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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Crise do mercado de animes: criatividade...

Navegantes,
Lá no site do Jbox, começamos alguns assuntos interessantes a respeito de uma eventual crise de criatividade no mercado japonês de animes. Antes de expor minhas considerações, o que tecerei são algumas observações. Obviamente, é meu ponto de vista, não quero converter ninguém a aceitar o que digo. São apontamentos que acredito que estão ocorrendo, ok?
O que tenho percebido nestes últimos tempos, é que, parece, os mesmos títulos têm feito sucesso no mercado japonês. Vá lá... One Piece, Bleach, Naruto... isso para mangás. Para animes: One Piece, Doraemon, Sazae-San, Detective Conan, etc... Parece que não aponta nada novo e que faça um sucesso "arregaça quarteirão". É bom lembrarmos que muitos títulos fazem sucesso lá no Japão, mas aqueles que são os mega hits são poucos. Por que isso tem acontecido?
Assim como no Brasil, a fórmula das novelas parece que já encheu (basta vermos a redução de audiência das mesmas), lá no Japão deve ocorrer algo parecido com os mangás e animes. Imaginem que o que ocorre aqui com o nosso principal produto de entretenimento, também acontece lá com o deles. Há uma crise de criatividade. Lembram da máxima de Chacrinha: "na televisão, nada se cria, tudo se copia?" Pois é... não dá para afirmar... Mas, os japoneses, especialmente os mais novos, podem estar cansados de tanto mangá parecido, tanto anime parecido. Da mesma forma como nós estamos cansados de tanta novela parecida.
Este pode ser um dos motivos para a queda de vendas dos mangás e queda de audiência dos animes nos últimos anos lá no Japão. Afinal, os jovens japoneses tem uma monte de outras coisas para se interessar, como os games - indústria que só cresce - , internet, Ipad e afins, e toda sorte tecnológica que nem fazemos ideia que exista... Também é possível que a redução possa ter ocorrido pela grande crise econômica que abateu aquele país. Mas, daí pensemos: a indústria de games não sofreu muito com a crise econômica...
Enfim, a crise de criatividade no Japão acaba batendo as portas do ocidente. Aos olhos de um programador de TV ocidental, por exemplo, parece tudo igual. Nas grandes feiras de TVs, os caras simplesmente não veem nada novo e nem parece interessante comprar nada novo, já que no próprio país de origem um título X não "arregaçou".
O momento que estamos vivendo é um tanto difícil de mensurar, justamente porque estamos no "olho do furacão". Quando parece que todos os títulos são "iguais", daí temos uma crise. E o público que não é tão fã assim, que é justamente quem movimenta o mercado, começa a se desinteressar... Especialmente no ocidente.
Já era para ter surgido algo "novo", dos últimos três ou cinco anos que apontasse ser um êxito comercial. E que continuasse a "dinastia" de títulos de sucesso no mercado, pelo menos no mercado das Américas. Há uma lógica em uma matéria do Japanaddicted, que aponta que o público americano tem se desinteressado pelos mangás/animes para ligar-se mais aos filmes teens. Consequentemente, os seriados teens também. E vale lembrar que nossos jovens são mais "próximos" de um jovem americano do que um jovem japonês, certo?
Certamente, vai chegar uma hora que este pessoal mais novo vai largar tudo isso (filmes sobre vampiros, seriados bobos, etc) e quem sabe, voltar mesmo a se interessar por animes. Mas, tem que haver algo que chame a atenção. E os teens não são saudosistas...
Se os japoneses continuarem produzindo mais do menos, a coisa vai ficar complicada. Existem várias crises nos mercados de animes, as que tomam conta do Japão e as crises que tomam conta do mundo. Há fatores tecnológicos, mercadológicos e sim, há fatores de cunho criativo.
Normalmente as pessoas não gostam de apontar este como um fator. Mas, quando se há uma crise, a criatividade é justamente uma das que mais sofrem com os "períodos de crises" os quais o mundo passa. Novelas, filmes, seriados, HQs de heróis... E sim, anime não são exceções...
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10 comentários:

Felipe Nasca disse...

Eu acho que o problema é o exagero no chamado "fanservice". Excetuando esses arrasa-quarteirões que você citou, o que temos é uma cacetada de animes "moe" lá no Japão. Coisas como Suzumiya Haruhi, K-ON, etc. É isso voltado para o público masculino.

É normal que exista uma tendência, como houve com robôs gigantes uma época, depois garotas mágicas, montros colecionáveis. Só que hoje esse lance de "moe" tá quase exclusivo, tá ofuscando demais outros gêneros. Eu acho que é porque estão tentando agradar demais os fãs desse tipo de anime (que, convenhamos, são os que compram aquelas dolls supercaras ou pôsteres de "namoradas 2D" em casos mais extremos).

