Desejo: Boas Festas...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Nem pau e nem pedra...

Queridos navegantes,
Alguns comentários. Primeiramente, o calor me deixou muitooooooooooo mole esta semana. Sério, passei mal, quase perdi a consciência. Sei que há notinhas para colocar, mas devo fazer isso estando mais "normal".
Também gostaria de dizer a algumas pessoas para não se "ofenderem mortalmente" com minhas opiniões. Sou apenas uma jornalista que tem discutido o mercado de mangás e animes no Brasil. Não sou dona da verdade, mas certamente, faço defesas acentuadas de minhas ideias. Acho que tenho este direito, ou não?
Tudo que tenho dito, novas reflexões e até mesmo mudanças de opiniões são frutos de muitas coisas. Vi mudanças no mercado, conversei com muitas pessoas com posições diferentes e com argumentos válidos.
Mudanças de comportamento, especialmente pela rápida evolução da internet, mudanças em leis (vide direito autoral) que devem acontecer em breve e que, gostando ou não, teremos que aceitar... Vivência de "coisas" em âmbito profissional, social e pessoal são importantes para alguns de meus comentários.
O que percebo é que já não tenho um discurso  tão radical quanto a muitos assuntos como eu tinha antes. Discurso que não é mais "conveniente". Que a vivência tem me mostrado que não é possível sermos tão pau, pau e pedra, pedra. Que há o outro lado, o lado B. Pode ser bom, pode ser ruim? Acho que só o tempo dirá.
Estamos vivendo um momento histórico complexo, pois estamos no "olho do furacão" de mudanças profundas na sociedade. Não estamos mais divididos em ser capitalista ou socialista. A divisão hoje dá-se em um âmbito de quebras ideológicas, sociais, financeiras... Mudanças que são boas ou ruins para uns e para outros. Mas, se não soubermos como lidar com tais situações, a convivência torna-se difícil.
 Daí, cairemos nos radicalismos de, por exemplo, atitudes  do politicamente correto. Um extremo perigoso. Minhas opiniões devem ser pensadas. Não necessariamente aceitas. Ninguém é obrigado a aceitar o que digo. Mas, ao menos, pensar. Radicalismos em um mundo tão complexo é algo realmente difícil. Nem sempre, quem aparenta estar errado, está. E nem que parece estar certo, realmente está. O exemplo que darei pode ser tosco, mas... Até porque, parte dele realmente aconteceu.

Um skatista "brinca" de um lado para outro embaixo de um caminhão, destes enormes. Se um motorista ou um motoqueiro pegá-lo e matá-lo, será um crime. Homicídio. Mas, e a culpa? Afinal, a culpa terá sido de quem? De quem matou ou se deixou matar por pura estupidez?

O exemplo foi exagerado? Foi. Mas, temos justamente que tomar cuidado com certas posições ou exageros. E muitas posições,  muitas vezes, são fruto de interesses - normalmente políticos ou financeiros. Interesses que são nossos? Discursos que são nossos? Tanta "raiva" com meu texto abaixo não seria porque coloco em xeque a zona de conforto que as empresas se encontram hoje? E uma forma de repelir esta zona?
 E nós? Fazemos exatamente o que dissemos? Pois, uma coisa é dizer, outra é agir. Quem, como disse um leitor, nunca xerocou um livro na época da escola ou faculdade? Ter um discurso sem ter ação não é o mesmo que os políticos fazem? Logo, não seriam críticas vazias? Por que a fala é uma, mas a ação é outra?
Uma das frases mais sábias ditas por Jesus: jogue a primeira pedra quem nunca cometou pecado." É para "pecar"? Não. Mas, às vezes, não dá para "não" pecar. E, certamente, há consequências. E, o ser humano deve aprender, muitas vezes por bem, outras por mal, com os seus erros. Que todos pudessem acertar sempre. Mas, isso é possível?

←  Anterior Proxima  → Inicio

6 comentários:

Kitsune disse...

