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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Realismo sim, pessimismo não

Olá caros navegantes,

Após a entrevista ao JBox News houve um monte de mal entendido acerca do universo dos animes. Mais uma vez, deixo claro aqui que não sou contra animes antigos. Só acho que por uma questão de tempo, espaço, mudança de conceitos, culturais e sociais, cada título tem seu tempo. Não é possível querer que a juventude atual se afeiçoe aos gostos dos antepassados.

Chaves ou Dragon Ball não são bons exemplos, são exceções da regra... E quando falo em êxito comercial, refiro-me a lançamentos de cadernos, mochilas, etc...

Em todos estes anos, o que percebemos é que o público teen (10, 11, 12 anos) feminino não se liga mais em animação a ponto de sair por aí com uma mochila... Mas do que os garotos, as meninas se sentem mocinhas primeiro. Ou seja, Sailor Moon, por exemplo, não é mais para este público. Anos atrás até poderia ser, mas hoje... não mais. A Sandra é pessimista? Não. O público feminino consome tanto - ou até mais - que o masculino. Mas, nesta faixa etária, quer outra coisa. Há muitos pontos que fazem os animes não serem bem sucedidos atualmente.

Já bati neste assunto, mas vou bater novamente: não há nenhuma empresa de animes (entretenimento) no Brasil. Imagine a seguinte situação: Nickelodeon, Disney, Warner, Sony, BBC (se não me engano) estão fisicamente no Brasil. Os executivos podem ir mais facilmente às emissoras, almoçar, fazer um happy hour, jantar, etc.  Muitas das decisões não são em salas de reuniões, mas sim em momentos como estes. Daí, você emissora pena: "há empresas aqui querendo me vender produtos e que se instalaram no Brasil. Elas acreditam em nosso mercado..."

Daí, vem uma empresa de fora, que não conhece direito nossa sociedade, que tem hora marcadíssima para fazer uma visita e também quer vender um produto. Quem você, caro navegante, botaria mais fé? "Esta empresa de fora não acredita em nosso mercado o suficiente para se instalar aqui? Possivelmente, ou a empresa não é grande, ou os produtos dela não são tãaaao confiáveis a ponto de me dar lucro", pensa a emissora. Ou seja, a lábia da empresa de fora tem que ser muito melhor... Fora que, imagine uma empresa que sempre lhe oferece a mesma coisa, sempre. Se você é emissora vai pensar? "puxa, eles não têm nada novo"? O mercado é muito cruel.

Existe um conjunto de fatores desfavoráveis ao mercado de animes no Brasil, hoje. Isso é eterno? Não. Porque a sociedade muda. Mas, hoje, é bater a cabeça na quina da parede achar que certos títulos, nas circunstâncias que vivemos, darão certo.

Além disso, no universo dos fãs e não das massas, é difícil agradar a gregos e troianos quando se fala de redublagem, por exemplo. Haverá sempre e sempre, alguém insatisfeito... E sempre haverá problemas com animes polêmicos, com "muita" violência ou que tenham em seu conteúdo a homossexualidade. Como lidar com tais situações em uma sociedade como a nossa?

Enfim, curto muito animes. Mas não sou passional. Sei que um InuYasha, por exemplo, não tem condições de ser exibido aqui, mesmo eu adorando este anime! É uma constatação com base em diversos elementos do Brasil e não de fora: cultura, sociedade, situação da empresa... etc. Não é uma questão de bola de cristal...

Só para lembrar, anime é produto e tem que ser bem trabalhado. Se não for, acontece o que temos visto, em que só funciona um anime ou outro e determina situação específica... Se a realidade for pessimismo... Não é a sociedade do Japão, dos EUA ou Itália que temos que analisar, a sociedade que temos que analisar é a nossa!

 
 
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5 comentários:

Ferio disse...

Não entendo porque a complicação de algumas pessoas com suas palavras. Para mim não é só uma questão de opinião, mas também de bom senso.

Séries, desenhos, filmes antigos raramente voltam a fazer sucesso. E os poucos que o fazem, são exceções. Na verdade eles até poderiam voltar mas, como você falou, não como prato principal e sim como "sobremesa".

Cada ano centenas de animes novos são produzidos. A gente não pode se aferrar ou se bitolar nos de sempre. Os tempos são outros, a mentalidade é outra, o mercado mudou, o mundo mudou! Eu adoro Macross, Nausicaä e um monte de outros animes antigos de paixão. Mas é preciso estar aberto a coisas novas. Tem tanto anime legal novo saindo, com idéias e temáticas nunca exploradas.

E convenhamos, você não pode obrigar uma criancinha a jogar Pac-Man e esperar que ela goste.


Aproveitando, parabéns pelo livro! Na primeira oportunidade que eu tiver vou leê-lo.

Celbi P. disse...

