Renato Siqueira
– conhecido por trabalhar no mercado de animes e games – fez um post interessante em seu blog. Em "Otaku ocidental não consome nada!", ele tece algumas considerações sobre consumo. Que otaku brasileiro não consome nada, que pega tudo da net.
Mas, daí, pensamos em outros pontos. Será mesmo que existe um grande número de otakus brasileiros? Para mim, isso é a mais pura ficção. A galera que vai em eventos não é "otaku". São os jovens da modinha. E como estes eventos viraram uma verdadeira miscelânea, temos a impressão que há um grande número de "otakus". Não há.
Daí, temos outro ponto. Os poucos que existem, realmente pegam tudo pirata. A cultura do brasileiro de classe média é o de se dar bem. "Para que comprar oficial se posso ter de graça?" É assim? Sim, é assim. Siqueira esqueceu de falar que os eventos em nada ajudam no dilema. Se pararmos para ver, cerca de 80% dos produtos destes eventos são piratas. Daí, entramos em um ciclo vicioso. As empresas não investem porque sabem que não terão lucro e, quando investem, o produto sai caro.
Mas, parte da solução – se é que existe – já mencionei aqui várias vezes. Quem visita o Papo de Budega, sabe que sou a favor de uma melhor utilização das mídias digitais. Que a solução está justamente nelas. Por exemplo: tenho visto InuYasha Final Act de forma pirata. Eu gostaria muito de ver oficialmente, mas a Viz Media não libera para a América Latina. E por aí vai. Não é só ela.
A questão é: por que as distribuidoras não liberam logo de uma vez? Para mim, está cada vez mais claro; Porque não há distribuidor no Brasil. O que existe é – no máximo – licenciador. Porque a Disney consegue tão facilmente vender seus produtos? Porque ela própria é a distribuidora.
Certo, muitos de vocês podem dizer: "mas a Disney é major..." (major são as mega empresas de comunicação do mundo. São apenas seis majors: Disney, Warner, Paramount, Universal, Fox, Sony. Estas companhias são donas de vários tipos de conglomerados, e de forma geral, são elas que determinam as formas de entretenimento e de pensamento no mundo). Enfim... A única major que teria justamente como fazer distribuições no Brasil não se interessou porque não há público suficiente. No caso, a Sony, a dona do já quase extinto canal Animax.
Mesmo assim, haveriam brechas para algumas empresas se instalarem aqui. A própria Viz Media e Toei Animation. Mas, pelo sistema delas, não há interesse em ser a própria distribuidora em um país latino. Daí, temos o esquema de licenciamento que não funciona. Basta ver o que acontece como Naruto.
Isso pode mudar. Basta as empresas verem o potencial da internet e de outras mídias como celulares. Elas têm que ter outras formas de licenciamento (já que é o que existe...), devem esquecer um pouco as TVs abertas e analisarem com mais aprumo quem realmente é o público que curte animes. O que ele tem, o que ele acessa. E serem mais rápidas. Porque segunda temporada de Naruto na TV aberta, sério... ninguém merece. Em que capítulo Naruto já está mesmo no Japão?
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