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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Existe otaku brasileiro?

Renato Siqueira
– conhecido por trabalhar no mercado de animes e games – fez um post interessante em seu blog. Em "Otaku ocidental não consome nada!", ele tece algumas considerações sobre consumo. Que otaku brasileiro não consome nada, que pega tudo da net.
Mas, daí, pensamos em outros pontos. Será mesmo que existe um grande número de otakus brasileiros? Para mim, isso é a mais pura ficção. A galera que vai em eventos não é "otaku". São os jovens da modinha. E como estes eventos viraram uma verdadeira miscelânea, temos a impressão que há um grande número de "otakus". Não há.
Daí, temos outro ponto. Os poucos que existem, realmente pegam tudo pirata. A cultura do brasileiro de classe média é o de se dar bem. "Para que comprar oficial se posso ter de graça?" É assim? Sim, é assim. Siqueira esqueceu de falar que os eventos em nada ajudam no dilema. Se pararmos para ver, cerca de 80% dos produtos destes eventos são piratas. Daí, entramos em um ciclo vicioso. As empresas não investem porque sabem que não terão lucro e, quando investem, o produto sai caro.
Mas, parte da solução – se é que existe – já mencionei aqui várias vezes. Quem visita o Papo de Budega, sabe que sou a favor de uma melhor utilização das mídias digitais. Que a solução está justamente nelas. Por exemplo: tenho visto InuYasha Final Act de forma pirata. Eu gostaria muito de ver oficialmente, mas a Viz Media não libera para a América Latina. E por aí vai. Não é só ela.
A questão é: por que as distribuidoras não liberam logo de uma vez? Para mim, está cada vez mais claro; Porque não há distribuidor no Brasil. O que existe é – no máximo – licenciador. Porque a Disney consegue tão facilmente vender seus produtos? Porque ela própria é a distribuidora.
Certo, muitos de vocês podem dizer: "mas a Disney é major..." (major são as mega empresas de comunicação do mundo. São apenas seis majors: Disney, Warner, Paramount, Universal, Fox, Sony. Estas companhias são donas de vários tipos de conglomerados, e de forma geral, são elas que determinam as formas de entretenimento e de pensamento no mundo). Enfim... A única major que teria justamente como fazer distribuições no Brasil não se interessou porque não há público suficiente. No caso, a Sony, a dona do já quase extinto canal Animax.
Mesmo assim, haveriam brechas para algumas empresas se instalarem aqui. A própria Viz Media e Toei Animation. Mas, pelo sistema delas, não há interesse em ser a própria distribuidora em um país latino. Daí, temos o esquema de licenciamento que não funciona. Basta ver o que acontece como Naruto.
Isso pode mudar. Basta as empresas verem o potencial da internet e de outras mídias como celulares. Elas têm que ter outras formas de licenciamento (já que é o que existe...), devem esquecer um pouco as TVs abertas e analisarem com mais aprumo quem realmente é o público que curte animes. O que ele tem, o que ele acessa. E serem mais rápidas. Porque segunda temporada de Naruto na TV aberta, sério... ninguém merece. Em que capítulo Naruto já está mesmo no Japão?

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4 comentários:

Rafael disse...

Outro detalhe é que as empresas de video estão lançando material de baixa qualidade, eu assisti Jaspion e vi umas coisinhas:erros de português (nada grave), uns textos das legendas eram iguais as falas dubladas em português!
A Selecta Vision lançou ano passado acho Saint Seiya numa qualidade foda, ela restaurou o audio e video, ficou numa qualidade muito foda! E a Playarte faz o que com animes?

Caio Murdock disse...

Acho que a quantidade de Otakus no Brasil é pequena, mas cresce a cada dia. Acho que os animês, mangás, games, tudo do gênero ainda é rotulado com o selo da marginalização, do conteúdo sem qualidade, do pré-conceito. Falta um pouco de seriedade de ambas as partes, de nós otakus e a sociedade. Aí o quadro muda.

Thiago disse...

Acho que um ponto importante que as empresas por aqui esquecem e depois reclamam que não vende ou não faz sucesso. Como um anime de 10 anos atrás, 8 anos atrás ou 5 anos atrás vai fazer sucesso por aqui se lançado AGORA? Porra.... One Piece chegou por aqui com quase 10 anos de atraso... Naruto um pouco menos, mas no Japão já estavamos mais de 200 episódios à frente. Não há mesmo a menos possibilidade dos canais competirem com a internet assim. Ninguem vai largar a internet para ver animes de 5 anos atrás. Precisa sim ser mais rápido. House, Big Bang Theory, Supernatural e tantas outras séries hypadas por aqui não estão estranado na TV pagas com 1/2 meses de diferença da estréia americana?? Porque os animes precisam sofrer estes atrasos de anos?

Acabou de estrar no japão o arco final do Inuyahsa e o esperaod Fairy Tail. Quando que estes animes chegarão por aqui? em 2014? Quem vai ter saco de esperar até lá?

Outra coisa que fiquei meio desanimado com o Animax quando assinei a Sky faz uns 2 anos atrás... só tem anime velho no canal, sendo reprisado a exaustão... Death Note chegou esse ano... fala sério... até mesmo o mangá chegou a sair por completo no Brasil, antes do anime. Bleach até pouco tempo atrás no animax estava na saga da soul society... enquanto isso a Panini já está colando pau a pau com o mangá japones.

Os animes no Brasil precisam fazer o que as editoras brasileiras vem fazendo com os mangás... lançamento quase que simultaneo com o japão.

Não adianta falar que Otaku no Brasil não consome. Não mesmo, aqui chega tudo com anos e anos de atraso. Album de figurinha do Naruto dos primeiros 100 episódios? Aff....

É muito fácil para as empresas reclamarem... mas elas param para pensar no produto defasado com o tempo?

É possível competir com a internet? É claro que é, mas preciso ter uma das melhores ser tão ágil e rápido quanto.

programas e desenhos americanos chegam aqui com meses de atraso... mas pouca coisa.... porque os animes precisam de anos para pintar por aqui? sem mencionar que em matéria de animes, estes tem muito mais episódios que os desenhos americanos que em geral fecham temporadas com 13/20 episodios por ano.

Masked Muchacho disse...

Tudo isso é a mais pura verdade. Os eventos de anime obviamente são pops, mas a maioria dos frequentadores não passam de um monte de pessoas alienadas, que gostam desse momento pop. Otaku de verdade tem opinião própria, critica esse bando eventos bagunçados, sabe o que é bom para a mercado de animes no país e o que não é. Essas pessoas são um nicho do evento...

Otaku que é otaku tem que ler o Papo de Budega também XD~... Sandra Monte abre os olhos dos otakus bitolados