Então, acho que quando alguém resolver chutar o balde e aceitar (porque criar, aposto que já criaram, mas foi rejeitado) publicar / exibir algo bem fora desses padrões, a coisa vai melhorar. Até lá...

hboloko disse...

na questão dos games, sim o mercado japonês esta em crise. As vendas estão diminuindo, e os próprios produtores, como keiji inafune (criador de megaman) e tomonubu itagaki (Dead or alive e ninja gaiden) admitem que o mercado de games japones esta em uma crise de criatividade.

è só ver por exemplo estudios ocidentais, por exemplo a bioware que é especialista em rpg. Seus rpgs estão muito mais populares no ocidente do que os rpgs japoneses, isso porque os japas eram a 1ª potencia neste tipo de jogo, só que eles pararam no tempo, da mesma forma que esta acontecendo com os mangas e animes

Patrick (Matu) disse...

Olá! Novamente concordo com vc! A crise é muito profunda. Ela passa da área econômica (como a crise da bolsa de valores), para o desinteresse do público e da repetição de temas. Existem outros fatores, mas eu creio que estes sejam realmente os principais. A crise econômica "comeu" a receita das empresas japonesas, não permitindo, por exemplo, uma renovação técnica de alguns estúdios. O desinteresse do público japonês se dá pelo surgimento de novas tecnologias que conduzem os mesmos a novas formas de entretenimento. Os roteiros são iguais, dividindo a série em nichos e com públicos distintos. Um infantil masculino terá um Digimon, Pokemon, enquanto que o infantil feminino terá Tokyo Mew Mew, Precure. E assim vão copiando uns aos outros em seus esquemas narrativos. Outro exemplo, Yu Yu Hakusho, Shurato e Bleach em que o jovem personagem principal se descobre dentro de um enredo que envolve o mundo espiritual. Isso é outro exemplo.
Mas o que fazer?
Na parte econômica, só um trabalho árduo, e tempo, para equilibrar as receitas das empresas, para que elas possam investir em pessoal (animador ganha muito pouco por lá) e na parte técnica. O desinteresse do público pode ser passageiro. Pode-se desenvolver trabalhos que agreguem as novas tecnologias aos animês e trazer o público de volta. Na repetição de temas é só criar algo que seja novo, ou que use estes clichês antigos de forma nova.
Escrevi muito, desculpe. Mas essa é a minha opinião. Desculpem qualquer coisa que eu tenha dito.

John's Chronicles disse...

Até os arrasa quarteirões estão em crise. Bleach p/ exemplo começou muito bem, mas a narrativa começou a se arrastar (igual a Naruto q foi assim desde o começo) valorizando as lutas em detrimento do desenvolvimento da história.
Os editores forçam os autores a esticarem ao máximo as lutas cheias de explicações mirabolantes ao invés de dizer o motivo pelo qual estão lutando. Até entendo isso p/ ser uma necessidade do mercado. Gostava de One piece, q apesar de ter as esticadas de praxe sempre tinha histórias engraçdas e sempre desenvolvia seus personagens muito bem. Pelo menos até onde a Conrad publicou...

Musashi disse...

Crise de criatividade ou crise de oportunidade? Os comentários anteriores citaram corretamente a crise econômica e acredito q este seja um dos principais (ou o principal) motivos pela falta de renovação no mercado de animes/mangás. Observando um pouco a história da animação japonesa moderna, vi que a cada década, mais ou menos, apareciam 1 ou 2 títulos que atingiam status de revolucionário, ou então seu sucesso era estrondoso a ponto de ecoar no ocidente...Nos anos 80, um exemplo foi Dragon Ball, nos anos 90 podemos citar Pokemon, Evangelion...E depois do ano 2000? Até agora não apareceu AQUELE título capaz de ser capa da TIME...Por que não surgiu ainda esse título revolucionário de sucesso estrondoso? Eu culpo a economia...Apesar de a bolha econômica japonesa ter estourado no início de 90, essa época foi uma das mais ricas na animação japonesa. Por quê? Não sou economista, mas acredito que seja porque a crise ainda não havia chegado ao consumidor final, o leitor...Só depois de vários anos é q a crise começou a afetar o cidadão comum...e a partir daí começa um círculo vicioso...o consumidor gasta menos, por causa disso a indústria vende menos, daí ela produz menos, e produzindo menos o preço sobe, o consumidor gasta menos ainda e por aí vai...numa bola de neve como essa, os empresários costumam arriscar menos...e daí começa a crise de criatividade (ou crise de oportunidade)...Resumindo: diante de uma crise econômica voraz, é comum que os empresários prefiram o caminho mais seguro, ou seja, investir na fórmula q já está dando certo...por isso até agora só vemos repetição atrás de repetição...Mas eu também acredito que cada década tem o seu blockbuster. O dos anos 2000 ainda não apareceu, mas me arrisco a chutar que em 5 anos, no máximo, vai aparecer.

Othon Pereira de Noroes disse...

Os desenhos animados estão perdendo espaço!

Tá tudo chato na TV, mas há esperança!



Não curto fazer textos apocalípticos (apesar de abusar deles), mas, infelizmente, terei que fazer mais um. Pessoal, é com imenso pesar que digo: os desenhos estão perdendo espaço!

