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domingo, 20 de dezembro de 2009

ANIMA INFO 1105 - ESPECIAL

Lula - O Filho do Brasil


Muitos filmes são esperados por diversos motivos. Um destes casos é Lula - O Filho do Brasil. O título é baseado na história de vida do presidente Lula. Vários fatores contribuiram para que este filme fosse esperado, o principal deles é eleitoreiro. Acredita-se que o mesmo tem caráter eleitoral, pois seu lançamento acontece justamente em um ano eleitoral.
Não apenas isso, mas a esquematização de comercialização para que a imagem do presidente seja aproveitada ao longo do ano ficou clara. A estreia é em 01 de janeiro e o lançamento do DVD em maio, e com preço promocional nunca visto antes para um lançamento em disco.
O filme - segundo os produtores - não teve apoio fiscal nem municipal, estadual ou federal. Entretanto, este artigo coloca em xeque a estreita relação existente entre o poder. Seja ele governamental e/ou comunicacional.
Ou seja, apesar do produtor Luiz Carlos Barreto, idealizador do projeto dizer que: “Não fizemos um filme sobre um político ou o presidente da República, mas sobre um homem comum, sua família e a extraordinária capacidade de superar dificuldades,” é muito difícil não pensar no caráter eleitoreiro. Há toda uma estratégia de veiculação orquestrada para os momentos "ideais" do contexto eleitoral. Por tudo isso, perguntamo-nos se Carlos Vereza não estava certo em entrevista dada ao Jô Soares anos atrás.
Mas, e o filme? O que dizer da obra em si, por ela mesma. Alguns colegas jornalistas chegaram a comparar Lula - O Filho do Brasil a Dois Filhos de Francisco. Um cidadão pobre que consegue - com muito esforço - se dar bem na vida. A questão é: o filme não mostra este "esforço". Em muitas ocasiões, podemos pensar que Lula chegou onde chegou não por méritos, mas sim por golpe de sorte.
Além disso, os momentos que mais devem ter sido marcantes na vida do presidente não foram contados. Ou houve passagem muito rápida - como a vida no nordeste e viagem a São Paulo. E o "time" do longa-metragem é muito lento. As situações demoram a acontecer. O espectador fica ao longo de uma hora de filme - que tem duas horas - esperando que algo aconteça e que, quando pensa-se que vai acontecer, não ocorre nada. Ou seja, uma falha enorme na dinâmica do roteiro.

Fora isso, o título tem problemas de caráter técnico sérios. O figurino não convence, a fotografia não convence. Até mesmo as locações - que são reais - não convencem. Quando se vê um filme como Central do Brasil e depois Lula, é possível notar estas diferenças técnicas.
Por fim, mesmo com alguns bons atores, a interpretação do protagonista não convence. Em algumas ocasiões, Rui Ricardo Diaz fala com o tom de voz próprio, em outros, ele tem imitar Luis Inácio. Nem mesmo a grande atriz Glória Pires tem uma interpretação muito interessante como dona Lindu. E o motivo, ao final do filme, parece óbvio: faltou uma direção firme.
Ou seja, a obra por ela mesma não se sustenta. Em nenhum dos pontos de base - roteiro, direção, interpretação - de um bom filme, Lula - O Filho do Brasil consegue caminhar. É bem provável que faça sucesso não porque seja bom, mas pela intensidade do marketing que haverá em 2010.
Lula - O Filho do Brasil, desconsiderando toda a história do longa-metragem, é um filme regular. Dá sono. Quem lembrar das matérias de Globo Repórter e demais especiais na ocasião da vitória do presidente em 2002, certamente achará que estas foram bem mais emocionantes que o filme. Que, grosso modo, "destruiu" com a história de vida de uma das personalidades mais importantes da pólitica nacional.
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3 comentários:

Cecilia Cavalcanti disse...

Sobre ser de caráter eleitoral creio que esteja mais pra um tipo de homenagem ou um paparico para o presidente Lula. Afinal, ele já conseguiu o carisma do povo, foi reeleito não há razão para fazer um filme com esse propósito

E comparar com o "Dois filhos de Francisco" deve ter semelhanças mesmo, pois um filme mostrando brasileiro sofrendo e ganhando a vida fez sucesso.

Moacir Torres disse...

Mesmo com o Lula no poder ele não fez tanta coisas para o povo dele e o Brasil em geral, pois cena iguais a essa do filme acontece no hoje do mesmo feito que era quando era criança. Parabbéns pela matéria!

Nasck disse...

Não esperava muito mesmo. Pensaram no resultado eleitoral e não técnico. Aposto que vai funcionar. Brasil é isto.