercado de mangás é isso aí. O desgaste mostra-se claro. Há algumas possibilidades para melhorar as vendas? Acredito que sim. O mercado infantil é um dos que mais vende, só que as editoras precisariam mudar a imagem de que mangá é violento.
Também teria que haver um postura diferente em relação aos títulos. Acredito que a editora Newpop mostrou um bom caminho. Só que ela é pequena e o caminho não parece tão claro com uma empresa tão pequenina... E que caminho seria este? De publicações curtas. Também é interessante publicações já acabadas. Só mesmo um One Piece para fugir um pouco a regra...
E, um fato curioso na tabela: onde está Turma da Mônica Jovem? Afinal, este título também está incluso no IVC. Será que vende menos que o Tio Patinhas? Se for... então o sucesso que tanto se bradou não é tão sucesso assim... Trololó de quem trabalha lá?
São várias coisas a pensar...

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11 comentários:

Rafael Kaen disse...

Acho que só Saint seiya e dragon ball venderam bem, pois foram os primeiros a serem publicados pela Conrad e na sequência original de leitura e tal, até então era no formato americano.

F.D. disse...

Não sei bem a que linha de pensamento que você quer chegar, mas acho que os mangás até que vendem suficientemente bem, isso dentro dos seus devidos parâmetros.

E convenhamos Sandra, a quantidade de títulos de mangás publicados mensalmente é enorme, e são títulos que tem uma grande rotatividade. Mas veja bem, são mercados diferenciados. No meu modo de pensar, não dá pra se comparar vendas de mangás com Disney ou turma da Mônica, pois tanto em tiragem como em termos de distribuição e público alvo, é tudo 100% diferente.

Como você bem sabe, os mangás tem uma tiragem já préviamente estipulada. E talvez não sejam tiragens enormes, mas o grosso do que é imprimido acaba sendo tudo vendido. Pois como a tiragem já é focada nesse segmento de público, as editoras já sabem mais ou menos o quanto que cada mangá pode ou não vender. Ou seja, os riscos são menores.

E nesse caso, é muito mais negócio ter uma menor tiragem e vender quase tudo, do que ter tiragens gigantes e depois ficar com um encalhe gigantesco. Em relação a isso, os mangás estão indo pelo caminho certo. Até porque, o lucro é mais certo, e o leitor de mangás é mais fiel do que o leitor ocasional de uma edição da revista do Cascão ou do Pato Donald.

Se bem que até em relação a isso, eu acredito piamente que até o material da Disney e turma da Mônica tenha sim uma tiragem limitada, já prevendo a parcela de público que vai consumir esses produtos. Mas turma da Mônica e Disney são quadrinhos "eternos", não tem final estipulado. E já os mangás são obras fechadas com um número X de volumes. Ou seja, contratualmente falando, são coisas bem diferentes.

E desse novo, todo o invetimento nisso é também diferenciado. É um tipo de esquema de venda (demanda e procura) que não funcionaria bem pelo modelo do IVC, que trabalha mais com títulos regulares, e que não se prendem a numeração pré-estipulada.

Mas no fim, acho que tem de tudo pra todo mundo. Quem curte Disney tem material da Disney pra comprar, assim como quem curte turma da Mônica ou mangás. Me desculpe, mas eu não vejo esse "drama" todo (foi drama?) que você fez nesse texto. Pra mim, está tudo nos conformes. Cada qual investindo da maneira correta no seu próprio segmento. (Apesar que é lógico, como consumidores, todos nós gostaríamos de muito mais).

Falando nisso, se mangá não vendesse bem, as editoras que publicam os mesmos já teriam descontinuado com esse segmento, ou mesmo fechado. Mas ao contrário disso, o que vemos mês apoós mês são muitos novos lançamentos (e mais uma vez, como você sabe, cada editora no mínimo, lança de 3 a 4 títulos diferentes por ano), isso seguido das séries já regulares.

E mesmo em relação a republicações (que concordo contigo, estão em exagero), mas mesmo com isso são contratos novos, questão de querer explorar um pouquinho mais a galinha dos ovos de ouro de títulos com um relativo sucesso.

Bom, eu acho que as editoras sabem o que fazem. Disney, mangás, turma da Mônica, todos sabem muito bem o que estão fazendo no mercado. Sabem cada qual o seu lugar e o seu papel. E com certeza, seja o segmento de HQs que for, o lucro deve valer a pena. Caso contrário, não teríamos mais nada no mercado.

Luiz Fernando disse...