É realmente difícil de se abordar estes assuntos que habitam as "áreas de cinza" da moralidade.
Tão difícil quanto, por exemplo, dizer que pobre não trabalha pq tem Bolsa Família, quando a oferta de emprego p/ as classes mais baixas é quase humilhante (não que os dois assuntos tenham a mesma importância, lógico).
É mais difícil ainda quando tratamos de mangá e animê. Ser radical pode ser interpretado como "desocupado que se preocupa demais com coisa sem importância"; não se importar é "ser conivente".
Enfim, bom post! Admiro pessoas que, publicamente, resolvem se expor e mudar de opinião.

Leo Kitsune - Video Quest
http://video-quest.blogspot.com/

sandra monte disse...

Leo,

Não deveria ser uma vergonha mudar de opinião. Mas, tem gente que vê isso quase como uma "blasfemia".

Abraços,

Patrick Raymundo disse...

Vivemos na época da contestação. Tudo é contestado, verificado e refletido inúmeras vezes, por inúmeros grupos. Por isso a noção do "minha posição é essa e não mudo", hoje, não resolve. O mundo está mudando, por isso nossa concepção deve mudar, para acompanhar esse ritmo. Sua decisão é prova disso, pois é decisão de uma pessoa que reflete o mundo e não tem medo de mudar de opinião. Brincando com um ditado popular, hoje é impossível ser "8 ou 80", deve haver um 45, ou um 13 nessa contagem. Usando o termo do Kitsune, hoje temos áreas de cinza. Como um dos apóstolos disse, e eu tento seguir, devemos conhecer tudo e reter o que é bom. Para isso, precisamos deixar o radicalismo de lado e experimentar as áreas cinzas do conhecimento e reter o que nos é bom.

Kitsune disse...

Sandra, você citou Jesus e eu cito Buda: devemos seguir o "caminho do meio".

Leo Kitsune
http://video-quest.blogspot.com/

Roberta Caroline disse...

Parabés Sandra e é importante sempre se colocar a sua pinião sobre tudo que te interessa, pois um blog é exatamente pra isso. Mas claro que sempre vai existir aqueles que não aceitam a opinião do outro e ao invés de questionar argumentando, sempre vão simplesmente jogar as palavras ao vento sem o menos pensar e raciocinar sobre o tema debatido. Mas felizmente ainda há muitos interessados em uma boa discussão...acho xD

Ah, aqui tem um ótimo texto sobre a situação dos animes no Brasil e o cara citou o seu livro: http://otakismo.blogspot.com/2011/02/brasil-situacao-do-anime-no-seculo-xxi.html?spref=tw

Vincent disse...

sobre animes, o brasil sequer tem espaço para eles na tv aberta; a classificação "indicativa" manda censurar, a tv não tem como colocar numa grade do horário nobre (a band e a play tv tentaram, mas foram fiascos) infantilizar o anime já não compensa mais, pois existe leis que proibem a propaganda cujo publico alvo sejam as crianças (daí não tem como a emissora lucrar com comerciais); mesmo tv por assinatura está um fiasco, Cortun Network censurando até chapolin colorado e mansão foster, animax que pertence aos pacotes mais caros da maioria das companhias de tv paga (com excessão talvez de uma); mercado de dvd fraco (pagar 40 reais por 58 minutos de animação?)

fora que, sosmos fãs de um pequeno nicho de mercado, nem existe o tal "publico de animê" o proprio "genero" possui tantos sub-generos que faz diminuir ainda mais o nicho de mercado para cada genero de genero de hq.

quanto a cancelamento, são normais, séries estadunidense são canceladas, programas de tv são cancelados, tudo que dá prejuizo é cancelado ou paralizado, até fansuber quando vê que muita pouca gente baixa seus projetos desistem de determinada série.

fansuber e scans tem de ser vistas como divulgadores, o que realmente são, pois aquilo não é o original, nem cópia integra do original, é apenas uma amostra, e fazer cópia de trechos ou amostras de algo não viola a lei de direitos autorais.

e, não temos um mercado que consiga absorver a quantidade de mangás produzidos no japão, então scans passam a ser uma alternativa para conhecer titulos, ler algo que não se invistiria, o mercado é pequeno, e não pode saturar, e nem as editoras passarem a concorrer contra elas mesmas (o que acontece quando elas lançam titulos demais para o mesmo publico alvo)

aliás, nem sátiras, pois elas fazem homenagens, citam séries, fazem propaganda.