Em 2000, estreava no mundo o canal Boomerang, que tinha a ideia original de exibir apenas clássicos, como Pica-Pau, Looney Tunes, clássicos da Hanna-Barbera, entre outras animações. No auge da brincadeira, tínhamos Cartoon Network, Nickelodeon, Fox Kids, Boomerang e Disney Channel. Todos com a programação voltada, em sua maioria, para exibição de desenhos animados, dos quais Cartoon e Boomerang, exibiam apenas desenhos.

Enfim, eis que estamos em 2010 e os animados estão perdendo cada vez mais espaço na grade de programação destes canais. Fox Kids virou Jetix que depois virou Disney XD, Boomerang sofreu uma profunda reformulação e de clássicos, começou a exibir novelinhas adolescentes que já passaram na BANDEIRANTES e SBT e exibe alguns filmes que subestimam a inteligência infantil, ou melhor, humana. E o Disney Channel, bem, é Disney, não evolui faz tempo e depois que deu um golpe de sorte com High Scholl Musical, só sabe fazer séries idiotas com música, com destaque para a chatíssima Hanna Montana.

Agora as duas que já falei várias vezes aqui e, por sinal, sempre conseguem me surpreender. A Nicke até que mantém o mesmo nível, já que ainda tem os desenhos como maioria em sua programação e com bons títulos, como Bob Esponja, Pinguins de Madagascar, Padrinhos Mágicos e o Nickenite (que está exibindo atualmente Ren & Stimpy, Dogcat, O Mundo de Rocco, entre outros). Mas deu uma aumentada no espaço para as fucking novelinhas, como Isa TKM, ICarly, Drake & Josh, entre outras do nível das exibidas no Boomerang. Por sorte, os principais desenhos passam no horário nobre do canal.

Já, o Cartoon, acho que está esperando a pá de cal. Recentemente resolveu diminuir o espaço dos desenhos e exibir filmes. Já perdi a conta de quantas vezes que Máskara e Esqueceram de Mim foram exibidos. Apenas Luzes, Drama e Ação (que é praticamente uma continuação de Ilha dos Desafios), Flapjack e Chowder tiram algumas risadas e possuem algumas boas sacadas. Para quem já teve Adult Swim, Cartoon Cartoons, Toon Live e Big Bag, é uma tremenda decepção. Parece que o fosso que a galera do CN entrou a partir de 2005 nem tão fundo.

Esperança

A esperança está no Tooncast, um canal da Turner, (mesmo grupo do Cartoon e do Boomerang ou seja PERIGO), que tem a mesma proposta do início do Boomerang: exibir clássicos!

Problema que poucas operadoras de TV assinatura o disponibilizam em suas grades, ou então só é disponível nos pacotes mais caros. A razão é simples, as operadoras têm medo que o canal tenha o mesmo destino do Boomerang e, no final, tenham vários canais exibindo a mesma coisa. Espero que não, curti o Tooncast porque além dos clássicos da Hanna-Barbera, Warner Bros, MGM, Filmation, Universal, entre outros, ele também exibe os clássicos do Cartoon Network, como Coragem, Johnny Bravo, Laboratório de Dexter, A Vaca e o Frango, Meninas Super Poderosas, entre outros Cartoon Cartoons que fizeram do Cartoon Network o canal referência entre os desenhos, coisa que não temos hoje em dia.

Vou ficar na torcida (e encher o saco da minha operadora) para ver se a Net traz o Tooncast para a grade de programação.

O restante que se lixe!

E vocês? Concordam, descordam, preferem Isa TKM? O espaço aí de baixo é para isso.


fonte:

http://baconfrito.com/os-desenhos-animados-estao-perdendo-espaco.html

Kaen disse...

É complicado, é como você disse: os canais e lincesiadores não se interessam por algumas novidades e o público também não!

Othon Pereira de Noroes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
L.Karina disse...

Concordo com o que você disse no artigo,Sandra.Deve ter haver também com a crise economica,as editoras preferem a fórmula que fez sucesso ou reprises,como a Sailor Moon(que eu acho que será um fracasso aqui no Brasil).Mas realmente tudo parece mais do mesmo até a arte dos mangás e animes tá muito igual.E faz tempo que eles não têm um arrasa quarteirão fieto Dragon Ball.

Mas parece que essa crise criativa é geral,basta ver o número de refilmagens e filmes de super-heróis que Hollywood têm produzido.

Patrick (Matu) disse...

Passei para deixar um link de um vídeo feito pelo pessoal do site Anime News Network (ANN) com o Estúdio Pierrot (Bleach, Naruto, Yu yu hakusho e Blue Dragon). O presidente fala sobre o estúdio, pirataria, streaming e crise da indústria. Enquanto isso, passeamos pelo estúdio e conhecemos seus departamentos e suas tarefas. Muito bom, eu recomendo! Ah, está em inglês.

http://www.animenewsnetwork.com/video/8668/