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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O fracasso do neoliberalismo econômico e social

Olá a todos.
Certos assuntos são muito difíceis de escrever, especialmente quando são polêmicos. Diversos fatos que ocorreram na última semana nos fazem pensar no fracasso que é o liberalismo que se instaurou na sociedade. Seja econômico ou social.
No âmbito econômico, vemos os mercados financeiros entrarem na mais completa convulsão. Esta história do Estado ser mínimo, de não interferir não dá certo, como podemos perceber. Além disso, toda a grana que circula por aí simplesmente não existe fisicamente. É um dinheiro virtual que, se todos nós fôssemos retirar ao mesmo tempo dos bancos, não haveria moeda suficiente... Lembram de 1929? Eis o "glorioso" capitalismo neoliberal que estavam vivendo.
Se pensarmos, o que existe hoje é a mais completa falta de autoridade. E não confundam autoridade com autoritarismo. Em todos os âmbitos... Podemos ver parte deste fracasso no caso de Santo André. Este é o mais completo caso de barbárie e falta de autoridade que nossa sociedade vive.
Parece que todas as instituições possíveis falharam. Para nós que estamos de fora, pode ser até hipócrita falar algo, mas vamos enumerar. A primeira instituição que falhou foi a família. Ou as famílias. Onde todos estavam com a cabeça em deixar uma menina de 12 (ou 13) anos namorar um rapaz de 19 anos?
E ali na hora do vamos ver do sequestro, onde estava a mãe do Lindemberg que não tentou conversar com o filho? Ao que falaram, ela não estava nas proximidades negociando.
Também ao que falaram (ou não falaram), não havia um pastor, padre ou outra autoridade religiosa para dar uma palavra a este moço, quem sabe ajudar a ele a mudar de idéia.
Daí, subindo os degraus, vemos a total falta de bom senso da polícia e do governo. Por que houve tantas trapalhadas em todo o caso, no quesito da polícia? Simples: quem cuida destes casos não é a polícia militar, mas sim a polícia civil. Mas, esta está em greve. O governo paulista não quer negociar com uma polícia que há 14 anos não tem reajuste salarial.
Então, a polícia militar foi cuidar do grosso de um caso que não tem preparo. Certo... Daí eu pergunto: onde está a autoridade do governador nesta hora? Ele tinha obrigação de ordenar um grupo tático para o caso, já que a PM não tem qualificação para isso. E não tem essa de: há, eles não iam, estão em greve. Para o inferno a greve, ele é o governador, autoridade máxima das polícias e o caso de Santo André era emergencial.
Para mim, a cena mais emblemática do despreparo foi ver os policiais subindo as escadas do lado de fora. Aquilo foi, no mínimo, muito tosco.
Ou seja, é uma tristeza muito grande ver que em todos os aspectos, houve falta de interesse, falta de autoridade e bom senso com uma situação tida como complicadíssima: os crimes passionais. Por quê? Porque nunca se sabe o que este tipo de criminoso realmente pensa em fazer.
É triste. É o fracasso de todos os neoliberalismos que estamos vivendo. Nós, como sociedade, temos que pensar o que fazer para melhorar nossas vidas em grupo. Senão, tenho a impressão que a coisa há de ficar cada vez pior.

PS: Por que não colocaram sonífero na comida quando deram? Era tão mais simples. Todo mundo cairia no maior ronco, daí ficaria fácil de invadir... Que tristeza...
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10 comentários:

Rafael disse...

Acompanho seu blog já faz um tempo, infelizmente a Policia Brasileira é mal paga e mal preparada e o tal linderbeg (não sei se tá certo o nome)não comia a comida que vinha de fora e sim a de dentro (da geladeira, da dispensa) mas a Policia podia invadir antes mas quando tomou uma atitude foi tarde!
No mais, parabéns pelo Blog! Beijão

Rafael disse...

Mais uma coisa: descobri quem disse que é oficial a noticia de CDZ no SBT! XD

sandra monte disse...

Pois é Rafael.
Foi um desabafo. Tanto este post... como o anterior.

