Navegantes,
Sei que este assunto é um tanto espinhoso, mas hoje é um dia propócio para falar.
Hoje foi o dia da Parada Gay em São Paulo. Uma das maiores paradas do mundo, quiçá a maior. Enfim, nos noticiários, muito se comentou que uma das solicitações dos homossexuais é uma Lei Contra Homofobia. Pois é... Em verdade, sou contra sim, mas sou contra uma lei destas. Alguns leitores podem dizer: você diz isso porque nunca sofreu preconceito!
Inverdade. Posso dizer que já sofri e sofro muito preconceito. Dos mais diversos, viram? Sofro preconceito - direta e indiretamente - por ser nordestina. Posso não ter cara, mas sou cearense. Daí, quando alguém está comigo e fala mal de um nordestino, o que digo é: "puxa, que pena que você pensa isso, porque sou do Ceará". Normalmente, a pessoa desmonta.
Também sofro preconceito porque não sou o padrão de beleza ideal. Traduzindo em poucas palavras, sou feia. E, um dos pontos os quais mais sofro preconceito é em relação a minha visão. Apesar de usar óculos, há coisas que não enxergo muito bem, mesmo de perto devido ao problema que tenho. É sinistro perceber que um caixa de lanchonete te olha feio quando você diz: "você pode me dizer o que tem, não enxergo o letreiro... " Sofro preconceito por não ter visão perfeita e nem por ser cega. Pode?
Sofro preconceito. Para alguns casos, há solução. Como não ir a lugares que não têm cardápio. Mas, há outras situações que não tem solução. Motivo: é humano julgar os outros pelo que a pessoa tem de "fraco". E é justamente por isso, que sou contra uma Lei Contra Homofobia.
Sempre tem alguém sofrendo preconceito seja porque motivo for. Há pessoas que sofrem preconceito por serem gordas, ou magras demais (também sofro por isso), por terem religião - sejam evangélicos, católicos, judeus, islâmicos, etc. Ou por não terem... Há pessoas que sofrem preconceito por coisas que nem me lembro agora.
Daí vem um caso interessante: nestes programas esdrúxulos, já vimos gays falarem "mal" de mulheres que se vestem mal ou que são desleixadas. Daí, partimos para um caso hipotético. Se eu estiver no metrô e houver um grupo de gays falando mal de alguma mulher "desleixada" no local, o que poderei fazer? Se eu der um xingão? Quer dizer, eles teriam o direito de falar mal de qualquer um (excluindo os negros) e ninguém no local poderá falar deles, porque afinal, haveria uma lei protegendo-os.
E se um casal gay quiser entrar em uma igreja? Alguns de vocês podem falar: "mas eles não fariam isso". Quem garante? Há muitas pessoas sem noção, sejam gays ou heteros. Puxa, o fiel não teria o direito de solicitar que "desdessem" a mão, por exemplo?
Vocês me entendem? Ao invés de uma lei desta unificar, iria segregar ainda mais, tornar ainda mais latente o que já existe. E pior, tornaria "oculto" o que é "aberto". O que para mim, é ainda pior e mais perigoso. Com a "não" expressão, há o risco da "não" defesa. Não estou defendendo o preconceito. Nada disso, porque como disse acima, eu sofro meus outros preconceitos. Mas, estou defendendo o direito ao "não gostar" e a uma expressão razoável disso.
Claro, ninguém vai sair matando gay por que é gay. Não precisa de lei para isso porque já existe uma lei maior, que é a lei das pessoas. Pensem nisso. Se cado um quiser uma lei sua, uma lei específica, de que adianta existir a Carta Magna? Ter um "quê" de politicamente correto em tudo, pode ocasionar um "quê" nefasto na sociedade...
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