Desejo: Boas Festas...

domingo, 5 de abril de 2009

Questões do jornalismo atual...

Esta semana houve um certo auê por conta de algumas questões do jornalismo. Um deles foi em relação a Lei de Imprensa. Que está lei necessita de reformas urgentes, ninguém nega. Mas, acredito que como qualquer lei, deve-se tomar cuidado para que as mudanças não privilegie a falta de noção, compostura e respeito dos jornalistas.
Outro ponto comentado foi a questão da regulamentação da profissão de jornalista. Vi uma "coleguinha" da Folha defender a desregulamentação. Ela afirmava que é possível ser jornalista sem o diploma, que o mesmo não garante qualidade.
Realmente, isso é verdade. Vemos grandes absurdos a serem escritos, especialmente em assuntos de caráter nacional. Entretanto, acredito que o problema não está exatamente na questão da qualidade. Está na questão da segurança.
Vocês podem perceber que toda profissão que não tem regulamentação sobre com o "pago o que quiser" do mercado. Sim, você leu esta palavra mesmo: mercado. Quem defende a desregulamentação, e lamentavelmente alguns são jornalistas, esquecem que no Brasil as coisas necessitam de regulamentação. Se não houver, o objeto em questão fica largado às traças. Querem um exemplo de profissão sem regulamentação que os profissionais sofrem com a questão financeira: desenhistas e ilustradores.
Não há regulamentação, logo não há nenhum tipo de proteção e nem tabelas de preços. Daí, o desenhista ou ilustrador fica refém do que o "mercado" quer pagar. Alexandre Nagado vira e mexe fala do problema.
Sou a favor da regulamentação. Mais por uma questão de proteção dos profissionais do que pela tal qualidade. Que, diga-se de passagem, pode melhorar se o governo der menos concessões a faculdaddes fajutas. Não se mede a qualidade de um jornalista pelo diploma. Mas, certamente, vai se medir e nivelar para baixo o valor do profissional. Afinal, regra básica do capitalismo: vamos formar mão-de-obra excedente para não nos preocuparmos com a grana.
Triste...
←  Anterior Proxima  → Inicio

6 comentários:

Tiago Cordeiro disse...

Sandra, mas os profissionais formados já são fraquíssimos. Tenho sinceras dúvidas de que não seria melhor ter profissionais de outras áreas ou até mesmo gente que não é graduada - trabalho com um que é mais inteligente e apto à profissão do que boa parte dos colegas que se formaram comigo e não tem diploma algum - para a profissão.

Entendo o que você está falando, mas sinceramente, não vejo como ficar pior. Jornalistas já são mal pagos e a tendência é que os jornais precisem mais de bons profissionais, que não são baratos. Ou correm o risco de se tornarem irrelevantes.

E, por curiosidade, já fui assessor e repórter, mas nunca me pediram diplomas nesses empregos.

Adoro seu blog, mas é a primeira vez que leio.

Xongas disse...

Mas e daí ser refém do mercado?
Sou ilustrador e acho que se o meu empregador prefere o economizar e pagar o sobrinho dele que mal sabe desenhar para fazer o meu trabalho, é direito dele. Cabe a mim convencê-lo de que sai perdendo, não posso obrigá-lo a me contratar! Ele precisa escolher espontaneamente.

Alexandre Nagado disse...

Oi, Sandra.
Muito pertinente o assunto e concordo com a parte de regulamentação de mercado. Essa parte é dificílima de conciliar com tantos interesses.

Eu não acredito que a regulamentação da profissão de ilustrador deva passar por algum curso universitário ou mesmo profissionalizante. O mercado tem suas exigências.

Também sou contra a exigencia de diploma para se escrever. Até porque construi uma carreira nos anos 90 escrevendo regularmente sobre cultura pop japonesa sem ser universitario. O mercado filtra os profissionais de fato e os para-quedistas sem embasamento.

Mas você está certa na questão financeira. Sem algum controle, cada vez mais e piores profissionais poderão puxar cifras pra baixo.

O ideal seria que os profissionais conseguissem nivelar melhor o mercado, mas sempre alguém vai aceitar um preço menor que o outro só pra pegar o trabalho. Isso é capitalismo.

Não tenho soluções para a questão, mas acredito que acabar com a obrigatoriedade do diploma vai ser um duro golpe nas fábricas de diploma, que serão obrigadas a melhorar seus conteúdos para que uma formação realmente faça a diferença, coisa que sinceramente não faz em muitos casos.

Uma vez, fui dar palestra numa faculdade particular. Tres alunas levantaram no meio da palestra dizendo que iam ao Shopping. Outro cheirava cocaína no fundo da sala. E uma que estava atenta fez uma pergunta que eu achei digna de um leigo completo, e não de uma aluna de segundo ano.

Enfim, esse tipo de discussão é mais do que necessária.

abraços!!!!

sandra monte disse...

Entendo os pontos de todos vocês. Acho impotante que o assunto seja discutido.

Mas, alguns pontos deixei claro no próprio texto: há problemas sérios com as universidades e os cursos. Por isso acho que o governo, por meio do MEC, deve ficar mais atento quanto às universidades fajutas.

Há diversos profissionais que atuam no mercado melhor do que muitos jornalistas e isso é fato.

Mas, desregulamentar só dará mais força para as empresas que querem pagar pouco. Se a coisa já está ruim hoje do jeito que está, só tende ficar ainda pior.

Bem, é isso que acredito que ocorrerá. Infelizmente, é a lei do mais barato.

Rafael disse...

Acho que dependendo do que for não seria tão necessário um certificado de jornalismo, o Nagado fez Jornalismo? Não né? Você fez, e ambos escrevem bem! Concordo com você, deve ter regulamentação,só espero que isso não censure e muito menos dê muita asa para quem fala o que fala besteira (como uns jornalistas da folha!)

Falando de tudo disse...

Vale lembrar que em uma vaga de emprego um diploma faz muita diferença.Existem inúmeros jornalistas com diplomas na mão que escrevem barbaridades,mas não é justo condenar o curso na faculdade por esse mal.Acredito que o mal do jornalismo atual é,infelizmente,o ato de sensacionalismo.É bem verdade que o prazer de um jornalista,além de levar notícia,é mudar a péssima realidade existente no mundo,mas isso pode ser feito de diversas maneiras mantendo a ética e respeito.