Olá caros navegantes,
Após a entrevista ao JBox News houve um monte de mal entendido acerca do universo dos animes. Mais uma vez, deixo claro aqui que não sou contra animes antigos. Só acho que por uma questão de tempo, espaço, mudança de conceitos, culturais e sociais, cada título tem seu tempo. Não é possível querer que a juventude atual se afeiçoe aos gostos dos antepassados.
Chaves ou Dragon Ball não são bons exemplos, são exceções da regra... E quando falo em êxito comercial, refiro-me a lançamentos de cadernos, mochilas, etc...
Em todos estes anos, o que percebemos é que o público teen (10, 11, 12 anos) feminino não se liga mais em animação a ponto de sair por aí com uma mochila... Mas do que os garotos, as meninas se sentem mocinhas primeiro. Ou seja, Sailor Moon, por exemplo, não é mais para este público. Anos atrás até poderia ser, mas hoje... não mais. A Sandra é pessimista? Não. O público feminino consome tanto - ou até mais - que o masculino. Mas, nesta faixa etária, quer outra coisa. Há muitos pontos que fazem os animes não serem bem sucedidos atualmente.
Já bati neste assunto, mas vou bater novamente: não há nenhuma empresa de animes (entretenimento) no Brasil. Imagine a seguinte situação: Nickelodeon, Disney, Warner, Sony, BBC (se não me engano) estão fisicamente no Brasil. Os executivos podem ir mais facilmente às emissoras, almoçar, fazer um happy hour, jantar, etc. Muitas das decisões não são em salas de reuniões, mas sim em momentos como estes. Daí, você emissora pena: "há empresas aqui querendo me vender produtos e que se instalaram no Brasil. Elas acreditam em nosso mercado..."
Daí, vem uma empresa de fora, que não conhece direito nossa sociedade, que tem hora marcadíssima para fazer uma visita e também quer vender um produto. Quem você, caro navegante, botaria mais fé? "Esta empresa de fora não acredita em nosso mercado o suficiente para se instalar aqui? Possivelmente, ou a empresa não é grande, ou os produtos dela não são tãaaao confiáveis a ponto de me dar lucro", pensa a emissora. Ou seja, a lábia da empresa de fora tem que ser muito melhor... Fora que, imagine uma empresa que sempre lhe oferece a mesma coisa, sempre. Se você é emissora vai pensar? "puxa, eles não têm nada novo"? O mercado é muito cruel.
Existe um conjunto de fatores desfavoráveis ao mercado de animes no Brasil, hoje. Isso é eterno? Não. Porque a sociedade muda. Mas, hoje, é bater a cabeça na quina da parede achar que certos títulos, nas circunstâncias que vivemos, darão certo.
Além disso, no universo dos fãs e não das massas, é difícil agradar a gregos e troianos quando se fala de redublagem, por exemplo. Haverá sempre e sempre, alguém insatisfeito... E sempre haverá problemas com animes polêmicos, com "muita" violência ou que tenham em seu conteúdo a homossexualidade. Como lidar com tais situações em uma sociedade como a nossa?
Enfim, curto muito animes. Mas não sou passional. Sei que um InuYasha, por exemplo, não tem condições de ser exibido aqui, mesmo eu adorando este anime! É uma constatação com base em diversos elementos do Brasil e não de fora: cultura, sociedade, situação da empresa... etc. Não é uma questão de bola de cristal...
Só para lembrar, anime é produto e tem que ser bem trabalhado. Se não for, acontece o que temos visto, em que só funciona um anime ou outro e determina situação específica... Se a realidade for pessimismo... Não é a sociedade do Japão, dos EUA ou Itália que temos que analisar, a sociedade que temos que analisar é a nossa!
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