Desejo: Boas Festas...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O Congresso há de fazer justiça!!!

Navegantes,
Jornalista não é cozinheiro. Tenho percebido que tem-se atacado muito a profissão de jornalismo e a necessidade do diploma. Bem, sempre deixei claro que sou a favor do diploma. Um dos motivos é pelos vários estudantes, assim como eu, que se matam para ter uma profissão digna.
Há jornalistas sem ética, sem escrúpulos? Sim, há e muitos. Assim como advogados, engenheiros, contadores, etc. Se pararmos para pensar, há muitas profissões que não necessitariam de diploma. Certo? Certo. Mas, por que para jornalista é necessário?
Oras, porque é, talvez, a única forma do mercado não ser tomado completamente pelos QIs. Sim, já imaginaram o que aconteceria em médio e longo prazo? Os donos das empresas jornalísticas fariam o que é mais fácil, chamar os seus para trabalhar como jornalistas. Seria o total e completo domínio do QI. Há jornalistas formados "vendidos"? Sim, há. Mas, a maioria que se "rebela" nas redações é justamente a maioria que entrou por mérito e não por QI.
O problema é que hoje, discute-se pouco nossa estrutura de comunicação. O quão falha ela é. E o que fazer para melhorá-la. O jornalista é parte de toda uma estrutura deficiente. Uma estrutura que, quanto menos gente livre, melhor. E sim, enquanto for necessário, as empresas contratarão os seus, mas terão que contratar também os "livres". Por isso, diploma sim!
E enfim, leiam a notícia que está no site da Federação Nacional dos Jornalistas.

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3 comentários:

Alexandre Nagado disse...

Sandra, como um redator que nunca se apresentou como jornalista (mas que frequentemente é chamado de), gostaria de tecer alguns comentários.

Concordo com muita coisa do que diz. Mas discordo totalmente da sua defesa do diploma. O risco que se corre é o da briga por trabalho. Quem tem diploma contra quem não tem, lutando por dinheiro pra sobreviver.

Nos EUA, Europa e Japão, não é obrigatório diploma de jornalismo para escrever pra jornais e revistas. Lá o mercado da informação tem amadurecido a ponto de permitir que o próprio mercado regule a qualidade. O QI desacompanhado de qualidade e esforço tende a sumir com o tempo, pois o mercado é implacável.

No Brasil, grandes talentos do jornalismo abandoraram o barco quando o diploma se tornou obrigatório décadas atrás. Outros se registraram como jornalistas mesmo sem ter faculdade porque a lei permitiu que, quem já exercesse a profissão quando a lei entrou em vigor, pudesse se registrar.

O jornalista Mino Carta é um feroz crítico da exigência de diploma para jornalista. Diz que jornalismo é talento, cultura, discernimento, ética. Isso faculdade nenhuma oferece.

Um escritor de livros (como Dan Brown, Paulo Coelho), pode inflenciar a sociedade muito mais do que qualquer jornalista. E a nenhum escritor é pedido diploma de letras.

Uma vez defenderam que charge de jornal era algo que formava opiniões e por isso o desenhista deveria ser formado em jornalismo para garantir que fosse capaz de expressar ideias políticas através de ilustrações. Caiu no ridículo a idéia.

Enfim, Sandra, não escrevo para convencê-la a mudar de opinião, e sim para mostrar uma outra opinião, um outro lado, que não está pensando em garantir trabalho. Até porque meu ofício é ilustrar e eu escrevo eventualmente.

Não me considero jornalista, mas já escrevi para publicações como a SET, a FFW MAG (revista oficial da São Paulo Fashion Week), Made In Japan. Em todas elas, procurei seguir normas editoriais e jornalísticas. E procurei isso em livros e aprendi com o mercado e muitas leituras.

O mercado, desde muito antes da discussão sobre a lei, utiliza articulistas e especialistas em diversas áreas, desde que eles se mostrem capazes de atender às exigências profissionais do mundo do jornalismo. E eu não fiz faculdade e nunca me cobraram isso, nem quando fui palestrar em faculdades.

Abraços
Nagado

Alexandre Nagado disse...

Oi. Queria complementar meu comentário anterior. Eu sei que a FENAJ não pretende acabar com os colaboradores, articulistas, etc...

Mas o que define uma pessoa conhecer o assunto a ponto de escrever sobre ele? Ok, eu escrevo sobre HQ e sou desenhista. Mas eu já escrevi profissionalmente sobre música sem ser um músico por profissão. Mas eu gosto e mostrei conhecimento. Suponha que eu deseje escrever sobre política. Se eu me apresentar a uma redação mostrando que conheço o assunto, poderiam me deixar escrever ou iriam checar primeiro se sou jornalista?

Esse debate é ótimo para ajudar a própria auto-regulamentação do mercado.

E parabéns pelo ótimo blog.

abs
Nagado

sandra monte disse...

Olá Nagado,
Aceito sua opinião e das demais pessoas que são contra o diploma.
Mas, aceito, e não concordo.

Infelizmente, o Brasil não tem o nível de desenvolvimento dos países citados. Aqui, as coisas são muito mais cruéis.

Não sou contra colunistas. Mas sou contra redações inteiras serem formadas por pessoas postas só por QI. E isso - como eu disse - já é recorrente, imagine sem diploma.

Para as empresas, sai mais barato pagar para alguém não formado e com experiência, do que para alguém com formação e com experiência.

Como citei, há profissões que com muito estudo, não precisariam de diploma, como é o caso dos advogados.

E um ponto: se a pessoa já trabalha e já se acha jornalista, por que tanta restrição em fazer uma faculdade e aprender mais?
A impressão que tenho que é muitas pessoas têm restrições fortíssimas em aprender. Porque acreditam saber, acham que não precisam mais.

Enfim, são alguns de meus pontos de vista.

Abs,