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domingo, 9 de outubro de 2011

Sky Crawlers: quando um anime pode mostrar uma sociedade doente...

Navegantes,
Primeiramente, eu gostaria de dizer-lhes que abaixo, tecerei comentários que beiram o spolier. Não que necessariamente falo detalhes, mas alguns pontos dos animes podem ficar sem graça a alguns. Ou seja, talvez seja interessante não ler. OK?

E tudo o que direi são percepções de alguém que nunca foi ao Japão, mas que se assusta um pouco com as notícias que lê. E que o que tem visto, deixa-me depressiva... E por que me assusto? Bem, vocês entenderão o porquê... Hoje, após muito tempo de lançamento em DVD no Brasil, vi o anime The Sly Crawlers. Não é uma animação ruim. Mas, é o tipo de título que não cativa, você não tem vontade de assistir mais. Ruim para um título, do ponto de vista comercial, não?
O que chama a atenção é que os denominados animes "cults" recentes têm uma característica um tanto estranha: parecem demonstrar que a própria sociedade japonesa é doente. Há algumas sutilezas que nos dão esta impressão. Raramente tem-se um final feliz. Os jovens são problemáticos demais e pouco se importam de estarem vivos ou não...
Nada contra finais tristes ou sem sentido aparente. Mas... a falta de vontade de viver ou crise muito aguda vistas em animes como The Sky Crawlers, Tekkonkinkreet, A garota que saltou no tempo assusta um pouco. Será que a sociedade japonesa está tão doente assim? Ler notícias como "o Japão é o país que mais consome produtos cosméticos, é o mais mecanizado, mais tem produtos eletrônicos e os usa em qualquer lugar, e especialmente, mais tem suicídios no mundo" nos faz pensar que tais filmes são desabafos.
Mas, daí vem uma pequena questão: porque não fazer filmes para, justamente, mostrar que vale a pena viver? Vale a penar pensar positivo e que o mundo pode não ser tão cruel assim? Se a sociedade, especialmente os jovens têm problemas, um filme "down" não ajuda em nada.
Parece, no final das contas, que não existe um meio termo. Ou faz-se animes "bobo alegres" demais para vender produtos, ou tristes demais... Sei lá... Isso é só uma divagação. Comentários?

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3 comentários:

Patrick Raymundo disse...

Olá! O problema, ao meu ver, é a separação de animês em nichos. Há décadas que não fazem mais animês para uma massa geral, mas para um grupo específico. Ponto positivo: pode-se concentrar a venda e a propaganda direcionadas para o público certo e isso reduz custos. Ponto negativo: os animês ficam presos aos clichês que fizeram sucesso com versões passadas. Sky Crawlers é um exemplo. Foi realizado para um determinado público adulto otaku (creio que os mais hardcores) e está recheado de clichês e frases que o público alvo está acostumado. Toda aquela depressão ao estilo Jin-Roh, ou aquela introspecção digna dos monólogos da Rei Ayanami são exemplos que se acham em Sky Crawlers. Ainda digo que fizeram uma crítica à religião predominante do Japão, pois a clonagem, neste filme, beira a uma ácida crítica à reencarnação. Uma vida de clonagem, onde o clonado não lembra de sua vida passada e repete os mesmos erros da vida anterior, tendo, então, que retornar, sem memória, para cumprir um objetivo qualquer. Uma vida vazia de significado, onde o amor não contribui para nada, mas aumenta o sofrimento daqueles que conseguiram despertar e lembrar de suas vidas passadas. Nossa, é muito deprimente. Mas é feito para um público hardcore que adora sentar no PC e teclar, em chats, sobre o significado da última cena de Evangelion. Eu acho que o filme não representa toda uma sociedade, mas aquele nicho específico (público alvo). No Japão, por exemplo, outros estúdios retratam a sociedade de maneira mais otimista, como Ghibli (Serviços de Entrega da Kiki, The Cat Returns, Ponyo, por exemplo) e AIC (Oh My Goddess e Tenchi Muyio). Acho que é isso. E os produtores tem certo receio de mudar a fórmula, o público alvo rejeitar, por sair de sua ideologia (visão de mundo), e não vender. E isso cai na espiral negativa de criatividade que o Japão se encontra.

hamletprimeiro disse...

Eu não diria que sou um otaku existencialista e deprimido mas gostei de Skycrawlers. Me pareceu uma boa FC. O estilo e a temática do filme são aqueles característicos de seu diretor. Talvez, dentro da obra dele sejam lugar comum. Todos os filmes tem que ter esse peso? Claro que não (embora filmes assim tendam a ser encarados com mais respeito). Sou um apaixonado por fimes da Disney, portanto a favor de um bom final feliz. Correndo o risco de cometer um spoiler: se Enrolados tivesse terminado quando Flynn corta o cabelo da heroína talvez fosse taxado de ousado e inovador. Ainda bem que não termina assim.

Kauê disse...

Sandra, entendo que por uma questão mercadológica.

Uma pessoa niilista não quer ver a bandeira da esperança, ela espera justamente a confirmação do seu desespero, algo que o faça crer que ela não é problemática, mas sim o mundo no qual ela é obrigada a viver. E que ela não está sozinho no sofrimento. Isso vende nesse nicho!

E o problema não é japonês, é geracional. Claro que lá, por razões diversas, a coisa ganha maiores proporções, mas essa geração Y é a geração ressaca.

De modo geral, acho até positivo que esse tipo de obra exista. Se o Japão está culturalmente doente, que registre isso em pedra. Murakami faz o mesmo com a literatura é não é por isso condenado, pelo contrário, é celebrado.