Eu acho que há um certo exagero nas críticas do pessoal, mas há vários pontos discutíveis. Inclusive discordo do que diz o rapaz antes de mim. É possível sim outras gerações consumirem e gostarem de produções antigas. E isso não se aplica apenas a desenhos animados - que tal STAR WARS e 007?. Sobre as citações da Sandra:

"Só acho que por uma questão de tempo, espaço, mudança de conceitos, culturais e sociais, cada título tem seu tempo. Não é possível querer que a juventude atual se afeiçoe aos gostos dos antepassados"

Acho que há inúmeros casos de reprises bem sucedidas. Jornada nas Estrelas, Perdidos no Espaço, Jeannie é um Gênio, Zorro, I Love Lucy (TV Cultura), A Feiticeira... o Pica Pau (que nem série é!).Lembro que muita gente criticou o SBT por desenterrar em 1989 o seriado "Os Monstros" por ser velharia, e na época foi vice-lider de audiência. Lógico que reprises renderão menos produtos, mas há uma imprecisão de análise aí.

A questão "tween" é sim muito válida e é um dos maiores desafios na análise dos sucessos atuais. Ainda que, ao mesmo tempo, os fenômenos acabem ruindo a teoria de fragmentação já que esse público geralmente representa uma grande massa de garotos e garotas dos mais variados gostos.

O ponto que discordo frontalmente e respeitosamente é sobre a presença da empresa estrangeira no Brasil ser decisiva para emplacar produtos. É uma tese que necessita de melhor embasamento. A Disney não estava no Brasil até metade dos anos 90 e sua presença, via Redibra, era muito forte e por vezes mais positiva nas áreas de video, TV aberta e editorial. É uma questão relativa. Por sinal, o magnata da News Corp. (FOX) Rupert Murdoch vem ao Brasil falar com o presidente Lula para discutir negócios no Brasil (coisa para ficarmos de olho). E a BBC está presente no Brasil (sua redação fica no bairro de Pinheiros em São Paulo).

Sobre a questão cultural.. vi a discussão sobre a Itália. Mas também é uma questão relativa. Eu não considero esses consumidores italianos culturalmente "superiores" ou tão diferentes dos brasileiros. È uma questão de respeito e organização dos lançamentos. Não dizem que quadrinhos Disney é "coisa do passado"? Na Itália os quadrinhos continuam populares (mesmo que se registrem quedas de vendas). Só que a própria Disney tem um trabalho muito bom de promover as HQs em diversas mídias (TV, Internet, revistas) - coisa que falta aqui. Então, mais uma vez, seria relativo alguém dizer que as HQs Disney são antiquadas. Não estou dizendo que você (Sandra) afirmou isso. É mais para contextualizar com a discussão do outro post sobre o tema.

Agora, não veria mal algum, por mais que você esteja negando, que sua perspectiva seja pessimista. A partir do momento que você lista prováveis variáveis que impedem um potencial sucesso, você está listando fatores negativos que podem ser melhorados. Eu tenho perspectivas negativas sobre a Pixar, e nem por isso deixam de ser pragmáticas ou realistas.

Cecilia Cavalcanti disse...

É que tem um pessoal que não aceita que nada em Jonas Brothers, Restart, etc possa ser bom.
Gostando ou não de Jonas Brothers e cia, a Disney em questão de dublagem e produção é perfeita.

Alsan Matos disse...

Então me permita analisar a nossa sociedade.

Nossa sociedade é uma sociedade idiotizada e oprimida pelos patrões. Temos uma minoria pretensamente intelectualizada, que vive na ilusão de saber muito das coisas, mas que na verdade são apenas programados pelos patrões pra realizarem tarefas de nível avançado. São tecnocratas tão bitolados quanto o povão, com o prejuízo de estarem na tomada de decisões, decidindo sempre a favor do patrão sem preceberem que o fazem. Nesse grupo "elitizado" estão pessoas como Sandra Monte.

A maioria é o povão (ou a "massa", como queiram). Esses são assumidamente idiotas. Em muitos casos, eles desenvolvem até um certo "orgulho" em serem tapados (como no caso do orgulho do gueto, p.ex.). Mas estes, ao menos, não se deixam enganar: sabem que tem uma força intelectual poderosa que os oprime e amarra seu crescimento cognitivo. Aí eles se defendem com as duas armas mais maravilhosas que Deus deu ao Homem: o Amor e a Intuição.

E se dão bem, acreditem! Melhor que a pseudoelite "intelectual", que pela vaidade de acharem que sabem tudo acabam abrindo mão da unica coisa que NINGUEM, nem mesmo o maior dos poderosos, pode tirar do ser humano: sua ALMA.

Alguns animes são tão bem redigidos, que conseguiram furar o bloqueio dos chefes e, travestidos de diversão bitolativa, conseguiram introduzir muita gente bitolada, tanto do povão quanto da elite, aos verdadeiros conhecimento e reflexão.

Reflitam otakus. Só isso dará a vcs o verdadeiro conhecimento para vencerem essa batalha. Mas reflitam com fé e esperança que as coisas vão melhorar. Não se deixem levar por pessimismos serristas. O serrismo é um cancer no Brasil, promove a exclusão social e o rancor entre as pessoas.

Uni-vos otakus, pois seu inimigo em comum é um só: os famigerados "empreendedores".

sandra monte disse...

"O serrismo é um cancer no Brasil, promove a exclusão social e o rancor entre as pessoas."

Olha, nos pots abaixo eu disse que os "vermlhos" são assim como este cidadão.

Perdão, pq este aí é doido varrido mesmo. Vai para a China... para Cuba então!!! Foge com urgência deste mundo capitalista...

Faça-me o favor...