Não acretito que ter seus números registrados pelo IVC seja tão caro assim. Mas mesmo que fosse, como você disse no texto, vale a pena já que, comprovando os números de vendas, é mais fácil vender espaço na revista e ter um retorno em publicidaqde.

A grande verdade é que as editoras de mangás não colocam seus números lá por 2 motivos.

1 - Deixaria evidente para os donos das editoras a incompetência dos "editores". Imagine o dono do negócio descobrindo que ganha "x", mas que poderia ganhar "x+y" se tivesse alguém competente a frente do negócio.

2 - Que, creio eu, é o principal. Acabaria com a pose de certos "editores" que dizem que são competentes, que vendem muito bem, mas nunca dizem qual foi a tiragem.

sandra monte disse...

Pois é F.D. ...

Sei que deve (ainda) valer a pena para as editoras que lançam mangás, lançá-los.

Mas, o mercado está encolhendo de uma tal forma, que vai chegar uma hora, que se as mesmas não fizerem absolutamente nada, as vendas pífias não vão pagar as contas.

E daí para fechar as portas é um pulo. É um post de consciência, porque elas mesmas sabem que estão vendendo pouco, menos do que poderiam vender.

Até quando, esta é a questão...

sandra monte disse...

Ah... e esqueci de dizer FD...

TODA revista, seja mangá, quadrinho ou qualquer outra... tem uma tiragem previamente estabelecida.

Isso não é privilégio de mangá.


Só para constar...

Luiz Fernando disse...

A propósito... alguém aí conseguiu uma explicação do pessoal que trabalha com Turma da Monica Jovem? Segundo muita gente que trabalha lá dizia, a publicação vendia entre 120 a 300 mil exemplares por mês. Será que não entrou no IVC?

Aliás, nessa mesma pegada, gostaria de saber também... O que será que houve com esses números divulgados aqui?

http://www.brunodesouza.com/a-turma-da-monica-chega-as-redes-sociais

ou aqui (com recortes de revista e tudo mais)

http://paulogibi.blogspot.com.br/2012/04/abrindo-caixa-preta-turma-da-monica.html

Tiragem de 2 milhões. 1,6 milhões de exemplares vendidos por mês? 400 mil exemplares de TMJ vendidos por edição?

Que coisa hein? Enfim. Maiores ou menores, é preciso tirar o chapéu pro estúdio do Mauricio de Souza. Dominar o mercado de quadrinhos não é pra qualquer um, mas existe um limite entre a admiração e a puxação de saco.

Fernando Ventura disse...

É divertido ver a gentalha alardeando Trending Topics de Twitter! HAHAHA!

F.D. disse...

"E daí para fechar as portas é um pulo. É um post de consciência, porque elas mesmas sabem que estão vendendo pouco, menos do que poderiam vender."

Bom, isso é um fato! Mas vendas dependem principalmente de investimento em marketing, somado a preços competitivos.

Mas o problema é saber até que ponto que as editoras querem se dar ao trabalho pra isso! Muitas vezes, talvez nem compense (vide o caso da On-Line, que de certa forma, está encerrando sua participação no segmento dos quadrinhos).

Diogo Aires (Dood) disse...

No caso de comics, acredito que há um certo desleixo da Panini...

-Com certeza, mas interessante vendo que bolhas de muita gente são estouradas. Era esperado que o que vende mais o que é visado pela publicidade são quadrinhos infantis, acho que até mesmo em épocas que o Mangá era moda.

hamleprimeiro disse...

Oi Sandra,

Sempre tive grande curiosidade em saber o quanto as HQs de super-heróis vendem por aqui. Não há nenhuma estimativa, Sandra?
E aqueles caríssimos álbuns de luxo que a Panini lança em lirarias? Será que vendem bem?

Daniel disse...

Se os mangás de nenhuma editora está, só se pode concluir que as editoras não estão participando dessa medição

Agora, dizer que vendem mal é se precipitar.

Se compararmos essa IVC com o Globope (IBOPE) - uma instituição que tem a mão de Rede Globo - só que com a mão de alguma outra editora (Abril, globo, três, record...), então mangás não entrariam ali nem que a JBC ou Panini subornassem alguém lá.

O fato dos quadrinhos do Maurício serem da Panini e estarem lá não diz nada. Se não estivessem ou estivessem numa posição abaixo, no mínimo, seria "estranho" afinal a turma da Mônica é referência em quadrinho nacional no Brasil. (Algo tem que ser verdade na informação).