Que bom que você descobriu...

Celbi P. disse...

Da análise econômica não há o que discordar. Calcula-se que no mercado internacional circulam US$ 9 trilhões, enquanto que no mercado financeiro isso seja 3 ou 4 vezes mais - isso é o dinheiro virtual que ninguém tem certeza se existe.

Sobre o caso do sequestro. Está provado que numa situação de sequestrador com perturbações/alterações de humor como nesse caso específico um padre, bispo ou seja lá o que for não resolveria nada. E há um protocolo que diz que deve-se evitar contato de terceiros como foi o caso do governador Alckmin no caso do silvio Santos. Ou mesmo palpites governamentais como fez no Rio o Garotinho perguntando sobre um tal "gás do sono" - que não existe.

Sobre a autoridade policial, São Paulo possui, através da polícia civil o GER (Grupo Especial de Resgate), especializado nesse tipo de caso. O problema é que há o impasse de sempre por conta da disputa entre a policia civil e a PM, pelo menos é o que foi comentado na imprensa.

E por fim, soníferos são arriscados pois, primeiro que a lei pede que apenas médicos receitem. Segundo que o remédio não tem efeito imediato. Se todos consomem e ele percebe alguma das reféns tonteando, ele pode ficar maluco e atirar. Esse sequestro não foi um caso típico.

sandra monte disse...

Concordo com vc em alguns aspectos, Celbi.

Sbre a poçícia, o fato é que não é apenas um questão de rivalidade. Houve negligência de nosso governador em não ter enviado o grupo certo para tomar conta do caso.

Afinal... ele não quer negociar com os caras... Nem ter nenhum tipo de contato.

Fernando Ventura disse...

E com certeza com o safado, pilantra e sem-vergonha do Paulinho "ajudando" vai tudo ser resolvido... HELP!

Corto Blog Maltese disse...

Olha Sandra, eu discordo de vc em suas colocações sobre o caso.

Especialmente por vincular a política de um estado mais forte a segurança povo.

Não sou de direita nem de esquerda, mas eu não vi o neoliberalismo economico no caso Eloá da mesma fora forma claríssima quanto vi o corporativismo do Estado no caso Daniel Duque.

Ali eu vi o Estado interferir em toda sua magnitude.

Vi o Estado quando um policial que servia de segurança pro filho de uma promotora matou outro garoto que estava brigando com o filho da promotora.

Vi o Estado quando o outro promotor que deveria acusar o PM pediu a absolvição dele, transformando a vítima no mais atroz criminoso, enquanto a mãe do rapaz morto gitava em prantos que seu filho não era pitboy.

Sobre o caso Eloá, como falaram, não é m caso típico. Agora descobriram que o pai da Eloá era membro de um Esquadrão da Morte e forjou uma nova identidade.

Em mais um momento bizarro do caso, ele fugiu enquanto a fiklha era enterrada e diz que tem medo de aparecer porque é um arquivo vivo e o pessoal do Exército de Alagoas quer executá-lo.

Bom, taí mais uma demonstração do poder do Estado. ^^

sandra monte disse...

Corto...
Você me convenceram que talvez não tivesse sido uma boa colocar sonífero.

E os exemplos que você citou são interessantes. Mas, são os extremos que matam.

Tanto o excesso do Estado, como a ausência dele. Este é um caso de neoliberalismo social, porque vimos ali a ausência do Estado. E se você perceber, ultimamente, o Estado está mais ausente do que presente, seja no que for... É o "Estado mínimo" do neoliberalismo. E Infelizmente, o Estado só tem se mostrado "máximo", quando é para defender os interesses das classes ricas.

Como citei no post, não se deve confundir autoridade e autoritarismo. Faltou autoriade.

Sobre o pai da Eloá... isso é uma outra história...

Caio Reis disse...

Que a verdade seja dita!!!
muito bom Sandra, esse foi um dos melhores textos que eu já li no blog.
Parabens... ;)

Corto Blog Maltese disse...

Nisso eu concordo com você. Autoridade é diferente de autoritarismo e os extremos podem matar... literalmente.